Brasil
Ponte onde jovem morreu ao ser empurrada sem corda pode ser demolida
Secretaria do Patrimônio da União estudará forma de destruir a estrutura abandonada. Governo federal atende à solicitação de prefeituras locais, que alegam não ter como vigiar e impedir que espaço seja usado para a prática de esportes radicaisO governo federal estuda demolir a Ponte do Esqueleto, onde Maria Eduarda Rodrigues morreu ao ser arremessada sem a carda de segurança para a prática do rope jumping. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) deu início, ontem, aos estudos que podem levar à dinamitação da estrutura, que está há décadas abandonada — e tornou-se motivo de confronto entre a Prefeitura de Limeira e a União sobre a responsabilidade da morte da jovem, no sábado.
Porém, antes de colocar a estrutura abaixo, a ponte será interditada com a instalação de estruturas sólidas, mais difíceis de serem removidas e que desestimulam os caçadores de aventuras e esportes radicais. Isso porque a implosão é um processo que pode exigir licitação e licenças ambientais.
A ponte fica em um ramal ferroviário da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) jamais ativado, entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis. Há mais de uma década, o local é utilizado para o rope jumping e o bungee jump (no qual a pessoa que salta fica pendurada pelas pernas em uma corda elástica). Após a morte de Maria Eduarda, as prefeituras dos dois municípios atribuíram a responsabilidade pelo local à União. Já o Executivo federal afirmou caber às prefeituras impedir o acesso de pessoas e fiscalizar as atividades clandestinas na estrutura.
Na segunda-feira, representantes das prefeituras se reuniram em busca de um consenso com representes das câmaras de vereadores locais, da SPU e da Advocacia-Geral da União (AGU). O prefeito de Limeira, Murilo Félix (Podemos), insistiu na implosão como solução e conta com a concordância da prefeita de Cordeirópolis, Cristina Saad (União). “É urgente que todos ajam neste momento para evitar outras tragédias”, disse.
Vilipêndio
A morte de Maria Eduarda, porém, tornou-se um questão política por conta de postagens nas redes sociais. A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) protocolou pedido à Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal (PF) para a instauração de inquérito contra usuários da rede social X (antigo Twitter) por publicações que sugerem vilipêndio de cadáver e necrofilia em relação a jovem. Segundo a parlamentar, foram publicados comentários que, como ressaltou, “não apenas ultrajam a memória da vítima, mas que expressamente incentivam, celebram ou tratam com humor e aprovação a prática de violência sexual contra seu cadáver, mediante referências à necrofilia e ao estupro da vítima falecida”.
A representação de Érika Hilton anexou uma lista de perfis e publicações que, segundo a deputada, continham referências explícitas à prática de atos sexuais violentos contra o corpo da vítima e representariam ultraje à memória e à dignidade da jovem. A parlamentar sustenta que as condutas podem se enquadrar no crime previsto no artigo 287 do Código Penal, por supostamente incentivarem, exaltarem, naturalizarem e difundirem a violência sexual. Ela também pede a apuração do crime previsto no artigo 212 do Código Penal, referente ao vilipêndio a cadáver.
Erika frisa no ofício à PF que as publicações contribuem para a banalização da violência sexual e para a disseminação da misoginia nas redes sociais. (Com Agência Estado)