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Rio tem apenas 7 dias sem chuva em dois meses; veja como El Niño pode afetar o tempo
Capital teve apenas quatro dias sem precipitação em setembro; novo padrão traz temporais
A cidade do Rio de Janeiro enfrenta uma sequência de meses marcada por chuvas volumosas. Setembro atingiu o acumulado mais alto já registrado para o período desde o início das medições do Alerta Rio, em 1997, registrando apenas quatro dias sem precipitações.
O ritmo chuvoso permaneceu elevado no mês seguinte. Até o dia 27 de outubro, a capital fluminense já vivenciava o seu quarto outubro com maior índice pluviométrico de toda a série histórica do órgão municipal.
O que esperar do clima nos próximos meses?
A tendência para novembro em diante aponta para precipitações menos frequentes, mas com episódios mais intensos concentrados em intervalos breves, segundo Wanderson Luiz Silva, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ao RJ2.
O pesquisador afirma que o acumulado não deve fugir da média climatológica, “mas elas vão começar a se concentrar de maneira um pouco mais intensa em períodos mais curtos”. Ele acrescenta que esses intervalos secos podem favorecer a formação de ondas de calor.
Esse modelo de tempestades rápidas eleva a preocupação com deslizamentos de terra e inundações. Levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indica que cerca de 800 mil moradores vivem em encostas e terrenos vulneráveis na Região Metropolitana do Rio.
Como o El Niño interfere nesse comportamento?
O fenômeno climático decorre da elevação incomum da temperatura nas águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o que desregula a circulação da atmosfera e mexe no clima em escala global.
Projeções federais de outubro indicaram 95% de probabilidade de o evento registrar intensidade muito forte no último trimestre de 2026. A resposta do tempo em cada localidade, contudo, oscila de acordo com a combinação com outros sistemas atmosféricos regionais.
Qual a importância dessa chuva para o estado?
Apesar dos impactos urbanos, as precipitações contínuas cumprem uma função crucial na segurança hídrica e no setor energético. Silva ressalta que chuvas equilibradas são determinantes para preencher as represas antes da chegada de períodos mais secos.
O pesquisador enfatiza a necessidade de comemorar precipitações brandas e regulares, pontuando que o acúmulo de água garante o abastecimento e a geração elétrica “de maneira suficiente para quando essa chuva faltar”.