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Especialistas em envelhecimento explicam: levantar 5 vezes da cadeira sem usar os braços não é só exercício, mas um teste em que passar de 11,5 segundos acende alerta para a perda de independência
Estudo com 2.386 idosos acompanhados por oito anos indica que um tempo menor que o usado hoje já sinaliza risco de dificuldade para banho, roupa e saída de casa
Levantar da cadeira cinco vezes seguidas, sem apoio dos braços, parece um movimento banal. Para pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da University College London, o cronômetro desse gesto revela muito sobre o envelhecimento: quem leva 11,5 segundos ou mais tem risco maior de perder a independência para tarefas como tomar banho, se vestir ou sair de casa.
O que o estudo da UFSCar descobriu sobre o cronômetro?
O estudo concluiu que 11,5 segundos é um ponto de corte mais preciso do que o usado até agora para apontar quem caminha para a perda de autonomia. O trabalho foi publicado em 2025 no periódico científico Journal of the American Medical Directors Association.
A equipe acompanhou por oito anos 2.386 participantes do Estudo Longitudinal Inglês do Envelhecimento (ELSA). Todos começaram sem dificuldade nas atividades do dia a dia e caminhavam a mais de 0,8 metro por segundo. Mesmo nesse grupo em boa forma, quem levou 11,5 segundos ou mais no teste de sentar e levantar teve maior risco de desenvolver incapacidade.
A referência mais citada na literatura científica era de mais de 15 segundos. Pelos resultados, ela deixava escapar idosos que já davam sinais de declínio. O grupo reúne especialistas em envelhecimento da Gerontologia e da Fisioterapia da universidade paulista e do Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da instituição britânica.

Como fazer o teste de sentar e levantar da cadeira?
O teste é simples: a pessoa senta numa cadeira e se levanta cinco vezes seguidas, sem usar os braços, no menor tempo possível. Nos estudos, ele aparece com a sigla CST, do inglês Chair Stand Test.
Por trás da rapidez, o movimento cobra força das pernas, equilíbrio, coordenação e fôlego. “São capacidades que, quando começam a falhar, antecedem a perda de independência”, explicou o professor Tiago da Silva Alexandre, do Departamento de Gerontologia da UFSCar e coordenador do trabalho.
Quem quiser se testar em casa deve usar uma cadeira firme, encostada na parede, e ter alguém por perto. Diante de tontura, dor ou desequilíbrio, a orientação é parar e conversar com um profissional de saúde.
O equilíbrio também pode ser medido com outros testes caseiros acompanhados pela ciência. Um deles envolve ficar parado sobre uma perna só.
Por que um teste tão simples rivaliza com a bateria completa?
Porque, na comparação, o teste sozinho previu a perda de independência tão bem quanto a SPPB, bateria que também mede equilíbrio e velocidade de caminhada. As trajetórias de incapacidade apontadas pelos dois instrumentos foram parecidas, e os autores apontaram a cadeira como a opção mais prática para a triagem.

“O teste mais simples e rápido foi tão eficaz quanto a bateria completa para prever quem apresentaria incapacidade”, resumiu a primeira autora, Roberta de Oliveira Máximo, à Agência FAPESP, ligada à fundação que apoiou a pesquisa. Ela vê o recurso como porta de entrada em consultas com pouco tempo.
Para quem é atendido no posto de saúde, no Rio ou na Baixada, um teste que dura segundos cabe em qualquer consulta. Segundo a agência, a Organização Mundial da Saúde já recomenda o teste como ferramenta de triagem, e os autores sugerem aplicá-lo a partir dos 60 anos.
O que fazer se o tempo passar de 11,5 segundos?
O primeiro passo é procurar um médico, de preferência um geriatra, ou um fisioterapeuta para uma avaliação completa. O resultado acende um alerta, mas não fecha diagnóstico sozinho nem significa que a perda de independência vai acontecer.
Segundo os pesquisadores, um tempo elevado deve abrir caminho para exercícios específicos, fisioterapia e mudanças no estilo de vida. Envelhecer com autonomia se constrói antes de a dificuldade aparecer. Que tal pegar uma cadeira, chamar alguém da família e cronometrar esse desafio hoje mesmo, com calma e segurança?
Quais dúvidas comuns sobre o teste da cadeira ainda aparecem?
Algumas perguntas se repetem entre quem faz o teste pela primeira vez. As respostas abaixo seguem o que o estudo e os pesquisadores informaram.
A partir de que idade vale fazer o teste?
Os autores sugerem aplicá-lo a partir dos 60 anos, como parte do acompanhamento do envelhecimento.
O estudo foi feito com brasileiros?
Não. Os dados vêm de idosos que vivem na Inglaterra e participam do ELSA. A análise foi feita por pesquisadores da UFSCar e da University College London.
O teste substitui a consulta?
Não. Para Roberta Máximo, ele funciona como porta de entrada para avaliações mais detalhadas.
Cuidar do corpo depois dos 60 também passa por escolher a atividade física certa. A matéria abaixo traz opções para diferentes perfis.
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