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A cidade brasileira onde há um doutor para cada 180 moradores e a tecnologia virou parte da economia
Alta oferta de médicos e economia tecnológica.
Cidade média do interior costuma ter uma faculdade e um distrito industrial. São Carlos, no centro geográfico de São Paulo, tem duas universidades públicas, duas unidades da Embrapa, dois parques tecnológicos e um campus federal maior que muitos municípios brasileiros. O resultado aparece no número de patentes e no título que a cidade carrega por lei federal.
O que cabe dentro do campus da UFSCar em São Carlos?
Cabe uma pequena cidade. Segundo a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o campus tem 645 hectares de extensão e 196 mil m² de área construída, com mais de 300 laboratórios, 10 edifícios de aulas teóricas e um restaurante universitário que serve cerca de 5 mil refeições por dia.
A estrutura foi montada em uma antiga fazenda, a Trancham, e inaugurada em 13 de março de 1970, com 100 alunos nos cursos de licenciatura em Ciências e bacharelado em Engenharia de Materiais. Hoje passam por ali mais de 10 mil estudantes de graduação e 4 mil de pós-graduação, distribuídos em cerca de 40 cursos e 43 programas de pós. Dentro dos limites do campus ainda funcionam um hospital universitário de alta complexidade e uma faixa preservada de Cerrado.

Por que a cidade registra tantas patentes?
Porque a pesquisa não fica presa na universidade. Conforme a Câmara dos Deputados, o município registra 15 patentes a cada 100 mil habitantes, enquanto a média brasileira é de 3, e concentra um doutor para cada 180 moradores, contra um para cada 5.423 no país.
Esses números foram a justificativa formal para o título. A Lei nº 12.504, sancionada em 11 de outubro de 2011, tem dois artigos e uma única frase de conteúdo: confere ao município de São Carlos o título de Capital Nacional da Tecnologia. Nenhuma outra cidade brasileira carrega essa designação. Comparação parecida vale para a cidade paulista de 4.800 habitantes, que também construiu reputação nacional sem ser grande.
Quais empresas se instalaram por causa dessa estrutura?
Mais de 200 empresas de base tecnológica operam no município, ao lado de quatro multinacionais: Faber-Castell, Tecumseh, Volkswagen e Electrolux, informa a UFSCar. A cidade também abriga um centro tecnológico da Latam Linhas Aéreas.
A base científica que sustenta esse arranjo vai além das duas universidades. Somam-se dois campi da Universidade de São Paulo (USP) e duas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Instrumentação e a Pecuária Sudeste, além de faculdades particulares. Ao todo são mais de 150 cursos de graduação e pós oferecidos dentro do município, o que explica por que boa parte das empresas locais nasceu de projetos de laboratório.
O que ver na cidade além dos campi?
O centro guarda o casario do ciclo cafeeiro que financiou a fundação do município no século XIX, e boa parte dos espaços científicos abre ao público, confira abaixo o que costuma organizar a visita:
- Catedral de São Carlos Borromeu: marco zero da cidade, em estilo eclético, com vitrais coloridos.
- Parque Ecológico Dr. Antônio Teixeira Vianna: área com fauna brasileira, trilhas e espaço de piquenique, aberta ao público nos fins de semana.
- Área de Cerrado da UFSCar: faixa preservada dentro do campus, aberta a caminhada para observação de aves e plantas nativas.
- Mercado Municipal: bancas de temperos, queijos e doces da região, com cantinas de almoço tradicional no centro.
- Teatro Municipal: agenda regular de música, dança e companhias de teatro do interior paulista.

Como é o clima de São Carlos ao longo do ano?
A cidade fica perto de 850 metros de altitude, o que garante invernos mais frios do que a média do interior paulista. Em janeiro caem 263 mm de chuva, contra 26 mm em julho e agosto, veja abaixo como o ano se organiza:
Médias climatológicas de 30 anos publicadas pelo Climatempo. As condições variam de um ano para o outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.
A cidade que transformou laboratório em economia
O caso são-carlense mostra o que acontece quando universidade pública deixa de ser apenas centro de formação e vira infraestrutura produtiva. Os 645 hectares de campus, as 200 empresas de tecnologia e as patentes acima da média nacional fazem parte do mesmo circuito, montado ao longo de décadas em uma cidade de porte médio.
Você precisa passar alguns dias em São Carlos e entender por que o interior paulista virou endereço de pesquisa antes de virar endereço de fábrica.