Rio
Cláudio Castro se diz “surpreendido” com operação da PF e defende gestão no Rio
Ex-governador do RJ Cláudio Castro teve casa vasculhada pela PF
Uma operação da Polícia Federal atingiu a residência do ex-governador fluminense Cláudio Castro, na Barra da Tijuca, nesta sexta-feira (15). A ação apura o envolvimento de Castro em um suposto esquema de fraude fiscal bilionária relacionado à refinaria.
Castro estava em casa com a família quando os agentes chegaram e, segundo o advogado Carlo Luchione, ele “colaborou com os policiais” durante o cumprimento dos mandados. A equipe da PF deixou o local após cerca de três horas, levando um aparelho celular e um tablet recolhidos para perícia.
A investigação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, é um desdobramento da ADPF das Favelas, que monitora a relação entre o crime organizado e agentes públicos. O objetivo é desarticular uma estrutura financeira usada “para ocultação patrimonial e evasão de recursos ao exterior”, conforme apontam as autoridades.

Defesa nega irregularidades em benefícios fiscais
Em nota oficial, a defesa de Castro afirmou que o ex-governador recebeu a notícia com surpresa e ainda aguarda acesso integral aos autos. O texto ressalta que as políticas de incentivos fiscais do estado durante o mandato respeitaram “critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente”.
Os advogados destacaram que o governo atuou para cobrar dívidas históricas da refinaria por meio da Procuradoria-Geral do Estado:
- Acordo de pagamento: A gestão teria viabilizado o parcelamento de débitos da empresa que somam aproximadamente R$ 1 bilhão.
- Suspensão judicial: Atualmente, o repasse desses valores está interrompido devido a uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
- Postura institucional: A defesa afirma que Castro foi o “única” gestor a conseguir que a empresa pagasse o que deve ao tesouro estadual.
Crise política e vacância no Governo do Rio
A operação ocorre em um cenário de instabilidade institucional no estado, atualmente comandado pelo desembargador Ricardo Couto. Castro renunciou ao cargo de governador em 23 de março, pouco antes de o Tribunal Superior Eleitoral confirmar sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico.
Com a saída simultânea do vice-governador Thiago Pampolha, o Supremo Tribunal Federal ainda precisa decidir como será escolhido o novo chefe do Executivo para o mandato-tampão. Mesmo diante das investigações, Castro, que planeja concorrer ao Senado nas eleições de outubro, afirmou estar “convicto de sua lisura”.