Saúde mental de jovens acende alerta após dados do IBGE - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Brasil

Saúde mental de jovens acende alerta após dados do IBGE

Levantamento mostra aumento de tristeza, insatisfação corporal e pensamentos de automutilação entre adolescentes, com especialistas defendendo maior apoio nas escolas e acesso a atendimento psicológico.

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Cinco sinais de depressão profunda que podem passar despercebidos e merecem atenção cuidadosa
Depressão profunda: quando o cansaço emocional se torna uma condição clínica que exige cuidado.

A saúde mental da juventude ainda é uma questão pouco debatida no Brasil, fato evidenciado em um levantamento divulgado pelo IBGE, que apontou que 3 em cada 10 estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes.

Além disso, uma proporção semelhante também revelou que já teve vontade de se machucar de propósito.

O gerente de pesquisas especiais do IBGE, Marco Andreasi destaca que o percentual de meninas com tendências à automutilação é mais que o dobro do observado entre os meninos e explica esse indicador.

“Os dados da APS 2024 revelaram melhoras a respeito da saúde mental, tanto dos meninos quanto das meninas. Porém as meninas mantêm uma defasagem muito grande, com aumento no que diz respeito à violência, bullying, violência sexual.” – declarou Andreasi, que destacou a autoavaliação depreciativa que muitas fazem sobre o próprio corpo e se elas se sentem entendidas pelos pais.

Esse conjunto de fatores, aliados aos próprios indicadores de saúde mental, representam uma situação de opressão, construindo um cenário desfavorável para as jovens mulheres brasileiras.

A pesquisa também revelou que estudantes de 13 a 17 anos estão cada vez menos satisfeitos com o corpo, com 27% dos entrevistados dizendo estarem muito insatisfeitos ou insatisfeitos com o próprio corpo.

De acordo com o Ministério da Saúde, é muito importante conversar com alguém de confiança e não hesitar em pedir ajuda, inclusive para buscar serviços de saúde

Segundo especialistas, o estudo do IBGE reforça a necessidade de uma atuação mais estruturada e urgente dentro das escolas, visto que, do ponto de vista da neurociência e do desenvolvimento infantil, a adolescência é uma fase de grande vulnerabilidade emocional.

A Super Rádio Tupi conversou com Priscila Montes, que é educadora especialista em neuroeducação e desenvolvimento infantil, sobre a influência do cenário escolar.

“Nesse contexto, a escola é muito importante como fator de proteção. Ambientes previsíveis, relações de confiança com adultos e práticas intencionais de pertencimento vão com certeza ajudar a reduzir o estresse tóxico, favorecer a aprendizagem, engajamento e o bem-estar desse adolescente dentro da escola.” – declarou a educadora, destacando que um ponto fundamental é que as instituições precisam desenvolver protocolos claros de identificação e encaminhamento de sinais de sofrimento por parte desse adolescente.

O quadro sobre a saúde mental dos alunos demonstra que 42,95% responderam que se sentem irritados, nervosos ou mal humorados por qualquer coisa e 18,5% pensam sempre, ou na maioria das vezes, que a vida não vale a pena.

Para a elaboração do estudo, o IBGE entrevistou mais de 100 mil alunos entre 13 e 17 anos, que frequentavam 4.167 escolas públicas e privadas de todo o país no ano de 2024.

Estudantes ou familiares que precisarem de apoio psicológico podem buscar ajuda por meio dos Centros de Atenção Psicossocial Unidades de Saúde, ou do Centro de Valorização da Vida, no telefone 188.