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Amoreira: quando é a época da colheita e como a poda depois da safra faz o pé voltar a dar amoras em poucos meses
Estudo da Universidade Federal de Lavras mostra que a poda drástica em janeiro antecipa a colheita para setembro e pode estender a safra por até cinco meses
A amoreira está em plena fase de frutos nesta época do ano, e quem tem um pé em casa já vê os cachos escurecendo. Pesquisas da fruticultura brasileira mostram que a colheita da amora-preta começa na primavera. Mostram também que a poda feita no verão, logo após a safra, pode antecipar a produção seguinte e aumentar o volume de frutos.
Em que meses a amoreira costuma ter colheita de amoras?
Na amoreira-preta, a colheita costuma começar entre o fim de outubro e o início de novembro e seguir até meados de fevereiro. Esse foi o calendário registrado com a poda convencional em Lavras, no Sul de Minas, num estudo da Universidade Federal de Lavras publicado na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira.
Nos dois ciclos avaliados, entre 2020 e 2022, a safra durou de 106 a 110 dias. Como o experimento foi feito numa região subtropical de altitude, quem planta no calor do Rio ou da Baixada pode observar datas diferentes no próprio quintal.
Como funciona a poda da amoreira logo depois da safra?
Na poda convencional, as hastes que já deram frutos são cortadas rente ao chão em fevereiro, assim que a colheita termina. Retirar esses ramos abre espaço para as hastes novas do ano, que vão sustentar a safra seguinte.

A segunda etapa vem no inverno. Em junho ou julho, as hastes principais que cresceram durante o ano são encurtadas. É esse o manejo usado como referência pelos pesquisadores mineiros, e é com ele que o pé produz da primavera ao fim do verão.
O cuidado com os galhos jovens também faz diferença em outras frutíferas de quintal. A Super Rádio Tupi já mostrou uma técnica simples aplicada à macieira.
Especialistas em jardinagem explicam: “Colocar um pregador de roupa nos galhos jovens da macieira…➔
Em quanto tempo a poda drástica faz o pé dar amoras de novo?
Com a poda drástica feita em janeiro, o pé voltou a dar amoras em meados de setembro, cerca de oito meses depois do corte. Nesse manejo, todas as hastes, inclusive as que ainda não tinham produzido, são cortadas a 5 centímetros do solo.
No experimento de Lavras, esse corte de janeiro fez a colheita começar cerca de 39 dias antes da poda convencional. Os pesquisadores concluíram que, combinando datas de poda, a colheita pode ser estendida por até cinco meses, sem irrigação.
A tabela a seguir resume quando a colheita começou e terminou em cada manejo testado com as cultivares BRS Tupy e Brazos. Os dados vêm da versão completa do artigo.
| Poda | Início da colheita | Fim da colheita |
|---|---|---|
| Convencional | Fim de outubro a início de novembro | 15 a 17 de fevereiro |
| Drástica em janeiro | 15 a 25 de setembro | 17 a 22 de dezembro |
| Drástica em março | 20 de setembro a 26 de outubro | 15 a 26 de dezembro |
| Drástica em maio | 20 de outubro a 15 de novembro | 29 de dezembro a 10 de janeiro |
Na prática, a poda drástica troca uma safra longa no verão por uma colheita mais concentrada na primavera, segundo o artigo completo na biblioteca SciELO. Num estudo anterior da mesma universidade, publicado em 2015, a poda drástica de verão aumentou a produção de sete cultivares sem mudar a qualidade dos frutos.
Esse mesmo trabalho registrou que o corte não controlou doenças. Outro detalhe técnico pesa: cinco meses após a poda, os pesquisadores aplicaram ureia para derrubar as folhas e, uma semana depois, cianamida hidrogenada para quebrar a dormência.

O que considerar antes de podar a amoreira do quintal?
Antes de pegar a tesoura, observe o clima da sua região e a variedade plantada. Os estudos foram feitos no Sul de Minas, e o resultado mudou conforme a cultivar e a data do corte.
Para quem tem poucos pés, a poda convencional após a colheita já ajuda a renovar a planta. Produtos como a cianamida exigem orientação de um técnico em fruticultura e equipamento de proteção. E aí, como está a safra de amora na sua casa? Conta pra gente nas redes da Tupi.
Quem gosta de árvores frutíferas também vai se interessar por uma história que liga o Brasil ao Havaí. O personagem é o araçá, que virou problema do outro lado do mundo.