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Quase 500 anos de história aparecem nas 20 igrejas barrocas e nos 1.500 casarões preservados desta cidade histórica de Pernambuco
Entre 20 igrejas barrocas e 1.500 casarões.
As ladeiras de pedra, os casarões coloridos e o cheiro de comida típica fazem de Olinda uma das cidades históricas mais marcantes do Brasil. Reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1982, a cidade pernambucana surgiu em 1535 e mantém um centro histórico de 1,2 km², com cerca de 1.500 imóveis, mais de 20 igrejas barrocas e uma vida cultural movimentada durante todo o ano.
Como o passado colonial moldou o centro histórico de Olinda?
A formação de Olinda está ligada à antiga Capitania de Pernambuco e à riqueza gerada pela produção de açúcar. Em 1630, a cidade foi saqueada e incendiada pelos holandeses, e sua reconstrução após a expulsão dos invasores ajudou a consolidar o conjunto arquitetônico barroco preservado atualmente. O desenho urbano mantém características do modelo português medieval, com igrejas posicionadas nos pontos mais altos, sobrados acompanhando as encostas e áreas verdes nos quintais, onde aparecem mangueiras, jaqueiras e coqueiros.
O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1968. Quatorze anos depois, em 1982, a UNESCO concedeu à cidade o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, reconhecendo a combinação entre construções históricas, vegetação tropical e a paisagem litorânea.

Quais lugares conhecer no centro histórico e nos arredores?
Percorrer Olinda caminhando é a melhor forma de encontrar suas principais atrações, mas as ladeiras de pedra exigem calçados confortáveis. A maior parte dos pontos turísticos está concentrada na Cidade Alta.
- Alto da Sé: localizado no ponto mais elevado do centro histórico, oferece vista panorâmica de Olinda e dos edifícios do Recife ao fundo. O local também concentra a feirinha de artesanato e as tradicionais barracas de tapioca.
- Catedral da Sé: teve sua primeira construção feita em taipa por determinação de Duarte Coelho, fundador da cidade. O edifício atual é do século XVII e também funciona como mirante natural.
- Mosteiro de São Bento: guarda um altar revestido de ouro, considerado um dos grandes exemplos do barroco brasileiro. Aos domingos, são realizadas missas com canto gregoriano.
- Convento de São Francisco: primeiro convento franciscano construído no Brasil, possui azulejos portugueses com cenas bíblicas e uma capela dourada.
- Museu do Mamulengo: reúne mais de mil bonecos ligados ao teatro popular nordestino, tradição reconhecida como patrimônio imaterial.
- Ateliês da Cidade Alta: dezenas de artistas recebem visitantes em seus espaços, onde são produzidas pinturas, esculturas e gravuras inspiradas no barroco e na cultura popular.
Quais pratos são tradicionais em Olinda?
Entre os sabores mais associados à cidade está a tapioca do Alto da Sé, preparada com goma de mandioca sobre fogo de carvão e recheada com carne de sol, queijo coalho ou coco com leite condensado. As barracas que vendem a iguaria ocupam os mesmos pontos há décadas. Outra presença frequente nos cardápios é a cartola, sobremesa feita com banana frita, queijo e canela.
Nos pratos salgados, os frutos do mar aparecem como protagonistas da culinária local. A caldeirada pernambucana, a peixada acompanhada de pirão e o camarão na moranga fazem parte das opções encontradas nos restaurantes do sítio histórico. Entre os doces, o bolo de rolo, preparado com camadas finas de massa e goiabada, é o mais tradicional da região. Para beber, as opções incluem caldo de cana gelado e caipirinha preparada com cachaça artesanal.
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Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
Olinda tem clima tropical com temperaturas altas o ano inteiro. A principal variação fica por conta das chuvas, concentradas entre março e agosto.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Olinda?
O Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife, fica a cerca de 15 km do centro histórico. O trajeto de carro ou transporte por aplicativo leva aproximadamente 30 minutos. De Recife, Olinda pode ser alcançada também por ônibus ou a pé, pela orla, já que as duas cidades são praticamente coladas. Dentro do sítio histórico, o deslocamento é feito exclusivamente a pé.
Uma cidade que se vive de chinelo e com os olhos abertos
Olinda entrega em cada ladeira uma camada diferente de história, cor e sabor. Poucas cidades brasileiras combinam patrimônio colonial tão preservado com uma cena artística e gastronômica tão viva a ponto de funcionar como museu e mercado ao mesmo tempo.
Você precisa subir até o Alto da Sé no fim da tarde, provar uma tapioca enquanto o sol desce atrás dos coqueiros e entender por que essa cidade de 1535 continua encantando quem a encontra.