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A psicologia afirma que pessoas nascidas entre 1975 e 1990 não aprenderam a viver sozinhas por acaso, mas porque precisaram treinar a própria autonomia mais cedo
Uma característica da infância dessa geração ajuda a explicar diferenças que aparecem só décadas depois
Quem nasceu entre 1975 e 1990 costuma lembrar de andar sozinho para a escola, ficar em casa sem supervisão direta e resolver pequenos problemas sem recorrer a um adulto por perto. A psicologia do desenvolvimento associa esse tipo de infância a um traço específico: essa geração precisou treinar a própria autonomia mais cedo do que as seguintes.
O que a psicologia encontrou sobre essa geração?
Um estudo publicado no Journal of Pediatrics, conduzido pelo pesquisador Peter Gray, do Boston College, junto a colegas, reuniu evidências mostrando um declínio nas oportunidades de atividade independente das crianças ao longo das últimas décadas, associado a mudanças no bem-estar mental das gerações seguintes.
A seguir, veja os elementos centrais dessa mudança geracional.
O que mudou entre gerações, segundo a pesquisa
Por que a chamada negligência benigna importa?
Pesquisadores chamam de negligência benigna o estilo de criação em que o adulto permite que a criança enfrente pequenos riscos e resolva problemas sozinha, sem deixar de garantir a segurança básica. Segundo essa linha de pesquisa, essa margem de autonomia ajuda a formar recursos emocionais para lidar com frustração e imprevisto na vida adulta.

Como isso se compara às gerações mais jovens?
O mesmo levantamento associa a redução dessas oportunidades de atividade independente, a partir das décadas seguintes, a um aumento nos indicadores de ansiedade e outros desafios de saúde mental entre crianças e adolescentes. A comparação não atribui o resultado a um único fator, mas destaca a autonomia como uma peça relevante dessa equação.
Antes de continuar, vale reforçar que gerações diferentes enfrentam contextos e riscos diferentes, o que também influencia essas comparações.
Essa autonomia pode ser recriada hoje?
Especialistas citados nesse tipo de pesquisa sugerem formas graduais de devolver espaço de decisão às crianças atuais, como permitir tarefas domésticas simples sem supervisão constante ou pequenos trajetos acompanhados até que a criança ganhe confiança para repeti-los sozinha, sempre ajustando à realidade e à segurança de cada família.

O que fica dessa forma de crescer?
Quem cresceu entre 1975 e 1990 carrega, segundo essa leitura da psicologia, uma familiaridade maior com resolver problemas sem ajuda imediata. Isso não torna uma geração melhor que outra, mas ajuda a explicar diferenças reais na forma como cada uma lida com incerteza.
Se você reconhece esse traço na sua própria trajetória, talvez valha refletir sobre como repassar esse tipo de confiança às gerações mais novas.
Confira a seguir outra reportagem sobre como identificar características geracionais.
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