Treinar lesionado: veja os riscos para a saúde e como se proteger - Super Rádio Tupi
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Saúde

Treinar lesionado: veja os riscos para a saúde e como se proteger

A ausência de desconforto não significa necessariamente que houve recuperação completa

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Treinar com dor pode transformar um desconforto passageiro em uma lesão permanente (Imagem: F01 PHOTO | Shutterstock)

Seja no esporte de alto rendimento ou na prática regular de exercícios, treinar com dor ainda é frequentemente visto como sinal de heroísmo e disciplina — ou até como prova de evolução e resultados. No entanto, o incômodo é o primeiro aviso de que algo não vai bem com o corpo, e ignorar esse alerta pode transformar um desconforto passageiro em uma lesão permanente.

Abaixo, Sebastião J. Rodrigues Junior, médico do esporte e professor da Faculdade de Medicina de Assis (Fema), mestre em interações estruturais e funcionais na reabilitação, membro da comissão médica da seleção feminina de futebol sub-17, explica sobre os riscos de se exercitar lesionado e quando é seguro voltar a treinar. Confira!

1. Riscos de treinar lesionado

Quando o retorno ao treino acontece antes do tempo ideal, o processo de cicatrização é interrompido. O tecido lesionado não se reorganiza corretamente, tornando-se mais frágil e suscetível a novos danos. Ao mesmo tempo, a continuidade da atividade mantém o corpo em um estado inflamatório constante, dificultando a regeneração adequada.

As compensações biomecânicas e as alterações no controle motor agravam ainda mais o quadro, criando um efeito em cadeia. Com o tempo, esse conjunto de fatores pode transformar um problema simples em uma condição crônica, mais difícil de tratar e com impacto duradouro.

2. Sinais que indicam que a lesão não está totalmente recuperada

O corpo costuma dar sinais claros de que a recuperação ainda não foi concluída. Dor durante ou após a atividade, inchaço recorrente, sensação de instabilidade, perda de força e limitação de movimento são alguns dos principais alertas. Mesmo fatores menos óbvios, como rigidez persistente ou insegurança ao realizar determinados movimentos, indicam que o organismo ainda não está pronto. É importante destacar: a ausência de dor não significa necessariamente que houve recuperação completa.

Pessoas correndo na rua
Praticar exercícios sem estar totalmente recuperado aumenta significativamente o risco de novas lesões (Imagem: Kostiantyn Voitenko | Shutterstock)

3. Consequências de se exercitar lesionado

Quando um atleta entra em campo sem estar totalmente recuperado, o corpo passa a funcionar em condições desfavoráveis. Uma lesão leve pode evoluir rapidamente para algo mais grave, como uma ruptura muscular ou ligamentar. Além disso, o organismo tende a criar compensações: para evitar dor em uma região, outras partes do corpo são sobrecarregadas. Esse mecanismo aumenta significativamente o risco de novas lesões e pode comprometer o desempenho, reduzindo força, mobilidade e precisão.

Outro ponto crítico é a possibilidade de a lesão se tornar crônica. Sem o tempo adequado de recuperação, o processo inflamatório persiste e pode causar danos permanentes a estruturas como tendões, cartilagens e ligamentos.

4. Riscos para atleta profissional e praticante recreativo

Embora o risco exista para todos, ele é gerenciado de formas muito diferentes. Atletas profissionais contam com uma equipe multidisciplinar, que inclui médicos, fisioterapeutas e preparadores físicos. Isso permite que o retorno às atividades seja baseado em critérios objetivos, como testes de força, mobilidade e desempenho funcional. Ainda assim, muitas vezes esses atletas enfrentam grande pressão para voltar rapidamente às competições.

Os praticantes recreativos, em geral, não possuem esse suporte. Por isso, quando decidem retornar antes da recuperação completa, muitas vezes guiados apenas pela diminuição da dor, acabam se expondo a riscos ainda maiores. Em termos práticos, o que pode ser um “risco calculado” para um profissional tende a ser uma decisão pouco segura para quem pratica esporte apenas por lazer.

5. Retorno seguro para atletas profissionais

No nível profissional, equilibrar a urgência competitiva com a preservação da saúde é um dos maiores desafios. Para isso, são adotadas estratégias como o uso de critérios objetivos para liberação, controle rigoroso da carga de treino e monitoramento constante do atleta.

Além disso, a comunicação entre a equipe técnica e o departamento médico é fundamental para evitar decisões precipitadas. Cada vez mais, também se busca uma mudança cultural no esporte, valorizando não apenas o desempenho imediato, mas a longevidade da carreira.

Por Adriano Ferreira