Rio
Justiça condena lutador a 18 anos de prisão pela morte de Moïse Kabagambe
Brendon Alexander Luz da Silva cumprirá 18 anos em regime fechado pela morte do congolês
Brendon Alexander Luz da Silva, o Tota, foi condenado nesta quarta-feira (15) a 18 anos e 8 meses de prisão em regime fechado pelo assassinato do congolês Moïse Kabagambe, morto a pancadas em um quiosque na Barra da Tijuca, no Rio, em janeiro de 2022. O veredicto foi do 1º Tribunal do Júri da Capital, no Centro da cidade.
O júri reconheceu três qualificadoras: meio cruel, motivo fútil e recurso que impediu a defesa da vítima. A juíza negou substituição por penas alternativas e o sursis, determinando cumprimento imediato em regime fechado.
Papel central na agressão

As imagens exibidas no plenário mostraram Brendon derrubando Moïse e o imobilizando por mais de dez minutos enquanto outros homens desferiam socos, chutes e golpes com objetos. A vítima continuou sendo agredida mesmo após perder a consciência. Nas gravações, o réu aparece ainda dando um último chute em Moïse já desacordado e posando para uma foto ao lado dele. Áudios enviados por Brendon na noite do crime, nos quais comentava o ocorrido com aparente tranquilidade, também foram apresentados pela acusação.
A Defensoria Pública não negou a contenção, mas argumentou que ele não tinha intenção de matar e pediu a desclassificação para lesão corporal seguida de morte. Os jurados rejeitaram a tese e acolheram integralmente a denúncia do Ministério Público. Embora primário e sem antecedentes, Brendon teve a confissão com peso limitado na pena porque as câmeras já registravam toda a dinâmica do crime.
Único dos três réus ainda sem julgamento
Brendon foi o último dos três acusados a ser julgado. Em março de 2025, Fábio Pirineus da Silva e Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca haviam sido condenados a penas que, somadas, ultrapassam 40 anos de prisão.
Moïse vivia no Brasil como refugiado, tendo deixado a República Democrática do Congo em busca de melhores condições de vida. Ele foi espancado após cobrar o pagamento por dias de trabalho no quiosque. As imagens da agressão geraram protestos e acenderam o debate sobre racismo, violência e exploração de trabalhadores imigrantes.