O significado do provérbio alemão "quem descansa, enferruja" e por que ele vale para o corpo e a cabeça depois dos 60 - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

O significado do provérbio alemão “quem descansa, enferruja” e por que ele vale para o corpo e a cabeça depois dos 60

Registrado no dicionário Duden, o ditado rima descansar com enferrujar e encontra eco em dados da OMS sobre movimento, memória e autonomia na velhice

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Wer rastet, der rostet: quem deixa de usar uma capacidade acaba perdendo a habilidade de exercê-la
Wer rastet, der rostet: quem deixa de usar uma capacidade acaba perdendo a habilidade de exercê-la - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Tem ditado que atravessa fronteiras porque fala de algo que todo mundo sente no corpo. O provérbio alemão Wer rastet, der rostet, algo como “quem descansa, enferruja”, resume uma ideia simples: o que a gente deixa de usar, perde. Depois dos 60, a frase ganha peso extra. Estudos e diretrizes de saúde mostram que movimento e desafio mental ajudam a manter autonomia, memória e disposição por mais tempo.

O que quer dizer o ditado alemão Wer rastet, der rostet?

O ditado quer dizer que quem deixa de praticar uma habilidade acaba perdendo a capacidade de fazê-la. Essa é a explicação registrada pelo dicionário Duden, no verbete do verbo rasten, referência da língua alemã. O verbo significa descansar ou fazer uma pausa.

O charme do Wer rastet, der rostet está no jogo de palavras. Rasten e rosten, que quer dizer enferrujar, têm som quase igual, e a rima ajuda a frase a grudar na memória. A imagem é a de uma ferramenta esquecida no quintal: sem uso, ela trava e perde a serventia.

Na prática, o provérbio alemão não condena o descanso. A pausa faz parte da vida, inclusive para o corpo se recuperar. O alerta é contra a parada que vira hábito, aquela que vai tirando, aos poucos, força, agilidade e vontade.

Por que a atividade física pesa tanto depois dos 60 anos?

Porque o movimento regular protege justamente as capacidades que mais fazem falta na velhice. A Organização Mundial da Saúde (OMS) lista benefícios da atividade física para adultos e idosos. Entre eles estão menos risco de pressão alta, diabetes tipo 2 e quedas, além de melhor saúde mental, cognitiva e do sono.

Qualquer movimento conta: segundo a OMS, um pouco de atividade é melhor que nenhuma e exercícios de força beneficiam todas as idades
Qualquer movimento conta: segundo a OMS, um pouco de atividade é melhor que nenhuma e exercícios de força beneficiam todas as idades – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O problema é que a ferrugem avança com a idade. Segundo a OMS, cerca de 31% dos adultos no mundo não alcançam os 150 minutos semanais de atividade moderada recomendados. A entidade aponta ainda que a inatividade aumenta depois dos 60, entre homens e mulheres.

A boa notícia é que o primeiro passo não precisa ser grande. A própria OMS reforça três ideias que ajudam quem quer seguir o provérbio alemão:

  • Qualquer movimento conta: um pouco de atividade é melhor do que nenhuma.
  • Menos tempo sentado: pessoas de todas as idades devem limitar o período parado.
  • Força importa: exercícios de fortalecimento muscular beneficiam todo mundo.

Para o carioca, uma caminhada no calçadão ou na praça do bairro já tira o corpo da inércia. O segredo está na regularidade, não no esforço de um dia só.

A passagem do tempo também mexe com a forma como enxergamos cada fase da vida. Essa reflexão aparece em outra matéria do site:

Como a estimulação cognitiva ajuda a cabeça a não enferrujar?

A estimulação cognitiva mantém o cérebro em uso, e a ciência associa uma vida ativa a menor risco de demência. O relatório de 2024 da Comissão Lancet sobre demência saiu no periódico The Lancet. Segundo o resumo da Alzheimer Europe, 45% dos casos futuros poderiam, em tese, ser evitados se 14 fatores de risco fossem eliminados.

Atividades físicas, sociais e cognitivas ajudam a reduzir fatores de risco para demência, como inatividade e isolamento
Atividades físicas, sociais e cognitivas ajudam a reduzir fatores de risco para demência, como inatividade e isolamento – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Entre esses fatores estão a inatividade física, a baixa escolaridade e o isolamento social. Por isso, a comissão recomenda participar de atividades físicas, sociais e cognitivas, um tripé que conversa direto com o velho ditado alemão.

Ler, aprender um instrumento, fazer palavras cruzadas, frequentar um curso ou entrar num grupo de dança são formas de manter a mente ativa. Escolher algo prazeroso ajuda a manter a constância. Fazer junto com outras pessoas ainda combate o isolamento, outro fator da lista. Essa soma de corpo, mente e convivência é o que muita gente chama de envelhecimento ativo.

Como levar o provérbio alemão para a rotina depois dos 60?

O jeito mais seguro é começar devagar e manter a constância, sem transformar o conselho em cobrança. Levar o provérbio alemão a sério não exige maratona. O envelhecimento ativo pode começar com uma caminhada diária, um alongamento em casa e um livro na cabeceira, porque atividade física e estimulação cognitiva caminham juntas.

Quem tem doença crônica, sente dor ou ficou muito tempo parado deve conversar antes com um médico ou um profissional de educação física. Eles ajudam a ajustar a intensidade e o tipo de exercício. Que tal escolher hoje uma atividade para o corpo e outra para a cabeça? Experimente por um mês e repare como a sua semana fica diferente.

E já que o assunto é sabedoria popular, outro ditado da Alemanha usa cercas, cachorros e cavalos para falar do tempo de vida. Ele está nesta outra matéria do site: