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Em 1984, um astronauta se afastou 98 metros do ônibus espacial sem nenhum cabo e literalmente se tornou um “satélite humano”

A foto parece mostrar um astronauta à deriva, mas um equipamento nas costas permite controlar seu voo a 98 metros da nave

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Em 1984, um astronauta se afastou 98 metros do ônibus espacial sem nenhum cabo e literalmente se tornou um “satélite humano”
A mochila propulsora MMU utilizava jatos de nitrogênio para permitir que o astronauta controlasse seus movimentos

Em fevereiro de 1984, uma das imagens mais impressionantes da exploração espacial foi registrada acima da Terra. O astronauta Bruce McCandless II deixou o compartimento de carga do ônibus espacial Challenger e avançou livremente pelo espaço sem qualquer cabo ligando seu traje à nave. Equipado com uma mochila propulsora experimental, ele chegou a aproximadamente 98 metros de distância e demonstrou que um astronauta poderia controlar sozinho seus movimentos em órbita.

Quem foi o astronauta que se afastou quase 100 metros da nave?

Bruce McCandless II era especialista de missão da STS-41B, realizada pelo ônibus espacial Challenger em fevereiro de 1984. Em 7 de fevereiro, durante uma atividade extraveicular, ele se tornou o primeiro astronauta a realizar um voo livre no espaço sem os cabos de segurança utilizados nas caminhadas espaciais anteriores.

Durante o teste, McCandless chegou a 97,54 metros do ônibus espacial, valor normalmente arredondado para 98 metros. A cena produziu a famosa fotografia em que seu corpo parece minúsculo diante da Terra, sem qualquer estrutura visível conectando-o à nave.

Como ele conseguiu se movimentar sem nenhum cabo?

O segredo estava na Manned Maneuvering Unit, conhecida pela sigla MMU. O equipamento era uma grande mochila propulsora instalada nas costas do traje espacial. Em vez de depender de uma estrutura externa, o astronauta utilizava controles manuais para acionar pequenos jatos de nitrogênio comprimido.

Esses propulsores permitiam controlar diferentes movimentos:

  • Avançar e recuar em relação ao ônibus espacial;
  • Subir ou descer em relação ao ponto de referência;
  • Girar o corpo em diferentes direções;
  • Interromper o deslocamento com pequenos impulsos contrários;
  • Retornar ao compartimento de carga usando apenas a própria unidade.
Em 1984, um astronauta se afastou 98 metros do ônibus espacial sem nenhum cabo e literalmente se tornou um “satélite humano”
A mochila propulsora MMU utilizava jatos de nitrogênio para permitir que o astronauta controlasse seus movimentos

Por que a experiência parecia transformar McCandless em um “satélite humano”?

A expressão é uma comparação, mas descreve bem a imagem daquele momento. Sem um cabo físico prendendo-o ao Challenger, McCandless estava em voo livre enquanto continuava se deslocando ao redor da Terra com praticamente a mesma velocidade orbital da nave. A MMU permitia pequenas alterações de posição em relação ao ônibus espacial.

Isso não significa que ele tivesse sido lançado sozinho em uma nova órbita distante. McCandless permanecia próximo ao Challenger e executava uma demonstração cuidadosamente planejada. Ainda assim, olhando da cabine, havia pela primeira vez um ser humano flutuando a dezenas de metros longe da nave, sem qualquer ligação física visível.

O teste era apenas uma demonstração ou tinha uma função prática?

A NASA tinha objetivos muito concretos para a tecnologia. A possibilidade de um astronauta se deslocar livremente permitiria alcançar equipamentos que não estivessem imediatamente ao lado do ônibus espacial e poderia facilitar trabalhos envolvendo satélites.

Entre as aplicações estudadas estavam:

  • Aproximar-se de satélites em órbita;
  • Auxiliar na recuperação de equipamentos espaciais;
  • Realizar inspeções longe do compartimento de carga;
  • Transportar ferramentas até áreas de difícil acesso;
  • Testar procedimentos para futuras missões de reparo.
Em 1984, um astronauta se afastou 98 metros do ônibus espacial sem nenhum cabo e literalmente se tornou um “satélite humano”
A mochila propulsora MMU utilizava jatos de nitrogênio para permitir que o astronauta controlasse seus movimentos

Bruce McCandless foi o único a voar livremente naquela missão?

Não. O astronauta Robert L. Stewart também utilizou a MMU durante a missão STS-41B. Os dois realizaram as primeiras caminhadas espaciais sem cabos, inaugurando uma capacidade que a NASA voltou a utilizar em outras missões do ônibus espacial naquele mesmo ano.

A própria STS-41B durou de 3 a 11 de fevereiro de 1984 e também marcou o primeiro pouso de um ônibus espacial no Kennedy Space Center após uma missão orbital. Mas foram as imagens dos astronautas flutuando livremente que se tornaram o registro mais reconhecível daquele voo.

Por que a fotografia de 1984 continua tão impressionante?

Décadas de caminhadas espaciais tornaram comum ver astronautas trabalhando do lado de fora de uma estação ou nave, mas quase sempre existe algum sistema de conexão ou segurança evidente. A fotografia de McCandless elimina essa referência. Entre o astronauta e a superfície azul da Terra parece existir apenas o vazio.

Na realidade, aquele momento era resultado de anos de desenvolvimento, treinamento e cálculos precisos. Bruce McCandless não estava simplesmente à deriva: controlava uma mochila movida a nitrogênio enquanto permanecia em órbita junto ao Challenger. Mesmo assim, os quase 98 metros de separação foram suficientes para criar uma das cenas que melhor representam a dimensão do espaço e a vulnerabilidade de uma pessoa diante dele.