Saúde
5 alertas sobre cirurgia bariátrica em meio ao avanço das canetas emagrecedoras
O procedimento continua sendo fundamental no tratamento da obesidade grave
O crescimento do uso de medicamentos para emagrecimento, especialmente os análogos de GLP-1, mudou o debate sobre obesidade no Brasil e no mundo. Nas redes sociais e até em consultórios, aumentou a percepção de que as chamadas “canetas emagrecedoras” poderiam substituir definitivamente a cirurgia bariátrica. No entanto, essa interpretação é equivocada.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), a cirurgia bariátrica segue como uma das principais ferramentas no tratamento da obesidade grave, especialmente para pacientes que não conseguem resultados sustentáveis apenas com tratamento clínico. A entidade também demonstra preocupação com a queda no número de cirurgias e o uso indiscriminado de medicamentos sem acompanhamento médico.
A seguir, confira os principais alertas sobre cirurgia bariátrica em meio ao avanço das canetas emagrecedoras!
1. A cirurgia bariátrica não deixou de ser indicada
Apesar da popularização dos medicamentos para perda de peso, a cirurgia bariátrica continua sendo recomendada em muitos casos. “Existe uma narrativa errada que se instalou nos consultórios e nas redes sociais de que, com a chegada dos análogos de GLP-1 e outros medicamentos, a cirurgia bariátrica perdeu sua vez. Isso não é verdade. Existe um tratamento para cada tipo de paciente e os medicamentos e a cirurgia, em muitos casos, devem ser complementares”, afirma o presidente da SBCBM, Dr. Juliano Canavarros.
Segundo ele, a obesidade é uma doença complexa e o tratamento precisa ser individualizado.
2. Canetas emagrecedoras não funcionam da mesma forma para todos os pacientes
Os novos medicamentos utilizados para emagrecimento representam um avanço importante, mas possuem limitações, principalmente relacionadas ao acesso e à manutenção dos resultados. “Os novos medicamentos são extraordinários, mas ainda não são democráticos e funcionam enquanto a pessoa está utilizando”, explica o Dr. Juliano Canavarros.
A SBCBM alerta que muitos pacientes abandonam tratamentos tradicionais acreditando que as medicações irão resolver definitivamente a obesidade sem necessidade de acompanhamento contínuo.

3. O uso sem acompanhamento médico preocupa especialistas
Outro ponto de atenção envolve o crescimento do uso clandestino de medicamentos para emagrecimento, muitas vezes adquiridos sem prescrição ou vindos de outros países. A automedicação pode trazer riscos importantes à saúde e atrasar tratamentos adequados para obesidade e doenças associadas.
“Não temos dados precisos sobre a fila para cirurgia no país, a doença avança e há um descontrole no que se refere ao uso de medicamentos clandestinos e sem acompanhamento médico“, alerta o presidente da SBCBM.
4. A queda nas cirurgias preocupa entidades médicas
Dados da SBCBM mostram redução no número de cirurgias bariátricas realizadas nos últimos anos. Em 2024, houve queda de 18% em relação ao ano anterior.
“Embora não tenhamos estudado a causalidade, a preocupação é que muitos pacientes estejam optando por terapias não cirúrgicas para obesidade sem compreender totalmente todas as opções disponíveis”, afirma o Dr. Juliano Canavarros.
A entidade também destaca que milhares de brasileiros aguardam pelo procedimento no Sistema Único de Saúde (SUS), enfrentando demora no acesso ao tratamento especializado.
5. Obesidade continua avançando no Brasil
Enquanto o debate sobre tratamentos cresce, os números da obesidade seguem aumentando no país. Dados do Ministério da Saúde apontam crescimento expressivo da obesidade entre adultos brasileiros nas últimas décadas.
Segundo a pesquisa Vigitel 2025, o número de adultos com obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024. No mesmo período, também aumentaram os casos de diabetes, hipertensão e excesso de peso.
“A cirurgia bariátrica é hoje o único tratamento efetivamente disponível para obesidade dentro da rede pública de saúde e, também, o único capaz de apresentar resultados consistentes a longo prazo. Os benefícios vão muito além da perda de peso, incluindo impacto direto na redução de doenças associadas e até nos custos do sistema de saúde”, conclui o presidente da SBCBM, Dr. Juliano Canavarros.
Por Sarah Carvalho