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Trump não planeja apoiar Flávio Bolsonaro como líder do Brasil, diz agência
Senador viajou após ordem de Moraes; fontes revelam que governo americano não dará aval
O governo de Donald Trump não planeja reconhecer Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como líder legítimo do Brasil, segundo a agência de notícias Reuters. A informação foi confirmada na quinta-feira (29) por uma autoridade americana e por outra pessoa familiarizada com o assunto, ambas em anonimato. As fontes indicaram que Trump não tem, por ora, intenção de endossar as ambições políticas do senador, apesar de ter autorizado sua entrada nos Estados Unidos, embora possa rever essa posição.
Para a agência, a postura indica que Trump pode estar evitando abrir uma nova frente de tensão com o Brasil, após meses de relação instável entre os dois países.
Por que o capital político de Flávio diminuiu?
Uma terceira autoridade americana consultada pela Reuters avaliou que o autoexílio reduziu a influência política do senador. Muitos conservadores brasileiros que o viam como liderança da oposição nos próximos anos criticaram a saída do país.
Autoridades brasileiras, também em anonimato, disseram à Reuters que a fuga beneficia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao enfraquecer a oposição no Congresso. Lula foi reeleito no domingo (25) com vantagem de cerca de 3,5 pontos percentuais sobre Flávio, resultado acima do que as pesquisas indicavam.
Como foi a fuga do senador?
Segundo autoridades argentinas citadas pela agência, Flávio, a mulher e as duas filhas cruzaram uma ponte em direção ao norte da Argentina às 22h50 de terça-feira (27) e embarcaram em um avião fretado às 23h30, com destino a Miami via Equador.
Ainda não está claro como o senador percorreu os cerca de 1.300 km entre Brasília e a fronteira sem ser detectado pelas autoridades brasileiras. Durante o trajeto, ele manteve contato com integrantes do governo americano, segundo uma das fontes.
Jason Miller, assessor de Trump próximo à família Bolsonaro, ajudou a organizar o voo a partir da Argentina, conforme relatado também pelo New York Times. O secretário de Estado Marco Rubio recomendou a Trump que autorizasse a entrada do senador, e o presidente concordou.
Como Flávio entrou nos Estados Unidos?
Enquanto o avião ainda estava no ar, funcionários do Departamento de Estado e do Departamento de Segurança Interna discutiram a solução legal para receber a família. A saída foi conceder uma “parole humanitária” na fronteira, status temporário reservado a casos de questões humanitárias urgentes ou de interesse público relevante.
Por que Flávio deixou o Brasil?
O senador fugiu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou a entrega do passaporte dele, a pedido da Polícia Federal. Flávio é investigado por suspeita de participação em esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O pedido da PF foi feito minutos após a proclamação da vitória de Lula, o que alguns conservadores interpretaram como motivação política. Já apoiadores do governo lembram que, dias antes do pleito, o irmão do senador, Eduardo Bolsonaro, sugeriu publicamente que Flávio deveria deixar o país caso perdesse. Eduardo mora nos EUA e foi condenado pelo STF em junho por tentar obter interferência do governo Trump no julgamento do pai.
Na quarta-feira (28), Flávio publicou no X uma carta de teor golpista em que se autoproclamou “presidente eleito”. Depois apagou o texto e divulgou uma nova versão, apresentando-se como “líder” legítimo do Brasil.
O que Trump disse sobre a eleição?
Trump afirmou que o pleito brasileiro pareceu “manipulado”, sem apresentar provas, mas disse não ter apoiado nenhum candidato. Mesmo assim, poupou o vencedor. “Gosto do Lula, me dou muito bem com ele”, declarou o presidente americano a jornalistas na segunda-feira (26).
A Casa Branca direcionou o pedido de comentário da Reuters ao Departamento de Estado, que não respondeu. O governo brasileiro e a assessoria de Flávio também não se pronunciaram.