Rio

Alerj debate ampliação do uso de GNV em veículos de transportes públicos no estado

Durante a audiência, foram apresentados resultados obtidos com o projeto Eco-GNV

Por Redação Tupi

Ônibus do Consórcio Intersul
Ônibus do Consórcio Intersul – Foto: Bruno Pires/Ônibus Brasil

Desafios para ampliar o uso de gás natural em veículos de transporte público, além de táxis e carros de aplicativos, foram debatidos durante audiência pública da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), realizada nesta segunda-feira (27).

Em pauta, possibilidades de adoção dos sistemas de Gás Natural Veicular (GNV) de última geração, com o propósito também de reduzir a produção dos gases de efeito estufa, em meio ao cenário de alta dos combustíveis.

“É muito importante esse avanço nas discussões sobre o uso do GNV rumo ao desenvolvimento econômico do nosso estado”, disse o presidente da Comissão de Transportes da Alerj, deputado Dionísio Lins (PP). Na abertura, a deputada estadual Enfermeira Rejane (PCdoB), vice-presidente da Comissão, lembrou que o Brasil é o 10º no mundo em produção de gás natural, sendo que o Estado do Rio é o maior produtor do país. Hoje, o GNV está presente em 20% da frota estadual, contra 3% do restante do país.

Assessor técnico na Subsecretaria de Mobilidade e Integração Modal da Secretaria de Estado de Transportes (Setrans), Álvaro González disse que o Governo quer avançar na maior participação do gás natural veicular, mas enfrenta dificuldades, como a infraestrutura dos postos de combustíveis e a velocidade do abastecimento.

“Os ônibus abastecem uma vez por dia e para usar o GNV em larga escala, são necessários equipamentos para pressão adequada e velocidade para abastecimento durante a noite, para que não tenham que voltar ao longo do dia ao posto, que fica na garagem das empresas”, disse ele.

De acordo com Gonzalez, é importante instalar pontos para abastecimento de GNV no trajeto dos ônibus ou em terminais rodoviários, facilitando principalmente para os que tenham linhas com extensão mais longa.

“Hoje, o custo de ônibus por GNV é maior. O cilindro (reservatório) de combustível precisa ficar mais leve e mais barato. Essas questões de infraestrutura e financiamento precisam ser estudadas”, disse o diretor, pontuando a importância de trabalhar em conjunto com o Poder Legislativo, fornecedores e órgãos públicos federais neste sentido.

Sergio Macedo, diretor de Conformidade no Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Rio de Janeiro (Ipem-RJ) – que representou o presidente Kennedy Martins -, explicou que o órgão promove o acompanhamento nos postos de combustíveis, principalmente no registro das empresas junto ao Inmetro, com relação à segurança nas operações com GNV.

Representando a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Érica Andrade Oliveira informou que a entidade tem participado de fóruns, junto com Departamento de Transportes dos EUA, visando à criação de mapas estratégicos para aumento no consumo de gás natural no Brasil. “O Estado do Rio também deverá em breve participar desses debates”, destacou.

Dispositivo promete reduzir emissões

Durante a audiência, foram apresentados resultados obtidos com o projeto Eco-GNV, realizado pelo Núcleo de Catálise do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Nucat/Coppe/UFRJ).

O químico Ayr Portilho, pesquisador do Nucat/Coppe/URJ, destacou os benefícios da nova tecnologia, desenvolvida em parceria com o Grupo Ecochama, fornecedor de projetos de GLP (gás de cozinha) para escolas públicas estaduais.

Segundo ele, após a realização de testes, foi comprovado que o novo equipamento ajusta a concentração de gás a ser queimado e, assim, produz a chamada ‘queima perfeita”, quando consegue eliminar a produção de monóxido de carbono e hidrocarbonetos. “O Eco-GNV traz benefício financeiro para motoristas de táxi e de aplicativos de transporte, mas quem vai adorar é o meio ambiente”, destacou.

Idealizador do projeto, Daniel da Silva Guimarães Filho, diretor técnico do Grupo Ecochama, disse que a empresa já conta com registro de patente do dispositivo de performance junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) e iniciou a comercialização.

“Fizemos uma parceria com o Sindicato dos Taxistas do Estado do Rio de Janeiro e iremos instalar em 2.700 táxis. Estaremos na página do sindicato para ser ofertado para os 27.000 táxis que circulam no estado”, disse ele.

O taxista Luiz Henrique Gonçalves Foli, um dos convidados pelo Sindicato dos Taxistas a fazer a experiência com o Eco-GNV, se disse satisfeito e até surpreso com os resultados.

“A princípio, a peça foi instalada há duas semanas, e está rendendo muito no meu carro em matéria de potência, que aumentou, e do consumo, que diminui. Antes fazia 200 km com um bujão de gás de 16 mm3, hoje chega a 240 km. Fiquei bem animado porque tenho um consumo alto de combustível. Creio que essa solução será bem vinda por outros colegas de praça”, disse ele.

O diretor de Conformidade do Ipem-RJ solicitou uma visita técnica à oficina onde é feita a instalação do Eco-GNV, a Bicar, em Madureira.

“É preciso verificar não só o desempenho, mas a segurança do equipamento”. Para a deputada Enfermeira Rejane, é necessário buscar alternativas diante da alta nos preços dos combustíveis. “Quanto mais o Rio desenvolver pesquisas e inovações que possam melhorar essa condição para nossa sociedade, melhor”, pontuou.

A audiência pública, realizada por videoconferência, contou também com a participação de Hugo Aguiar, representante da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais; do vereador de Duque de Caxias, Paulo Afonso; do diretor comercial da EcoGNV, Handerson Santos; do técnico da empresa, Danilo Melo D´Assumpção, e de Alexandre Cardoso Caldeira, da ANP, entre outros profissionais da área.

 



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