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Eleita a “Cidade Criativa da Gastronomia” pela UNESCO, esta capital amazônica tem pato no tucupi, mercados históricos e sabores únicos

Belém conquistou o título de Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO.

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Eleita a "Cidade Criativa da Gastronomia" pela UNESCO, esta capital amazônica tem pato no tucupi, mercados históricos e sabores únicos
A culinária paraense reúne ingredientes e combinações que ainda são pouco conhecidos em várias partes do Brasil. / Imagem ilustrativa

Os cheiros de tucupi, jambu e peixes amazônicos fazem parte do cotidiano de quem visita os corredores do tradicional Ver-o-Peso, em Belém. A capital paraense vai muito além do turismo e conquistou projeção internacional ao receber da UNESCO o título de Cidade Criativa da Gastronomia, reconhecimento que destaca uma culinária formada ao longo de séculos de história e tradição na Amazônia.

Como Belém se tornou uma referência mundial da gastronomia?

Em 2015, Belém entrou para a Rede de Cidades Criativas da UNESCO na categoria Gastronomia, tornando-se a primeira cidade brasileira a conquistar essa distinção. O reconhecimento levou em conta a identidade de uma cozinha que combina influências indígenas, africanas e portuguesas, além de ingredientes amazônicos pouco encontrados em outras regiões do mundo.

O título vai além de uma premiação simbólica e envolve compromissos permanentes com iniciativas culturais, educacionais e de fortalecimento da economia criativa. Para mantê-lo, a cidade precisa apresentar periodicamente resultados e projetos que valorizem sua gastronomia, reforçando sua posição como uma das principais representantes da culinária amazônica no cenário internacional.

Essa cidade tem sabores e histórias que vão conquistar seu coração
A cidade apresenta um clima equatorial quente e úmido, famoso pelas “chuvas da tarde” que refrescam a temperatura diariamente. / Créditos: depositphotos.com / gustavofrazao

O maior mercado a céu aberto da América Latina

Às margens da baía, o Ver-o-Peso ocupa um complexo com mais de 25 mil metros quadrados e é considerado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a maior feira livre da América Latina. Tombado em 1977, o mercado tem origens no século XVII, quando o espaço funcionava como posto de cobrança de tributos da Coroa Portuguesa.

Inaugurado em 1901, o Mercado de Ferro se destaca pela estrutura trazida da Europa e pelos traços da arquitetura art nouveau, característica da belle époque. Nas primeiras horas da manhã, canoas chegam carregadas de açaí fresco, camarões, ervas e raízes amazônicas, mantendo uma movimentação que remete à longa tradição comercial da região.

O que comer na capital da cozinha amazônica?

A culinária paraense reúne ingredientes e combinações que ainda são pouco conhecidos em várias partes do Brasil. Entre as receitas que merecem espaço no roteiro gastronômico estão:

  • Pato no tucupi: pato assado servido em um caldo amarelo extraído da mandioca-brava, acompanhado de jambu, erva que provoca uma sensação de dormência na boca.
  • Maniçoba: conhecida como a feijoada paraense, é preparada com folhas de maniva cozidas por até sete dias para eliminar sua toxicidade natural.
  • Tacacá: caldo quente feito com tucupi, goma, camarão seco e jambu, tradicionalmente servido em cuias e muito procurado no fim da tarde.
  • Açaí com peixe frito: na mesa paraense, o açaí puro e espesso também aparece como acompanhamento salgado, uma forma de consumo comum nas refeições do dia a dia.
  • Filhote e pirarucu: peixes amazônicos preparados grelhados ou em caldeiradas, geralmente acompanhados de farinha d’água.

A ilha que abastece a tradição do açaí paraense

A poucos minutos de barco do centro de Belém, a Ilha do Combu oferece uma experiência mais tranquila em meio à paisagem amazônica. Cercada por rios, igarapés e trechos de floresta densa, ela abriga comunidades ribeirinhas cujo cotidiano está diretamente ligado à natureza. Entre as atividades econômicas de destaque está o cultivo do açaí, fruto essencial na alimentação paraense e presente no abastecimento diário de mercados e consumidores da região.

Além de movimentar a economia local, a ilha atrai visitantes interessados em experimentar a gastronomia amazônica em um ambiente próximo às tradições ribeirinhas. Restaurantes instalados nas margens dos rios servem peixes frescos, camarões e pratos preparados com ingredientes produzidos na própria região. O trajeto é feito em embarcações que partem da área portuária de Belém, proporcionando um passeio que combina floresta, cultura local e sabores característicos da Amazônia.

Os parques que trazem a Amazônia para dentro da capital

No centro histórico, o Parque Zoobotânico Mangal das Garças ocupa uma área de 40 mil metros quadrados. O espaço reúne borboletário, viveiro de aves, farol com mirante e um memorial dedicado à navegação amazônica. A entrada no parque é gratuita.

Em outra parte da cidade, o Parque Estadual do Utinga protege nascentes e áreas de mata dentro do perímetro urbano. Juntos, os dois espaços ajudam a explicar o apelido de Belém, conhecida como cidade das mangueiras, onde árvores antigas formam corredores de sombra em extensas avenidas.

Onde ver o pôr do sol mais famoso da Amazônia

A Estação das Docas é um dos pontos mais procurados de Belém no fim da tarde. O antigo porto foi revitalizado e transformado em um complexo gastronômico e cultural às margens da baía. Seus três armazéns restaurados abrigam restaurantes, bares e cafeterias.

Do calçadão, é possível acompanhar o sol desaparecendo no horizonte e tingindo a água de tons alaranjados e arroxeados, enquanto embarcações cruzam a paisagem. Segundo a Agência Pará, o complexo funciona de domingo a quinta-feira, das 10h à meia-noite, e às sextas-feiras e aos sábados, até 1h.

Como chegar a Belém?

O principal acesso aéreo à capital paraense é o Aeroporto Internacional de Belém, que recebe voos regulares de grandes cidades brasileiras, entre elas São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Fortaleza. Sua localização também facilita conexões com outros destinos da Amazônia, fazendo de Belém um dos principais centros de transporte da Região Norte.

Do aeroporto até a área central são aproximadamente 12 quilômetros. O percurso pode ser feito de táxi, por aplicativos de transporte ou em ônibus urbanos e costuma levar de 30 a 40 minutos em condições normais de trânsito. Assim, é possível chegar com relativa rapidez aos principais atrativos turísticos, hotéis e áreas comerciais.

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Vale a pena visitar Belém?

Belém concentra patrimônio histórico, manifestações culturais, tradição religiosa e uma culinária que ganhou reconhecimento internacional. Entre seus principais símbolos estão o tradicional Ver-o-Peso, um dos maiores mercados a céu aberto da América Latina, e o Círio de Nazaré, uma das maiores celebrações católicas do mundo.

Conhecer a capital paraense significa entrar em contato com sabores, aromas e costumes que conferem à cidade uma identidade própria. Entre pratos tradicionais, ingredientes da floresta e paisagens às margens da Baía do Guajará, Belém oferece experiências que vão além dos roteiros turísticos convencionais. Provar um tacacá no fim da tarde ou caminhar pelas bancas do mercado histórico ajuda a compreender como a cidade se consolidou como referência gastronômica internacional e um dos destinos mais singulares do Brasil.