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Herdeiro de uma das maiores fortunas dos Estados Unidos comprou fazendas no pé das montanhas, enfrentou anos de resistência local e doou as terras que hoje fazem parte de um dos parques mais visitados do país
Compras secretas de mais de 35 mil acres no Wyoming viraram investigação no Senado e ultimato a Roosevelt antes de entrar no parque, que recebeu 3,8 milhões de visitas em 2025
Um dos parques mais visitados dos Estados Unidos só tem o tamanho atual por causa de John D. Rockefeller Jr., herdeiro da Família Rockefeller. A partir de 1927, ele comprou em segredo dezenas de fazendas no vale de Jackson Hole, no Wyoming, aos pés da cordilheira Teton. Depois de anos de desconfiança dos moradores, as terras acabaram incorporadas ao Parque Nacional de Grand Teton em 1950.
Por que Rockefeller Jr. comprou fazendas em Jackson Hole?
Tudo começou numa viagem em 1926, quando o milionário se encantou com as montanhas e decidiu proteger o vale. Segundo a página de história cultural do National Park Service, o serviço de parques do governo americano, ele passou então a comprar propriedades particulares por toda a região.
Naquela época, o parque criado pelo Congresso em 1929 protegia só a cordilheira e os lagos ao pé dela. O vale, ocupado por ranchos e pastagens, ficava de fora. Para comprar sem fazer os preços dispararem, os agentes do milionário criaram a Snake River Land Company, que se apresentava como empresa de recreação.
O relato do Parque Nacional de Grand Teton sobre a Snake River Land Company conta que nem os compradores sabiam quem pagava a conta. Foram mais de 35 mil acres, cerca de 14 mil hectares, por US$ 1,4 milhão.
Por que os moradores do vale resistiram à compra das terras?
A resistência cresceu quando o segredo veio à tona, em 1930. O próprio parque registra que uma sensação de traição e desconfiança se espalhou pela região e provocou várias investigações.

Havia também a questão do bolso: terra nas mãos do governo federal significava menos impostos para a região. Em 1932, os senadores do Wyoming levaram o caso ao Senado. Ao fim, o senador Peter Norbeck concluiu que Rockefeller estava tendo muita dificuldade para conseguir doar o próprio dinheiro.
Os parques nacionais americanos rendem outras histórias marcantes no site. Uma delas é a de uma avó que viu montanhas pela primeira vez aos 85 anos.
Como a carta de Rockefeller destravou a doação ao governo?
A doação andou depois de um ultimato. Em novembro de 1942, Rockefeller avisou o secretário do Interior, Harold Ickes, que poderia se desfazer das terras se o governo não aceitasse o presente.
Em fevereiro de 1943, ele escreveu ao presidente Franklin D. Roosevelt. Na carta divulgada pelo Parque Nacional de Grand Teton, contou que as terras custaram cerca de US$ 1 milhão, além de uns US$ 500 mil em impostos e manutenção. Dentro da Família Rockefeller, o filho Laurance via a ameaça de venda mais como pressão do que como mudança de planos.

A estratégia funcionou, e as etapas seguintes aparecem na linha do tempo abaixo. As datas são do National Park Service.
| Ano | O que aconteceu |
|---|---|
| 1927 | Criação da Snake River Land Company |
| 1929 | Parque original, só com montanhas e lagos |
| 1943 | Roosevelt cria o Monumento Nacional de Jackson Hole, com 221 mil acres |
| 1950 | Congresso une parque, monumento e terras doadas |
A decisão de 1943 abriu caminho para o desfecho. Em 1950, a junção das três áreas formou o parque que os visitantes percorrem hoje.
Quantas pessoas visitam o Parque Nacional de Grand Teton hoje?
Em 2025, o parque recebeu 3.800.648 visitas recreativas e ficou em oitavo lugar entre os parques nacionais americanos. Os números estão no balanço de visitação de 2025 do National Park Service, que somou mais de 323 milhões de visitas em todo o sistema.
Quem chega ao vale encontra a paisagem que conquistou John D. Rockefeller Jr. há um século. Para o carioca, que conhece bem a briga entre natureza e ocupação, a história mostra quanta negociação cabe numa área protegida. Se um dia a viagem sair do papel, conta pra gente como foi ver Jackson Hole de perto.
Das montanhas do Wyoming, dá para voltar às do estado do Rio. Outra matéria do site leva o leitor até a cidade serrana do Dedo de Deus.