Rio
Governo do Rio determina afastamento de PMs envolvidos na morte de secretário de Queimados
Perícia apura disparos de fuzil na Avenida Brasil; governo do estado promete apuração célere e analisa imagens de câmeras corporais dos PMs
Os policiais militares envolvidos na abordagem que terminou com a morte de Jefferson Dias da Silva, secretário de Desenvolvimento Econômico de Queimados, foram afastados das funções. A medida foi determinada pelo governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto. O governo estadual manifestou consternação aos amigos e parentes da vítima e afirmou que a gravidade do episódio demanda uma apuração rápida, rígida e transparente.
A apuração dos fatos já foi aberta pela Polícia Civil, que realizou a perícia no local da ocorrência. Durante as primeiras diligências, os agentes apreenderam as armas utilizadas pelos policiais e deram início à análise das imagens captadas pelas câmeras operacionais corporais.
A Corregedoria Geral da Polícia Militar também instaurou procedimento interno sobre o caso e garantiu apoio irrestrito às investigações. O governo do estado declarou que vai acompanhar os desdobramentos de perto e aplicar as medidas necessárias para que o episódio seja totalmente esclarecido e os envolvidos sejam responsabilizados.
O que aconteceu durante a abordagem policial?
Segundo informações da portaria da Delegacia de Homicídios, equipes do 22º Batalhão da Maré relataram ter recebido alerta pelo rádio sobre um carro trafegando em alta velocidade e com fogo visível em uma das rodas. Ao localizarem o automóvel próximo ao Complexo da Maré, os policiais ordenaram que o motorista parasse e saísse, mas ele não acatou a ordem.
Os agentes afirmaram ter escutado disparos logo em seguida, o que levou um dos militares a atirar contra uma roda traseira do veículo. Jefferson manteve o automóvel em movimento, ultrapassou outros dois bloqueios e fez manobras que colocaram a equipe em perigo, segundo o depoimento dos policiais.
Próximo à comunidade da Nova Holanda, a equipe afirmou ter ouvido novos tiros vindos de um acesso da favela e respondeu com disparos.
Na altura da Passarela 14, uma viatura da PM interceptou o BYD, que rodou na pista e colidiu contra a mureta de proteção. De acordo com o documento policial, Jefferson ainda engatou a marcha a ré na tentativa de sair do local, momento em que os agentes atiraram contra os pneus.
Policiais do Batalhão Tático de Motociclistas que chegaram para dar suporte relataram também terem ouvido estampidos. Um desses agentes efetuou sete disparos de fuzil calibre 7,62 mm, sob a alegação de responder a uma “situação de perigo iminente”.
Com o carro imobilizado, a equipe quebrou um dos vidros para acessar o interior da cabine e encontrou o ex-vereador morto por disparos de arma de fogo.
