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Encanador autônomo: “Se me oferecessem hoje um emprego de R$ 25 mil por mês, eu não aceitaria”
Após anos de estresse corporativo, profissional assume negócio de família e prioriza autonomia ao abrir mão de altos ganhos por qualidade de vida
José Navarro, de 39 anos e morador de Bétera, em Valência, trocou uma carreira de 14 anos no setor de aluguel e venda de veículos pelo trabalho de encanador autônomo. A decisão ocorreu para assumir o negócio da família após a aposentadoria do pai e garantir o controle do próprio tempo.
No antigo emprego corporativo, Navarro dispunha de carro da empresa, combustível coberto e ganhos elevados. O teto mensal alcançado por comissões e incentivos chegou a 4.300 euros, com média de cerca de 2.000 euros por mês.
A cobrança frequente por metas gerou um desgaste psicológico insustentável. Em relato concedido ao podcast “Sector Oficios”, ele destacou que as exigências aumentavam a cada mês, tornando o cotidiano corporativo desgastante.
Transição de carreira e novos rumos
A busca por alternativas incluiu um passo prévio antes da mudança definitiva. Navarro solicitou uma licença no setor comercial para atuar como encanador em uma empresa terceirizada de seguradoras, com a promessa de receber 2.000 euros mensais.
A tentativa durou apenas três semanas: crises de ansiedade provocadas pelas complicações do trabalho fizeram o profissional desistir temporariamente da função.
Durante o período de confinamento gerado pela covid-19, ele obteve o certificado profissional de encanamento para adquirir a formação teórica pendente. Com a capacitação concluída, passou a atender a carteira de clientes deixada pelo pai.
Critérios de trabalho e rotina autônoma
Após mais de dois anos atuando por conta própria, o encanador rejeita qualquer possibilidade de voltar a ser assalariado, mesmo diante de propostas financeiras atrativas. O profissional declarou que não aceitaria um emprego com remuneração de 4.000 euros mensais.
A preferência pela rotina atual não envolve cálculo estritamente financeiro. Navarro explicou que os rendimentos podem oscilar, mas a autonomia de definir se trabalha até as nove da noite ou se tira a sexta-feira de folga é inegociável.
Essa liberdade refletiu-se em uma política comercial rígida. Navarro aprendeu a impor limites diante das demandas habituais do mercado: caso um cliente solicite redução de preços, o serviço é prontamente recusado.
O encanador também não presta serviços para administradoras de condomínios e seguradoras que impõem prazos de cobrança de 30, 60 ou 90 dias. A atuação prioriza chamados com pagamentos imediatos de 40, 50 ou 100 euros em vez de abrir mão do valor do próprio trabalho.