Economia
Pai simula venda de casa de R$ 600 mil para o filho favorito para driblar a partilha, irmãos descobrem a farsa e Justiça anula todo o negócio
Alienação entre ascendente e descendente sem a concordância expressa dos demais filhos configura simulação fraudulenta e autoriza a nulidade da escritura.
A tentativa de beneficiar um herdeiro em detrimento dos demais por meio de contratos de compra e venda fictícios viola as regras sucessórias de ordem pública. O Poder Judiciário anula a transferência fraudulenta de imóveis avaliados em R$ 600 mil realizada entre ascendente e descendente sem o consentimento formal dos outros filhos.
O que determina o Artigo 496 do Código Civil sobre venda para filhos?
O Artigo 496 do Código Civil estabelece de forma categórica que é anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido por escrito.
A finalidade da norma é evitar que doações disfarçadas de venda sejam utilizadas para fraudar a legítima dos herdeiros necessários (50% do patrimônio que a lei reserva obrigatoriamente aos filhos, conforme Artigo 1.846 do Código Civil). Sem a anuência dos irmãos, o negócio padece de vício insanável.
Para entender os requisitos que diferenciam uma alienação válida de um ato nulo de simulação, confira o card de análise legal a seguir:

Como os irmãos lesados comprovam a simulação da escritura pública?
Os herdeiros prejudicados ingressam com Ação Anulatória de Negócio Jurídico demonstrando a ausência de circulação financeira real. O filho favorecido não apresenta declaração de Imposto de Renda compatível nem extratos bancários com o débito de R$ 600 mil.
A escritura que registra quitação em “dinheiro corrente em mãos” é o indício mais forte de simulação absoluta. O juiz reconhece que o imóvel permaneceu sob a posse do pai, desmascarando a doação inoficiosa disfarçada e cancelando o registro no Cartório de Imóveis.
Qual o prazo que os filhos têm para anular a venda fraudulenta?
O prazo decadencial para pleitear a anulação da venda de ascendente para descendente sem consentimento é de 2 anos, contados a partir da data da abertura da sucessão (morte do pai) ou do registro da escritura pública, conforme a Súmula 494 do STF e Artigo 179 do Código Civil.
Para anular a transferência irregular e preservar a futura herança, os herdeiros devem reunir os seguintes elementos probatórios:
- 📜 Certidão de matrícula atualizada: Comprovação da transferência do imóvel sem a assinatura de anuência dos demais filhos.
- 🔍 Perícia contábil e fiscal: Demonstração de que o filho favorecido não possuía patrimônio para adquirir o bem de R$ 600 mil.
- 🏠 Manutenção da posse paterna: Prova de que o pai continuou residindo no imóvel e pagando contas de IPTU e condomínio.
Quais as principais dúvidas sobre doação e venda para herdeiros?
Os limites do planejamento sucessório e adiantamento de herança geram dúvidas recorrentes em famílias. Veja os esclarecimentos técnicos a seguir.
📋 Perguntas Frequentes
Esclareça regras de partilha e vendas entre familiares
A tentativa de fraudar a legítima sucessória mediante simulação de compra e venda não resiste à análise pericial do Poder Judiciário. A anulação do negócio restabelece o equilíbrio entre os herdeiros e garante a integridade da partilha de bens.