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Governo anuncia salário mínimo de 1.286, e o seguro-desemprego muda em 2027
Rascunho do decreto prevê alta de 65 euros e eleva para 964,50 euros o teto de renda exigido de quem pede subsídio ao SEPE
A Espanha vai mexer no bolso de quem trabalha e de quem está sem emprego. O Ministério do Trabalho e Economia Social colocou em consulta pública o rascunho do decreto que eleva o salário mínimo para 1.286 euros mensais em 2027. A mudança respinga no subsídio pago pelo SEPE, o serviço público de emprego espanhol. Para os muitos brasileiros que vivem por lá, inclusive cariocas e fluminenses, entender a conta ajuda a planejar o próximo ano.
Quanto vale o salário mínimo proposto pela Espanha para 2027?
O valor proposto é de 1.286 euros brutos por mês, pagos em 14 parcelas, com efeito a partir de 1º de janeiro de 2027. Hoje, o piso espanhol é de 1.221 euros mensais, fixado pelo Real Decreto 126/2026, publicado no Boletim Oficial do Estado em fevereiro.
Na prática, são 65 euros a mais por mês, uma alta de cerca de 5,3%. Somadas as 14 parcelas, o total anual passa de 17.094 para 18.004 euros. O texto ainda não é definitivo: o rascunho recebe contribuições no portal de participação pública do Ministério do Trabalho e Economia Social até 16 de novembro.
A tabela abaixo compara o valor em vigor com o proposto. Os números de 2027 só valem depois da aprovação final do decreto pelo governo espanhol.
| Item | 2026 (em vigor) | 2027 (proposta) |
|---|---|---|
| Mensal (14 parcelas) | 1.221 | 1.286 |
| Total anual | 17.094 | 18.004 |
| Teto de renda do subsídio (75%) | 915,75 | 964,50 |
Os valores de 2026 estão no decreto oficial, e os de 2027 seguem a proposta em consulta. O teto de renda resulta da regra de 75% do salário mínimo aplicada pelo serviço público de emprego.
Por que o teto de renda do subsídio do SEPE sobe em 2027?
O teto sobe porque o subsídio por desemprego espanhol é amarrado ao salário mínimo. Pela regra de carência de rendas do SEPE, só tem direito quem ganha até 75% do piso, sem contar a parte proporcional das duas pagas extras.

Com o piso atual, esse limite fica em 915,75 euros por mês. Se os 1.286 euros forem confirmados, a régua vai para 964,50 euros, quase 49 euros a mais. Quem estava um pouco acima da linha pode passar a cumprir o requisito.
A checagem acontece no pedido inicial, na prorrogação e na retomada do benefício, sempre olhando a renda do mês anterior. Por isso, o novo limite interessa também a quem já recebe e vai renovar o subsídio no ano que vem.
A vida de quem trabalha na Espanha vai além do piso salarial. Uma eletricista que trocou o emprego fixo pelo trabalho autônomo no país contou como a renda mudou.
O que entra na conta de renda dos desempregados espanhóis?
Entra na conta praticamente todo dinheiro que chega à casa. O órgão soma salário bruto, aluguéis, rendimentos de aplicações, lucro de atividade própria, pensões e outras prestações públicas ou privadas.

A renda dos familiares também pesa no cálculo. Até o patrimônio gera um rendimento presumido, calculado pelos juros legais, com exceção da moradia habitual. Ganhos patrimoniais e pensões alimentícias entram igualmente.
Algumas entradas de dinheiro, porém, ficam fora da soma. O próprio serviço público de emprego lista as principais exceções:
- a indenização legal por demissão, que só conta no valor que passar do mínimo previsto;
- os valores recebidos em cursos de formação ou estágios acadêmicos;
- os benefícios da Seguridade Social por filho a cargo;
- a renda do trabalho durante o complemento de apoio ao emprego, na hora de renovar ou retomar o subsídio.
O que o brasileiro que vive na Espanha deve acompanhar agora?
O primeiro passo é acompanhar a publicação do decreto definitivo no Boletim Oficial do Estado. Até lá, os 1.286 euros são uma proposta, e o teto de 964,50 euros só vale quando o novo piso entrar em vigor.
Quem recebe ou vai pedir o subsídio deve conferir a própria renda e a dos familiares antes de qualquer pedido. Tem parente ou amigo trabalhando na Espanha? Mande esta matéria para ele e ajude a fazer as contas de 2027 com calma.
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