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A cidade brasileira eleita 16 vezes o melhor destino de ecoturismo que controla até o número de visitantes por dia
om rios que parecem aquários e cavernas subterrâneas.
Poucos endereços brasileiros conseguem se manter no topo de um mesmo ranking por tanto tempo. Bonito, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, foi eleita 16 vezes consecutivas o melhor destino de ecoturismo do país e sustenta essa fama com um modelo raro: sistema de voucher único, controle diário de visitantes e uma coleção de rios transparentes, grutas azuis e cachoeiras espalhadas pela Serra da Bodoquena. É a cidade brasileira que virou referência mundial em turismo sustentável.
A pequena cidade que virou capital do ecoturismo
Bonito fica na região sul de Mato Grosso do Sul, a cerca de 300 km de Campo Grande, capital do estado. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem cerca de 22 mil habitantes e integra a região turística conhecida como Bonito-Serra da Bodoquena.
A geologia local é o que torna tudo possível. O solo calcário da Serra da Bodoquena filtra a água que corre pelos rios, retirando sedimentos e sujeira antes de devolvê-la limpa e cristalina às nascentes. Segundo a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, esse processo natural sustenta pelo menos 46 opções de passeios, entre flutuação, mergulho, arvorismo, cavalgada e boia-cross.

O que ver e fazer em Bonito?
A cidade organiza suas atrações em categorias que combinam água, terra e adrenalina, com opções para famílias, iniciantes e aventureiros. Todos os passeios exigem agendamento prévio e acompanhamento de guias credenciados. Os principais atrativos incluem:
- Gruta do Lago Azul: caverna com lago de coloração azul intensa formada pela incidência solar sobre a água mineral, uma das mais famosas do país.
- Rio Sucuri: flutuação clássica em águas transparentes, entre peixes coloridos e vegetação submersa que parece um aquário.
- Rio da Prata: um dos passeios mais completos, com trilha ecológica e flutuação em nascente cristalina, restrita a 260 visitantes por dia.
- Abismo Anhumas: descida de rapel de 72 metros até um lago subterrâneo com estalactites gigantes.
- Buraco das Araras: dolina de 500 metros de circunferência habitada por araras-vermelhas e outras aves.
- Lagoa Misteriosa: dolina de águas azuladas com profundidade nunca totalmente determinada, aberta para flutuação e mergulho.
É comum reservar os passeios com semanas de antecedência, sobretudo entre junho e setembro.
Como funciona o modelo de voucher único de Bonito?
A resposta para a fama sustentada está em um sistema criado pela própria cidade. O turista não compra ingresso direto no atrativo: precisa passar por uma das mais de 50 agências credenciadas, que emitem o Voucher Único, o comprovante que garante o acesso e o acompanhamento de guias. O preço é tabelado pela Prefeitura, o que evita variação entre agências.
Segundo a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, esse modelo se apoia na capacidade de carga controlada: cada atrativo recebe um número máximo diário de visitantes para não comprometer o ecossistema. É essa combinação de organização, tabelamento e controle ambiental que fez Bonito virar caso de estudo em turismo sustentável no mundo.

Como é o clima de Bonito durante o ano?
O clima é tropical úmido, com verão quente e chuvoso e inverno seco e ameno. A alta temporada de ecoturismo se concentra entre maio e setembro, quando as chuvas dão trégua e a água dos rios fica mais transparente.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Bonito
Bonito fica a cerca de 300 km de Campo Grande, principal porta de entrada aérea da região. As opções mais comuns de acesso são:
- Aeroporto Internacional de Campo Grande: voos diretos das principais capitais brasileiras, com transfer rodoviário até Bonito de cerca de 4 horas.
- Aeroporto Regional de Bonito: opera voos comerciais sazonais, principalmente na alta temporada.
- Rodovia BR-060 e BR-267: principal ligação por asfalto entre Campo Grande e o município.
- Transfer intermunicipal: linhas regulares de ônibus e vans conectam Campo Grande, Jardim e Bonito.
Dentro da cidade, muitos atrativos ficam distantes do centro, e o carro alugado ou o transfer com agência facilitam bastante o deslocamento.
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A cidade que faz do turismo um modelo
Poucos destinos brasileiros conseguem entregar a mesma combinação de Bonito: rios que parecem aquários, cavernas com lagos subterrâneos e um sistema de gestão que controla cada visitante para preservar o cenário. É o tipo de lugar que se apresenta melhor quando se respeita o próprio limite.
Você precisa conhecer Bonito e flutuar em um dos rios cristalinos para entender por que a cidade continua no topo do ecoturismo brasileiro há 16 anos seguidos.