Oliver Sacks, neurologista britânico, sobre a vida, escrito pouco antes de morrer: "Acima de tudo, fui um ser que sente e pensa, neste lindo planeta, e isso por si só foi um enorme privilégio e uma aventura." Uma reflexão sobre gratidão - Super Rádio Tupi
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Oliver Sacks, neurologista britânico, sobre a vida, escrito pouco antes de morrer: “Acima de tudo, fui um ser que sente e pensa, neste lindo planeta, e isso por si só foi um enorme privilégio e uma aventura.” Uma reflexão sobre gratidão

Ensaio escrito por Oliver Sacks dias após o diagnóstico de câncer, em 2015, entrou no livro Gratidão e virou referência sobre como encarar o fim da vida

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Oliver Sacks escreveu em 2015, após o diagnóstico de câncer, que ser um ser que sente e pensa já foi um enorme privilégio
Oliver Sacks escreveu em 2015, após o diagnóstico de câncer, que ser um ser que sente e pensa já foi um enorme privilégio - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Poucos dias depois de saber que o câncer tinha se espalhado, o neurologista britânico Oliver Sacks sentou para escrever uma despedida. O ensaio, publicado em 2015, resume mais de oito décadas numa ideia simples: ter sido um ser que sente e pensa, neste lindo planeta, já foi um enorme privilégio e uma aventura. A frase virou referência para quem procura falar de gratidão sem cair em fórmula pronta.

Em que texto Oliver Sacks escreveu a frase sobre o privilégio?

A frase está no ensaio “My Own Life” (“Minha própria vida”), escrito logo depois de um diagnóstico recebido em janeiro de 2015. Segundo o anúncio do livro Gratitude feito pela Fundação Oliver Sacks, um melanoma uveal, tipo raro de câncer no olho, tinha chegado ao fígado. O texto saiu no The New York Times e se espalhou rapidamente pela internet.

No original em inglês, o médico diz que foi, acima de tudo, “a sentient being, a thinking animal”: um ser senciente, um animal pensante. A versão que circula em português junta essas ideias na frase do título. O sentido continua o mesmo: existir, perceber e pensar já bastava como recompensa.

O ensaio My Own Life foi escrito logo após o diagnóstico de melanoma uveal que se espalhou para o fígado e publicado no The New York Times
O ensaio My Own Life foi escrito logo após o diagnóstico de melanoma uveal que se espalhou para o fígado e publicado no The New York Times – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Quem foi o neurologista que saiu do Reino Unido para Nova York?

Oliver Sacks nasceu em Londres, no Reino Unido, em 1933, filho de uma cirurgiã e de um clínico geral. Pela biografia oficial publicada pela Fundação Oliver Sacks, ele se formou em medicina em Oxford, fez residência na Califórnia e se mudou para Nova York em 1965. Foi lá que construiu a carreira na neurologia.

A fama veio do jeito de narrar casos clínicos como quem conta histórias de gente comum. Títulos como “Awakenings”, “The Man Who Mistook His Wife for a Hat” e “Musicophilia” levaram o funcionamento do cérebro a leitores que nunca tinham aberto um livro de medicina.

Outra reflexão de cientista sobre o peso que damos às coisas da vida já passou por aqui. Vale a leitura para comparar os dois olhares.

Por que a gratidão virou o centro dos últimos ensaios de Sacks?

Diante da morte anunciada, ele escolheu olhar para o que tinha recebido, e não para o que ia perder. No mesmo ensaio, escreveu que seu sentimento predominante era de gratidão, trecho destacado na página oficial do livro Gratitude.

Os ensaios finais de Sacks foram reunidos no livro Gratidão, lançado no Brasil pela Companhia das Letras
Os ensaios finais de Sacks foram reunidos no livro Gratidão, lançado no Brasil pela Companhia das Letras – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Os textos finais foram reunidos em Gratidão, lançado no Brasil pela Companhia das Letras, com tradução de Laura Teixeira Motta. São quatro ensaios: um sobre a chegada aos 80 anos, “My Own Life”, “My Periodic Table” e “Sabbath”, publicado duas semanas antes da morte. A resenha “O último Shabat de Oliver Sacks”, do Arquivo Maaravi, revista de estudos judaicos da UFMG, analisa esse fechamento.

A autobiografia “On the Move”, terminada semanas antes do diagnóstico, já fazia o balanço da trajetória. Os ensaios finais funcionam como um epílogo curto, escrito por alguém que sabia exatamente quanto tempo restava.

O que a reflexão de Oliver Sacks ensina sobre viver bem hoje?

Ensina que agradecer não exige uma vida perfeita, e sim atenção ao que ela teve de bom. O homem que passou décadas estudando como o cérebro percebe o mundo terminou valorizando justamente isso: a capacidade de perceber. A neurologia, para ele, sempre foi também uma forma de admirar a vida.

O britânico que trocou o Reino Unido por Nova York não escreveu manual de autoajuda. Deixou um testemunho honesto, sem negar o medo nem a tristeza. Que tal separar uns minutos hoje para pensar no que faz a sua própria aventura valer a pena?

Onde ler os ensaios de Oliver Sacks sobre gratidão e despedida?

Os ensaios estão no livro Gratidão, e algumas dúvidas sobre o autor e a obra aparecem com frequência. As respostas abaixo ajudam a situar o leitor antes de começar.

PERGUNTAS FREQUENTESFAQ

Quando e onde Oliver Sacks morreu?

Em agosto de 2015, aos 82 anos, em casa, no bairro de Greenwich Village, em Nova York, segundo o comunicado da Fundação Oliver Sacks.

Gratidão é a autobiografia de Sacks?

Não. É uma coletânea de quatro ensaios. A autobiografia dele é “On the Move”, também de 2015.

Para mudar de assunto, uma conversa sobre relacionamento longo também rendeu boas reflexões. A história está no site.

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