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Pode colocar plástico no micro-ondas? O que dizem os especialistas em segurança alimentar

Especialistas explicam os cuidados necessários e como saber se o recipiente é próprio para esse uso.

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Pode colocar plástico no micro-ondas? O que dizem os especialistas em segurança alimentar
Alguns detalhes práticos ajudam a diferenciar o que pode ir ao micro-ondas do que precisa ficar fora.

Quase todo mundo já jogou uma marmita de plástico no aparelho e apertou dois minutos sem pensar. Alguns potes saem intactos, outros amolecem, outros liberam cheiro estranho. A dúvida sobre o uso de plástico no micro-ondas é uma das mais frequentes nas cozinhas do país. E a resposta dos especialistas em segurança alimentar tem menos a ver com o material em si e mais com um pequeno símbolo impresso no fundo do recipiente.

Por que essa dúvida gera tanta discussão em grupo de família?

Basta abrir a geladeira depois do almoço para o cenário aparecer. Comida dentro do pote de sorvete reciclado, marmita do restaurante embalada em plástico fino, embalagem de queijo aberta guardada com resto de macarrão. Na hora de esquentar, ninguém para para ler etiqueta. Enfia direto no micro-ondas, aperta o botão e reza.

Enquanto isso, circulam mensagens no WhatsApp dizendo que todo plástico é perigoso, que solta veneno, que causa câncer. Outras vozes dizem que é bobagem, que sempre foi assim. A verdade fica no meio, e os órgãos oficiais de saúde alimentar têm posição clara sobre o assunto há décadas. Só que essa informação raramente chega ao consumidor comum.

Pode colocar plástico no micro-ondas? O que dizem os especialistas em segurança alimentar
Micro-ondas passam por vidro, cerâmica, papel e alguns tipos de plástico sem problema.

O que os órgãos de saúde alimentar realmente recomendam?

A Food and Drug Administration (FDA), agência americana equivalente à Anvisa brasileira, tem posição direta sobre o tema. Nem todo plástico pode ir ao micro-ondas. Apenas recipientes com o selo específico de microwave-safe, ou em português “seguro para micro-ondas”, estão liberados para o uso. Os demais devem ser evitados.

A explicação técnica é simples. Micro-ondas passam por vidro, cerâmica, papel e alguns tipos de plástico sem problema. Mas nem todo plástico suporta as temperaturas altas que o alimento atinge durante o aquecimento. Alguns recipientes derretem, deformam, ou liberam substâncias químicas no alimento. É por isso que o selo específico existe: ele garante que o material foi testado para resistir ao processo sem contaminar a comida.

Quais são os principais cuidados na hora de escolher o recipiente?

Não basta acreditar na marca ou no visual do pote. Alguns detalhes práticos ajudam a diferenciar o que pode ir ao micro-ondas do que precisa ficar fora. Os pontos principais são estes:

1
Procurar o selo microwave-safe Símbolo com ondas ou a inscrição em português no fundo do recipiente. Só ele garante segurança confirmada pelo fabricante.
2
Evitar potes reaproveitados Embalagens de sorvete, iogurte ou margarina foram feitas para armazenar alimentos frios, não para aquecer.
3
Não usar metais nem alumínio Papel-alumínio e recipientes metálicos refletem as micro-ondas, danificam o aparelho e podem causar faíscas.
4
Respeitar o tempo do fabricante Mesmo recipientes seguros têm limite de exposição ao calor, geralmente indicado no rótulo original.
5
Descartar recipientes deformados Se um pote derreteu ou mudou de forma antes, ele já não pode mais ser usado com segurança no micro-ondas.

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O micro-ondas contamina o alimento com radiação?

É o mito mais comum sobre o aparelho, e a resposta técnica é clara. Segundo a FDA, o forno de micro-ondas não deixa radiação no alimento. As micro-ondas emitidas pelo aparelho fazem as moléculas de água presentes na comida vibrarem rapidamente, e essa vibração gera calor. Quando o aparelho desliga, a emissão para. Nenhuma partícula fica no alimento nem no ambiente.

O que preocupa os especialistas não é a radiação do aparelho, é a possibilidade de o recipiente inadequado transferir substâncias químicas para a comida quando esquenta demais. Vale conferir os tipos mais comuns e como cada um se comporta:

Material Comportamento no micro-ondas Recomendação
Vidro refratário Sem tampa metálica Aguenta altas temperaturas sem alteração. Uso liberado
Cerâmica sem verniz metálico Louça comum Aquece o alimento com eficiência e segurança. Uso liberado
Plástico com selo microwave-safe Certificado pelo fabricante Suporta o aquecimento sem liberar substâncias. Uso liberado
Plástico comum ou reaproveitado Sem selo específico Pode derreter, deformar e transferir químicos. Evitar
Metal e alumínio Papel-alumínio, tampas Reflete as micro-ondas e pode gerar faíscas. Proibido

O aparelho em si é seguro para uso diário?

Segundo a FDA, os fornos de micro-ondas fabricados segundo as normas de segurança são seguros para o uso doméstico regular. Os modelos modernos têm sistemas de proteção que interrompem imediatamente a emissão quando a porta é aberta, o que impede exposição direta às micro-ondas durante o funcionamento. O aparelho só emite ondas com a porta fechada e trancada.

O que precisa de atenção é o estado da porta. Um micro-ondas com dobradiça quebrada, borracha de vedação rasgada ou porta que não fecha direito perde parte da proteção. Nesses casos, pequenas quantidades de radiação podem escapar durante o uso, e o aparelho deve ser levado para conserto ou substituído. É a única situação em que o próprio aparelho vira preocupação real de saúde, e ela é facilmente evitada com a manutenção adequada.

💡 Curiosidade O forno de micro-ondas foi inventado por acaso em 1945 pelo engenheiro americano Percy Spencer, que percebeu que uma barra de chocolate no bolso derreteu enquanto ele trabalhava perto de um equipamento de radar durante a Segunda Guerra Mundial. O primeiro modelo comercial custava o equivalente a mais de 60 mil reais atuais e pesava quase 340 quilos.