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A 1.500 metros de profundidade, pesquisadores encontram vulcão submarino coberto por milhares de ovos gigantes de arraia que podem chegar a 50 centímetros
Vulcão submarino a 1.500 metros abriga milhares de ovos gigantes de raia
A 1.500 metros de profundidade, pesquisadores encontraram um vulcão submarino coberto por milhares de ovos gigantes de raia. O local, perto da costa do Canadá, era considerado frio e pouco favorável à vida, até que expedições revelaram água quente saindo por fendas, jardins de corais e um enorme campo de cápsulas de ovos. A descoberta mostra como animais da vida profunda podem usar o calor natural da Terra como uma espécie de incubadora.
Onde fica esse vulcão submarino cheio de ovos?
O achado foi feito em um monte submarino vulcânico próximo à costa de Vancouver Island, no Pacífico canadense. A estrutura se eleva cerca de 1.100 metros acima do fundo ao redor, mas seu topo ainda fica aproximadamente 1.500 metros abaixo da superfície do mar.
Durante muito tempo, o vulcão foi tratado como uma formação antiga e sem atividade relevante. Porém, as expedições mostraram que ele libera água quente e rica em minerais por fendas no topo, criando um ambiente muito diferente do que se esperava para aquela profundidade.
Que ovos gigantes foram encontrados no fundo do mar?
As cápsulas pertencem à raia-branca-do-Pacífico, conhecida cientificamente como Bathyraja spinosissima. Esses animais são parentes dos tubarões e vivem em grandes profundidades, normalmente entre 800 e 2.900 metros abaixo da superfície.
As cápsulas chamam atenção pelo tamanho. Elas podem ter cerca de 45 a 50 centímetros de largura e lembram grandes bolsas coriáceas presas ao fundo do mar. Em inglês, esse tipo de cápsula costuma ser chamado de “bolsa de sereia”.

Por que esses ovos foram colocados perto do calor vulcânico?
A principal hipótese é que as fêmeas escolham a região por causa do calor. Em águas profundas, onde a temperatura é muito baixa, o desenvolvimento dos embriões pode ser extremamente lento. No caso dessa espécie, estimativas indicam que os filhotes podem levar até quatro anos para sair do ovo.
O calor liberado pelo vulcão pode encurtar esse período e aumentar as chances de sobrevivência. Em vez de deixar os ovos em uma área gelada, as raias parecem usar a energia geotérmica como uma incubadora natural, mantendo as cápsulas em pontos um pouco mais quentes.
Como as “bolsas de sereia” protegem os filhotes?
As cápsulas de ovos das raias são estruturas resistentes, feitas para proteger o embrião durante um longo período. Elas ficam presas ao fundo por prolongamentos nas extremidades, reduzindo o risco de serem levadas pela correnteza.
Essa proteção é importante porque o filhote passa muito tempo dentro do ovo. Durante esse período, a cápsula precisa resistir a ameaças como:
- Predadores que podem atacar ovos expostos no fundo do mar;
- Correntes capazes de deslocar cápsulas mal fixadas;
- Sedimentos que podem cobrir áreas de incubação;
- Temperaturas muito baixas que atrasam o desenvolvimento;
- Alterações no ambiente profundo causadas por atividades humanas.

Por que o local também surpreendeu pelos corais?
Além dos ovos gigantes, os pesquisadores encontraram jardins de corais no topo do vulcão submarino. Essa presença indica que o local não é apenas uma área de postura, mas um ecossistema profundo, mais rico do que se imaginava.
O ambiente pode beneficiar os filhotes depois do nascimento. O topo do monte submarino, com corais, relevo irregular e circulação de água, oferece abrigo e alimento antes que os jovens se desloquem para regiões mais profundas. O vulcão funciona como berçário, refúgio e ponto de vida em meio à escuridão.
O que a descoberta revela sobre a vida profunda?
A descoberta mostra que a vida no fundo do mar pode ser muito mais estratégica do que parece. Em um ambiente frio, escuro e sob pressão extrema, as raias encontraram uma forma de usar o calor do planeta para proteger a próxima geração.
O achado também reforça a importância de proteger montes submarinos e fontes hidrotermais. Espécies com reprodução lenta, ovos que levam anos para se desenvolver e maturidade tardia podem demorar muito para se recuperar se áreas de berçário forem destruídas por pesca de fundo, mineração submarina ou outras intervenções.