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Benito Di Paula morre aos 84 anos e deixa legado inesquecível no samba
Voz de sucessos como Retalhos de Cetim e Charlie Brown, o artista revolucionou a MPB ao unir piano e batucada com muito carisma e suingue
O cantor e compositor Benito Di Paula morreu na noite de domingo (18) aos 84 anos. O artista estava internado no Hospital 9 de julho, em São Paulo, e faleceu em decorrência de complicações de um câncer de próstata contra o qual lutava há cerca de um ano. Ainda não há informações sobre o velório e o enterro.
Nascido Uday Velloso em Nova Friburgo e criado no Rio de Janeiro, o artista adotou o nome Benito Di Paula a partir dos anos 1970. Em suas declarações públicas, não se definia como integrante da dinastia de nomes como Martinho da Vila e Paulinho da Viola, preferindo os rótulos de sambeiro e pianeiro.
A formação musical passou pela noite das boates, ambiente em que Benito notou a capacidade de produzir efeito de batucada ao tocar as teclas do piano. Esse estilo antecipou características do pagode paulista gravado nos anos 1990 por grupos como Raça Negra. Na televisão, o visual marcado por casacas, anéis, colares, gravatas borboletas e cabelos longos virou marca do músico.
Trajetória e sucessos nas paradas
A estreia no mercado fonográfico ocorreu em 1967. Quatro anos depois, chegou às lojas o disco “Benito Di Paula” (1971), seguido por “Ela” (1972), trabalho que apresentou o primeiro êxito popular do compositor: “Violão não se empresta a ninguém”.
A consolidação nacional começou em 1973 com o samba-canção “Retalhos de cetim”. A união entre piano e percussão gerou lançamentos contínuos pela gravadora Copacabana entre 1973 e 1977, período considerado o auge da carreira e influenciado pelo compositor Ataulfo Alves:
“Charlie Brown” e “Beleza que é você mulher” (1974)
“Bandeira do samba”, “Como dizia o mestre” e “Vai ficar na saudade” (1975)
“Tudo está no seu lugar” e “Do jeito que a vida quer” (1976)
“Assobiar e chupar cana” e “Proteção às borboletas” (1977)
O cantor continuou em evidência na década seguinte com faixas como “Ah! Como eu amei”, em 1981, e “Amigo do sol, amigo da lua”, lançada em 1984 e incluída na trilha sonora da novela “A gata comeu”, exibida em 1985 pela TV Globo. Benito lançou o álbum “Baileiro” em 1996 e voltou a gravar repertório inédito em “A felicidade é nossa” (2017) e “O infalível zen” (2021).
Em 2025, a escola de samba Águia de Ouro celebrou a obra do músico no Carnaval de São Paulo com o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do jeito que a vida quer”. Na ocasião, Benito Di Paula participou da apresentação em um carro alegórico, um mês antes de completar 85 anos.