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Com 22,5 km de areia contínua e 24 km de ciclovia à beira-mar: a cidade do litoral paulista que nasceu de uma fortaleza
A 77 km da capital paulista, Praia Grande estica 12 praias em linha reta ao longo de 22,5 quilômetros de orla urbanizada. Um trecho ininterrupto de areia entre o Canto do Forte, na divisa com São Vicente, e Solemar, na fronteira com Mongaguá, servido por uma ciclovia contínua de 24 km e por uma fortaleza militar de 1902 que deu origem à própria cidade.
Peaçabuçu, o porto grande: da fortaleza à cidade
Antes dos primeiros loteamentos, o trecho de areia entre Santos e Itanhaém era chamado pelos habitantes originários de peaçabuçu, palavra tupi que significa porto grande. O topônimo Praia Grande vem dessa continuidade rara de faixa arenosa. A cidade só nasceu de fato no início do século XX, quando o governo federal decidiu erguer uma fortaleza para proteger a entrada do Porto de Santos.
A obra começou em 1902, no governo do presidente Campos Sales, e exigiu porto, estradas e saneamento em uma área até então praticamente despovoada. Segundo a Prefeitura Municipal de Praia Grande, a infraestrutura montada em torno da fortaleza atraiu moradores e serviu de base para o crescimento urbano. A emancipação de São Vicente, no entanto, só aconteceu em 19 de janeiro de 1967, depois de plebiscito realizado em 1963, com forte resistência da cidade-mãe, que perderia 24 km de praias.

Fortaleza de Itaipu: três fortes em 2,4 milhões de metros quadrados
O complexo militar que deu origem à cidade continua ativo. A Fortaleza de Itaipu reúne três fortes construídos ao longo do século XX: Jurubatuba, Rego Barros e o Duque de Caxias, este aberto à visitação. Ocupa área de 2,4 milhões de metros quadrados de Mata Atlântica preservada no morro do bairro Canto do Forte e abriga o 2º Grupo de Artilharia Antiaérea (GAAAe), segundo a Prefeitura Municipal de Praia Grande.
A tropa do forte participou de momentos-chave da história política brasileira, entre eles a Revolução Constitucionalista de 1932. Durante a ditadura, a exemplo de outras fortificações militares, a Fortaleza de Itaipu foi integrada ao aparato repressivo. Segundo o Memorial da Resistência de São Paulo, cerca de dez estudantes considerados líderes do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1968, foram transferidos para o local após passagem pelo DEOPS. As visitas guiadas acontecem em finais de semana e feriados, com percurso obrigatório de carro.
Quais são as praias e o que fazer na orla?
As 12 praias mudam de nome, mas não de faixa de areia. É possível caminhar de uma ponta a outra pelo calçadão sem sair da mesma orla. Cada trecho reúne perfil próprio de banhistas e serviços.
- Canto do Forte: a primeira ao lado da Fortaleza de Itaipu, com águas mais calmas e o Mercado de Peixe em formato de barco, ponto de venda direta dos pescadores locais.
- Boqueirão e Guilhermina: praias mais concorridas, com feiras permanentes de artesanato reunindo mais de 300 artesãos.
- Praia da Aviação: leva o nome do antigo campo de pouso da cidade, referência histórica da orla.
- Praia do Forte, Ocian, Caiçara e Solemar: sequência que fecha a orla até a divisa com Mongaguá, com feirinhas fixas de artesanato em quatro pontos.
- Ciclovia da orla: 24 km sinalizados que acompanham a faixa de areia inteira, uma das maiores ciclovias contínuas à beira-mar do Brasil.
- Portinho: área de lazer Ézio Dall’Acqua às margens do Mar Pequeno, com 94 mil metros quadrados, quiosques e deck de pesca.
Onde comer bem em Praia Grande?
A gastronomia gira em torno dos frutos do mar frescos e da simplicidade da cozinha caiçara paulista. O Canto do Forte concentra os endereços mais tradicionais, e a orla inteira oferece opções em quiosques padronizados.
- Peixe frito com pirão: prato clássico dos restaurantes de praia, servido inteiro com farofa, arroz e feijão.
- Camarão à provençal: preparo com alho, salsa e limão, presente em quase todos os quiosques da orla e nos restaurantes do Canto do Forte.
- Moqueca de peixe: versão paulista do prato, com leite de coco mais leve e temperos frescos, especialidade de restaurantes tradicionais na altura da Boqueirão.
- Pastel de camarão e caldinhos: tira-gostos servidos ao entardecer nos quiosques da praia, tradição do litoral sul paulista.
Além do banho de mar
Nas duas últimas décadas, a Prefeitura investiu em equipamentos culturais e áreas verdes que ampliaram o roteiro da cidade. Boa parte fica a poucos minutos da orla e é acessível pelo calçadão.
- Palácio das Artes: complexo cultural de cerca de 6 mil metros quadrados, com teatro de 523 lugares, Museu da Cidade e galeria de arte.
- Praça da Paz: sete esculturas de 10 metros em aço homenageiam figuras como Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá e Nelson Mandela.
- Kartódromo Municipal: pista dentro do Polo Esportivo Leopoldo Estásio Vanderlinde, com orquidário e academia ao ar livre no entorno.
- Mercado de Peixe em formato de barco: no Canto do Forte, referência regional para compra de pescados frescos direto dos pescadores.
- Feiras de artesanato: fixas nas praias Guilhermina, Ocian, Caiçara e Solemar, reunindo mais de 300 artesãos locais.
Leia também: Nasceu em 1989, foi desenhada a régua e é hoje a maior praça da América Latina: a capital mais jovem do Brasil.
Como é o clima ao longo do ano
Praia Grande tem clima tropical litorâneo, com verão quente e chuvoso e inverno seco e ameno. As temporadas mais fortes de turismo coincidem com o verão e as férias escolares.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Praia Grande
Praia Grande fica a 77 km da capital paulista e é acessada pelas rodovias Anchieta, Imigrantes e Padre Manoel da Nóbrega (SP-55), entre uma hora e uma hora e meia de carro, dependendo do tráfego. Do Terminal Rodoviário do Jabaquara, em São Paulo, ônibus intermunicipais partem ao longo do dia. Dentro da cidade, o calçadão e a ciclovia permitem circular entre praias sem depender de veículo.
Desça a serra e caminhe os 22 km
Praia Grande virou o segundo destino mais procurado do estado no verão por uma combinação difícil de encontrar: 22,5 km de areia contínua, ciclovia de ponta a ponta, uma fortaleza militar com mais de 120 anos e infraestrutura pensada para receber multidões. Tudo isso a uma hora da maior cidade do Brasil.
Você precisa conhecer Praia Grande pedalando do Canto do Forte a Solemar num fim de tarde de outono, sem multidão, para descobrir a orla paulista no seu melhor formato.