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Sabatina do JN: Zema titubeia sobre dívida, ataca STF e promete anistia a Bolsonaro

Presidenciável defende gestão em Minas, privatizações e condenados pelo 8 de janeiro em sabatina

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Romeu Zema durante entrevista à TV Globo nesta segunda-feira (24). Foto: Reprodução/TV Globo

O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), titubeou ao responder sobre a situação fiscal de Minas Gerais durante sabatina da TV Globo nesta segunda-feira (24/8). Ao ser questionado sobre o endividamento do estado e a relação da dívida com a União, o presidenciável atribuiu o crescimento do passivo aos juros cobrados pelo governo federal, que comparou às taxas praticadas por “agiotas”.

Zema afirmou que a dívida mineira foi herdada de governos anteriores e sustentou que, durante seus dois mandatos, não contraiu novos empréstimos relevantes. Segundo ele, o endividamento, embora tenha aumentado em valores absolutos, teria diminuído em relação ao tamanho da economia estadual.

“Quero explicar. […] A dívida de Minas foi toda feita no passado. Não fiz um empréstimo. Essa dívida foi herdada dos anos 1990, e cresceu muito devido aos juros de agiota do governo federal”, afirmou.

Na tentativa de justificar a situação das contas públicas, Zema citou pagamentos realizados durante sua gestão. “Eu paguei R$ 23 bilhões para aposentados que não recebiam aposentadoria, paguei R$ 13 bilhões para o governo federal, funcionários públicos, e hoje a dívida representa muito menos para a economia de Minas do que quando eu assumi”, disse.

O argumento, porém, não respondeu diretamente sobre como pretende equilibrar gastos e dívida pública caso chegue ao Palácio do Planalto. Durante a sabatina, a dívida pública brasileira foi colocada em debate diante de um cenário em que o endividamento do país já se aproxima de patamares elevados em relação ao PIB.

Zema também defendeu a política de privatizações adotada em Minas Gerais e afirmou que pretende levar a mesma lógica para empresas públicas brasileiras. Entre os exemplos citados está a Copasa, companhia estadual de saneamento. Para o candidato, empresas estatais estariam “subaproveitadas” e poderiam ter maior eficiência sob controle privado.

Na área econômica, o ex-governador ainda prometeu recomposição anual dos salários pela inflação e se definiu como um “governador voluntário”, alegando ter doado integralmente o salário recebido durante os oito anos à frente do governo mineiro.

Apesar de ter sido questionado sobre temas econômicos e fiscais, Zema concentrou parte significativa de suas respostas em críticas ao Judiciário e ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao tratar dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O candidato afirmou discordar das condenações dos envolvidos e defendeu anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Eu discordo porque não existe na História uma tentativa de golpe que tenha sido movimento de vandalismo e depredação como aquele que aconteceu em janeiro de 2023. Eu darei anistia, ou pelo menos, no mínimo, um tribunal que não seja político. Que seja judicial. O que vimos no Brasil foi perseguição. (…) O crime de sujar o monumento foi adiante. Deterioração, tudo bem. Deve se punir pelo vandalismo”, afirmou.

Zema também voltou a se posicionar sobre a vacinação contra a covid-19 e disse ser favorável à imunização. O tema apareceu em meio à discussão sobre sua postura durante a pandemia e sobre políticas públicas de saúde.

Ao ser questionado sobre a Operação Rejeito, que investigou um esquema de fraudes em licenças ambientais e exploração ilegal de minério de ferro em Minas Gerais, o ex-governador negou ter conhecimento dos desvios durante sua administração. Zema afirmou que a Controladoria-Geral do Estado, subordinada ao governo, já investigava o caso e defendeu a punição dos envolvidos.

“Fica aqui o meu repúdio a esses bandidos que, além de estarem recebendo dinheiro, estavam destruindo o meio ambiente. A Controladoria-Geral do Estado, subordinada a mim, já estava investigando. Quero que tudo seja apurado e esses bandidos mofem na prisão”, disse.

O candidato acrescentou que irregularidades podem ocorrer em estruturas públicas grandes e afirmou ter tomado medidas para impedir que o caso fosse encoberto. “Num estado com 300 mil funcionários, sempre está sujeito a surgir algumas frutas podres. E lembrando que tomei todas as medidas. Não quero que nada seja encoberto, ninguém seja protegido, como às vezes acontece em Brasília”, afirmou.

Ao tratar da dívida, Zema buscou transferir para gestões anteriores e para os juros da União a responsabilidade pelo passivo estadual. Já no campo político, reforçou a aproximação com o bolsonarismo ao defender anistia para Bolsonaro e classificar as condenações relacionadas ao 8 de janeiro como resultado de uma suposta “perseguição”.