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Mãe de Miguel se forma em Direito seis anos após tragédia: a homenagem inesperada que emocionou a todos na cerimônia
Ela entrou no salão segurando a foto do filho; o telão principal também foi substituído por registros da criança em um momento de superação
Mirtes Renata, mãe de Miguel, se formou em direito no último sábado (29/8), em Recife. A cerimônia foi marcada por homenagens ao filho, que morreu há seis anos ao cair de um prédio de luxo na capital pernambucana.
Durante o evento, a nova bacharela entrou no salão com uma imagem da criança. A foto dela no telão principal também foi substituída por registros do garoto.
Homenagem emocionante durante a cerimônia
Ao som de “Maria, Maria”, de Milton Nascimento, Mirtes desceu as escadas da casa de festas com sua mãe, irmã e amigas. Ela explicou que o momento era a realização de um sonho que projetava para o filho. Em entrevista à TV Globo, a formanda disse que planejava descer as escadas com ele.
“No momento, eu decidi: meu filho vai estar comigo. Então, levei a foto. E no telão, era para ser minha foto, mas eu pedi que fosse do meu filho”, afirmou Mirtes ao descrever a emoção.

Direito como ferramenta de busca por justiça
Mirtes, que trabalha como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), concluiu a graduação em junho. Seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre escravidão contemporânea recebeu nota máxima.
Ela ingressou na faculdade em 2021, motivada pela necessidade de entender os trâmites jurídicos do processo sobre a morte do filho. Mirtes relatou que a jornada acadêmica foi marcada por dor e desafios.
“Muitas vezes eu pensei que não iria conseguir chegar até essa data, mas Miguel sempre foi o propósito dessa caminhada”, declarou a bacharela.
Relembre a tragédia e o andamento do processo
O caso aconteceu em 2 de junho de 2020, quando Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, caiu do 9º andar de um condomínio em São José. A mãe, Mirtes, havia saído para passear com o cachorro dos patrões e deixou o filho sob os cuidados de Sari Corte Real. Imagens mostraram Sari deixando o menino sozinho no elevador e apertando um botão para andares superiores.
Sari foi condenada por abandono de incapaz com resultado morte. A pena caiu de oito anos e seis meses para sete anos em 2023, mas ela segue em liberdade. O caso também gerou uma disputa trabalhista, na qual Sari e o marido foram condenados a pagar R$ 1 milhão por danos morais coletivos e uso de verba pública. A decisão está suspensa desde 2024.