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Empresa que fatura R$ 1,6 bilhão exige que 1.400 funcionários leiam 12 livros por ano para receberem até 15º salário em bônus
Exigência atrela o bônus anual à entrega de resumos de obras literárias e impulsiona o crescimento profissional na rede de concessionárias
Cerca de 1.400 funcionários do Grupo Cometa precisam cumprir uma rotina incomum para receber a Participação nos Lucros e Resultados: ler 12 obras literárias por ano e entregar os resumos ao setor de recursos humanos. A rede de concessionárias fatura R$ 1,6 bilhão anualmente e adota a prática há cerca de duas décadas.
O cumprimento da exigência educacional e das metas financeiras rende até dois salários adicionais aos colaboradores. A regra estabelece a leitura de um livro por mês com pelo menos 200 páginas, somando no mínimo 2.400 páginas ao final do ciclo anual. O valor do bônus varia conforme o desempenho comercial da empresa.
As lojas contam com bibliotecas que reúnem mais de 11 mil volumes físicos e digitais. A companhia destina cerca de R$ 65 mil anuais para manter o acervo. Diante do avanço tecnológico recente, a organização passou a usar um software específico para verificar se os resumos foram produzidos pelo ChatGPT.
O incentivo integra a estratégia de recrutamento interno. O fundador Francis Maris Cruz afirma que “essa base da leitura ajudou muito os nossos líderes a se formarem e crescerem”. A política corporativa prioriza promoções internas e recorre ao mercado apenas quando não encontra candidatos qualificados nos quadros próprios.
Essa diretriz levou Cristinei Rodrigues Melo de contínuo na adolescência ao posto de presidente executivo, somando 35 anos de trajetória. Outros diretores também iniciaram em funções básicas, como a venda de consórcios de porta em porta, até assumirem operações regionais.
Atuação geográfica e modelo de negócios
A administração central funciona em Cáceres, no Mato Grosso, e emprega 78 robôs de software para processar cadastros e pagamentos. O grupo cobre 356 municípios distribuídos por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Amazonas e Pará. A rede opera 25 concessionárias e postos com apoio mecânico, comercializando anualmente mais de 40.440 motos Honda e 2.640 automóveis Hyundai e Volkswagen.
O empreendimento teve início em 1973, com a Auto Peças Cometa em Mirassol D’Oeste, após a família enfrentar dificuldades e gerenciar um bar sem água encanada. Na época, Francis negociava com indústrias em orelhões públicos na capital paulista. “Eu não tinha experiência, não tinha crédito, não tinha capital, não tinha fornecedores”, relatou o fundador.
A operação avançou para o mercado de motos nos anos 1980 e alcançou regiões remotas, como São Gabriel da Cachoeira. Atualmente, o grupo atua na genética de gado Nelore e opera a loja franca Pantanal Free Shop, com aporte de R$ 10 milhões. A expansão prevê novas lojas de seminovos, concessionárias e o crescimento da Box 73. Diretores e gerentes participam de disputas internas com bônus financeiros e viagens para quem bate as metas.