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Operação mira monopólio do gás do Comando Vermelho e bloqueia R$ 350 milhões

Esquema usava ameaças e empresas de fachada para monopolizar botijões

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Foto: Reprodução/ TV Globo

Uma ação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro mira um esquema criminoso associado ao Comando Vermelho que monopolizava o comércio de gás de cozinha em comunidades fluminenses. A Operação Dominus começou nesta quarta-feira para desarticular a rede de extorsão e lavagem de capitais.

Até o momento, oito suspeitos foram detidos, sendo quatro por mandados de prisão preventiva e quatro detidos em flagrante. Além dos mandados de captura, a Justiça determinou 44 buscas e ordenou o bloqueio de mais de R$ 350 milhões em recursos financeiros e patrimônio ligados aos alvos.

Como a organização controlava o mercado?

O grupo aproveitava a influência armada da facção para eliminar qualquer concorrência e ditar as regras do fornecimento de botijões. Os comerciantes locais não tinham escolha: precisavam adquirir o produto unicamente com os distribuidores credenciados pela quadrilha ou quitar cobranças rotineiras para continuar trabalhando, sempre sob ameaças de represálias.

Os pagamentos forçados eram tratados internamente como “metas do gás” e ampliavam os lucros da facção. O peso dessa exploração recaía diretamente sobre a população, fazendo o botijão de gás alcançar até R$ 150 em determinadas localidades. A polícia apura a prática de extorsão e organização criminosa.

Documentos e arquivos digitais apreendidos com um dos chefes do esquema revelaram como as tarefas eram distribuídas. A rede contava com um setor de logística comercial, pessoas encarregadas do recolhimento dos valores e a ala armada responsável pela coerção nos territórios dominados.

De que forma os lucros eram ocultados?

A quadrilha recorria a empresas fictícias e pessoas que cediam o nome, conhecidas como “laranjas”, com o objetivo de dar aparência de regularidade ao patrimônio obtido ilegalmente.

Os negócios registrados de forma fraudulenta atuavam sobretudo nos setores de construção civil e revenda de combustíveis. Essa estrutura jurídica era montada para blindar os verdadeiros donos e evitar que bens e contas ficassem vinculados aos articuladores do esquema.

Quais regiões foram alvo dos mandados?

As ordens judiciais foram cumpridas em diferentes municípios da Região Metropolitana, incluindo Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Duque de Caxias, além da capital fluminense, onde os agentes estiveram nos bairros da Taquara e do Recreio dos Bandeirantes.

As equipes fizeram varreduras tanto em endereços residenciais quanto em distribuidoras e pontos de revenda de gás identificados como peças da engrenagem financeira do grupo.