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A cidade goiana com mais de 80 cachoeiras onde cavaleiros encenam batalhas medievais há 200 anos
Uma festa que recria batalhas medievais.
Bandeirantes paulistas fundaram o povoado em 1727 depois de encontrar ouro nas margens do Rio das Almas. Pirenópolis guarda um dos maiores conjuntos coloniais do Centro-Oeste e a única festa do país em que mouros e cristãos ainda se enfrentam a cavalo em uma única cidade.
Do ciclo do ouro ao Patrimônio Nacional do Centro-Oeste
O povoado nasceu como Minas de Nossa Senhora do Rosário Meia Ponte em 1727, batizado em homenagem à ponte sobre o Rio das Almas e à padroeira dos mineradores. O nome atual chegou no século XIX, em referência à cordilheira dos Pireneus, entre França e Espanha, por causa das serras que cercam o município.
O conjunto arquitetônico inteiro foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1988. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, iniciada em 1728, foi o primeiro monumento tombado da região Centro-Oeste, ainda em 1941. Um incêndio devastou o templo em 2002, mas a restauração completa foi finalizada em 2006.
Segundo o portal Agita Pirenópolis, a cidade guarda ruas de pedra do século XVIII, casarões coloridos e igrejas barrocas. Durante a construção de Brasília, entre 1956 e 1960, o presidente Juscelino Kubitschek costumava subir a serra para comer a culinária goiana da região.

O que fazer entre o Centro Histórico e a Serra dos Pireneus?
A cidade combina três séculos de história colonial com uma serra recortada por cachoeiras. As atrações se dividem entre o núcleo urbano tombado e as propriedades rurais nos arredores.
- Cachoeira do Bonsucesso: uma das mais visitadas, com 50 metros de queda em três quedas e poço natural cristalino para banho. Fica a 25 km do centro.
- Santuário Vagafogo: reserva ecológica particular com trilha, cachoeira, arvorismo e o famoso café da manhã do mato, feito com frutas do Cerrado.
- Cachoeiras dos Dragões: circuito de banhos em piscinas naturais esculpidas na rocha, com cores azul-turquesa.
- Parque Estadual dos Pireneus: 3 mil hectares com trilhas, cachoeiras e o Pico dos Pireneus, ponto mais alto do parque, com vista de cidades vizinhas.
- Museu das Cavalhadas: guarda máscaras, fantasias e documentos da festa mais tradicional da cidade, na antiga Casa de Câmara e Cadeia.
- Museu Rodas do Tempo: acervo de motos e bicicletas antigas com horário regular, um dos poucos museus da cidade sempre abertos
Pirenópolis une turismo histórico, ecoturismo e gastronomia inesquecível em Goiás. O vídeo é do canal Viajantes App, focado em roteiros de viagem, e detalha um guia completo com trilhas, a vibrante Rua do Lazer, cachoeiras cristalinas e a impressionante Cidade de Pedras:
Duas festas mantêm viva a herança colonial e ibérica
A Festa do Divino Espírito Santo acontece na cidade desde 1819 e foi registrada pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2010. Dura 12 dias e reúne três folias distintas: a folia da Roça, a folia da Rua e a folia do Padre, cada uma com trajeto e público diferentes.
Dentro da mesma celebração, as Cavalhadas acontecem há quase 200 anos. Cavaleiros fantasiados encenam a cavalo as batalhas medievais entre mouros e cristãos na Península Ibérica, no Cavalhódromo, palco oficial da festa. Durante três dias, os Mascarados ou Curucucus tomam conta das ruas com máscaras coloridas que lembram animais e polaques barulhentos pendurados no pescoço dos cavalos.
A festa acontece 50 dias depois da Páscoa, entre maio e junho. Fora do calendário oficial, esculturas dos mascarados em tamanho real ficam espalhadas pela cidade e viraram um dos cartões-postais mais fotografados de Goiás.
A cozinha do Cerrado com sabores do interior goiano
A gastronomia local celebra os ingredientes nativos do bioma Cerrado. As cachaças artesanais viraram referência nacional, e vinícolas e cervejarias artesanais completam o roteiro do turismo gastronômico.
- Empadão goiano: recheado com frango, linguiça, queijo, azeitona e guariroba, um palmito amargo típico do Cerrado.
- Arroz com pequi: fruto amarelo aromático da região, consumido com cuidado por causa dos espinhos do caroço. Prato símbolo da culinária goiana.
- Café da manhã do mato: servido no Santuário Vagafogo com frutas, geleias e produtos caseiros feitos com ingredientes do Cerrado.
- Cachaças artesanais: várias marcas premiadas produzem em pequena escala e oferecem visitas guiadas aos alambiques.
- Doces em compota: figo, goiaba e mamão servidos com queijo fresco nas fazendas dos arredores, receita das primeiras famílias mineradoras.
Leia também: A cidade mais alemã do Brasil guarda a maior rota de casas medievais fora da Europa.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A cidade tem clima tropical com estação seca bem definida. Entre maio e setembro, dias ensolarados são ideais para trilhas e cachoeiras. De outubro a março, as chuvas deixam as quedas mais volumosas, e algumas trilhas ficam escorregadias.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à cidade histórica goiana?
Pirenópolis fica a 150 km de Brasília pela BR-070 e a GO-431, cerca de 2 horas de carro. De Goiânia, o trajeto é de 120 km pela BR-153. Os dois aeroportos operam voos de todo o país e são os pontos de chegada mais comuns.
A cidade não tem aeroporto próprio, então o carro alugado é a melhor opção para explorar as cachoeiras espalhadas pelas propriedades rurais. Ônibus regulares saem das rodoviárias das duas capitais e param no centro histórico.
Vale a pena conhecer a cidade goiana das cavalhadas
Pirenópolis reúne três séculos de arquitetura colonial, uma serra recortada por dezenas de cachoeiras e uma festa viva que atravessa gerações. Poucos destinos do Brasil guardam esse encontro entre patrimônio material e imaterial no mesmo endereço.
Você precisa conhecer Pirenópolis e caminhar pelas ruas de pedra que o presidente Juscelino Kubitschek subia para comer culinária goiana enquanto construía a capital do país.