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Voluntários retiraram quase 100 mil ouriços-do-mar na Noruega e, onde havia “desertos submarinos”, florestas de algas e berçários de peixes começaram a voltar
Voluntários retiram quase 100 mil ouriços-do-mar e algas voltam na Noruega
Voluntários retiraram quase 100 mil ouriços-do-mar de áreas costeiras no norte da Noruega, e o resultado começou a aparecer debaixo d’água. Locais antes conhecidos como “desertos submarinos”, onde as algas praticamente desapareceram, passaram a mostrar sinais de recuperação. Com menos pressão dos ouriços, florestas de algas voltaram a crescer e berçários de peixes começaram a se formar novamente.
Por que os ouriços-do-mar viraram um problema na Noruega?
Ouriços-do-mar fazem parte dos ecossistemas marinhos, mas podem causar desequilíbrio quando aparecem em excesso. No norte da Noruega, grandes populações desses animais passaram décadas consumindo algas em ritmo tão intenso que vastas áreas do fundo marinho ficaram quase sem vegetação.
Essas áreas são chamadas de desertos submarinos porque perdem a complexidade das florestas de algas. Onde antes havia abrigo, alimento e sombra para diferentes espécies, sobra um fundo mais pobre, dominado por ouriços e com pouca vida visível.
O que os voluntários fizeram no fundo do mar?
O projeto reuniu mergulhadores, moradores e cientistas cidadãos para retirar manualmente ouriços-do-mar de áreas escolhidas. A ação aconteceu em três locais costeiros: Sørsjetéen, Telegrafbukta e Øksfjord. Desde abril de 2024, foram realizadas 23 ações de remoção.
A remoção não foi uma limpeza comum. O objetivo era reduzir a pressão sobre as algas jovens, dando tempo para que elas crescessem antes de serem comidas. Em ecossistemas muito degradados, essa primeira janela de recuperação pode fazer toda a diferença.

Como os desertos submarinos viram florestas de algas?
As florestas de algas conseguem se recuperar quando ainda existem condições adequadas de luz, substrato e água, mas precisam escapar do consumo constante dos ouriços. Ao reduzir a quantidade desses herbívoros em áreas específicas, os voluntários permitiram que novas algas se fixassem e crescessem.
Quando as algas voltam, o ambiente muda rapidamente. Elas criam uma estrutura tridimensional parecida com uma floresta, oferecendo abrigo para pequenos animais e peixes jovens. A recuperação pode trazer efeitos como:
- Retorno de algas grandes em áreas antes raspadas;
- Mais abrigo para peixes pequenos e crustáceos;
- Aumento da biodiversidade local;
- Maior retenção de carbono na biomassa marinha;
- Recuperação de áreas importantes para pesca e equilíbrio costeiro.
Por que as florestas de algas são tão importantes?
Florestas de algas estão entre os ambientes costeiros mais produtivos do planeta. Elas funcionam como berçários naturais, oferecendo proteção para peixes jovens, alimento para invertebrados e superfície para muitas espécies se fixarem. Sem elas, a cadeia alimentar perde uma base importante.
No caso da Noruega, esses ecossistemas também têm valor econômico e climático. As algas ajudam a sustentar biodiversidade, filtram nutrientes, capturam carbono e fortalecem a vida marinha costeira. Restaurar essas florestas não significa apenas trazer plantas de volta, mas reconstruir um habitat inteiro.

O projeto resolve o problema de forma definitiva?
A remoção de ouriços é uma etapa importante, mas não garante recuperação permanente sozinha. Se as populações de predadores naturais continuarem baixas ou se novos ouriços chegarem em grande quantidade, as áreas restauradas podem voltar a ser pastadas. Por isso, o monitoramento precisa continuar.
Os pesquisadores e voluntários observam se as algas conseguem se manter, se peixes retornam e se o ecossistema passa a se regular melhor. Algumas medidas ajudam nesse processo:
- Acompanhar a volta das algas ao longo das estações;
- Medir a presença de peixes jovens e outros animais;
- Evitar novas concentrações excessivas de ouriços;
- Proteger áreas restauradas de impactos humanos;
- Entender o papel de predadores naturais no equilíbrio do sistema.
Uma floresta que voltou a crescer debaixo d’água
A retirada de quase 100 mil ouriços-do-mar na Noruega mostra que a restauração marinha pode começar com ações locais e participação comunitária. O que parecia um fundo empobrecido, quase sem vegetação, começou a recuperar algas, abrigo e sinais de vida depois da redução da pressão dos ouriços.
O caso também lembra que desertos submarinos nem sempre são permanentes. Com ciência, voluntariado e acompanhamento, áreas degradadas podem voltar a funcionar como florestas vivas. Para os peixes jovens, as algas que retornam não são apenas vegetação, mas proteção, alimento e chance de recomeço no ecossistema costeiro.