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Chefs de cozinha explicam: “Se o feijão demora a amolecer, o problema pode não ser a panela, mas o sal colocado cedo demais”
Estudos no Brasil e no Canadá mostram que grão velho e água dura pesam mais no tempo de cozimento do que a pitada de sal colocada no início
Quem cozinha feijão em casa conhece a cena: a panela de pressão chia, o tempo passa e o grão continua firme. Uma explicação antiga, repetida de geração em geração, culpa o sal colocado logo no começo. A ciência dos alimentos conta outra história, e entender o que de fato atrasa o cozimento ajuda a poupar tempo e gás na cozinha.
O sal colocado cedo deixa mesmo o feijão mais duro?
Na maior parte dos testes de laboratório, não. As pesquisas mostram que o sal na água costuma ajudar o grão a amolecer. A crença de que salgar no início deixa a textura arenosa é tradicional, mas os experimentos apontam no sentido oposto.
Um estudo com variedades brasileiras, assinado também por pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão, foi publicado em 2024 no periódico Food and Humanity. O uso de sais na água do remolho reduziu o tempo de cozimento em até 95%. A solução com 1% de sal de cozinha teve o melhor resultado geral, enquanto o bicarbonato acelerou mais, porém danificou mais os grãos.
No Canadá, a equipe de pesquisa culinária do Red River College chegou a conclusão parecida. Feijões de molho em água com 2% de sal cozinharam mais rápido e ganharam sabor e textura. Entre os profissionais, cada chef de cozinha tem sua regra: muitos salgam o grão, mas divergem sobre a hora e a quantidade, como registra o próprio levantamento.

Por que o feijão guardado há meses demora mais no fogo?
O vilão mais comum é a idade do grão. Com o armazenamento, a casca endurece, o feijão absorve menos água e precisa de muito mais tempo para ficar macio, mesmo sem nenhuma pitada de tempero.
Um estudo publicado na revista Ciência Rural acompanhou feijão carioca por oito meses em temperatura ambiente. O tempo de cozimento subiu em todas as embalagens a partir do sexto mês. O pacote a vácuo segurou melhor o problema, porque o pouco oxigênio freia as reações que escurecem e endurecem a casca.
Os autores lembram que a refrigeração também retarda esse endurecimento. Em casa, a saída é comprar quantidades menores, conferir a data de embalagem e guardar o grão em pote bem fechado, longe do calor.
Quem gosta de aproveitar o feijão que sobrou tem mais uma ideia para testar. A matéria abaixo ensina a transformar o grão já cozido num prato típico mineiro.
A receita que vai fazer você ficar mais pertinho de Minas Gerais➔
Água dura e panela de pressão mudam o tempo de cozimento?
A água muda, e bastante. Nos testes do Red River College, a água mais rica em calcário aumentou em cerca de 70% o tempo de cozimento do feijão vermelho graúdo. Na água mais leve, o acréscimo foi de 17%, sempre em comparação com a água destilada.

Já a panela de pressão não faz milagre com grão velho ou água pesada: ela eleva a temperatura e encurta o processo. Se o feijão segue duro depois de bastante tempo sob pressão, a origem do problema costuma estar no grão ou na água, e não no utensílio.
Como acertar o ponto do feijão no dia a dia da cozinha?
O caminho mais seguro junta três cuidados: grão novo, remolho e um pouco de sal desde o começo. Os estudos indicam que o molho em água levemente salgada encurta o cozimento sem prejudicar a textura, ao contrário do que diz a crença antiga.
Tem chef de cozinha que salga no remolho e quem prefira temperar só no refogado, e as duas escolas seguem firmes. Faça o teste aí na sua casa, compare o resultado e conte pra gente como ficou o feijão da sua família.
Depois do feijão no ponto, que tal pensar na sobremesa? A receita abaixo leva só quatro ingredientes e vai ao forno em pouco tempo.
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