Cliente descobre que pagou R$ 89 por mês durante 14 meses por um "pacote de jogos" que nunca contratou na conta do celular e recebe de volta R$ 2.492, o dobro do que foi cobrado - Super Rádio Tupi
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Economia

Cliente descobre que pagou R$ 89 por mês durante 14 meses por um “pacote de jogos” que nunca contratou na conta do celular e recebe de volta R$ 2.492, o dobro do que foi cobrado

Regra do Código de Defesa do Consumidor garante o dobro do valor pago sem dever, e a operadora precisa provar que o cliente autorizou o serviço extra

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O pacote não contratado acumulou R$ 1.246 em cobranças ao longo de 14 meses
O pacote não contratado acumulou R$ 1.246 em cobranças ao longo de 14 meses - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Uma cobrança indevida de R$ 89 por mês parece pequena na fatura. Em 14 meses, porém, ela tira R$ 1.246 do bolso de quem nunca pediu um pacote de jogos. Esse tipo de cobrança costuma vir escondido na conta do celular, e a lei garante a quem pagou sem dever o direito de receber o dobro: R$ 2.492, mais correção e juros.

O que é o serviço de valor adicionado na conta do celular?

É todo conteúdo extra cobrado junto com a linha, como jogos, música, vídeos ou antivírus. O serviço de valor adicionado, conhecido pela sigla SVA, pode até aparecer na fatura, mas só quando o cliente autoriza.

A regra está nas orientações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre cobrança. Qualquer cobrança depende de autorização prévia e expressa do consumidor, e cabe à operadora de telefonia provar que recebeu esse aval.

Os valores de SVA também precisam aparecer separados e detalhados na conta. No pré-pago, o sinal costuma ser o crédito que acaba rápido demais. No pós-pago, o pacote vira uma linha discreta que muita gente paga no débito automático sem conferir.

Por que a devolução em dobro chega a R$ 2.492 nesse caso?

Porque o artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor manda devolver em dobro tudo o que foi pago em quantia indevida. São 14 parcelas de R$ 89, que somam R$ 1.246, e o dobro chega a R$ 2.492.

A operadora precisa comprovar a autorização prévia e expressa para cobrar serviços extras
A operadora precisa comprovar a autorização prévia e expressa para cobrar serviços extras – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O mesmo código reforça a proteção no artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor, que proíbe fornecer serviço sem pedido prévio. Quando isso acontece, o serviço é tratado como amostra grátis, e o cliente não tem obrigação de pagar por ele.

O cálculo fica mais fácil de visualizar lado a lado. A tabela abaixo mostra a conta do pacote de R$ 89, antes da correção e dos juros.

Conta da devoluçãoCDC, ART. 42
Quanto foi pago e quanto volta no exemplo do pacote de jogos
Item Valor
Mensalidade cobrada R$ 89
Meses de cobrança 14
Total pago R$ 1.246
Devolução em dobro R$ 2.492

A devolução em dobro só deixa de valer quando a empresa comprova engano justificável, exceção prevista no próprio artigo 42. Pelas regras da Anatel, o dinheiro volta com correção monetária e juros. O cliente escolhe se quer o abatimento na próxima conta ou o depósito no banco, nos prazos informados no site da Anatel.

Como contestar a cobrança indevida com a operadora e a Anatel?

O primeiro passo é reclamar direto com a operadora, que tem prazo para responder, informado no site da Anatel. Se ela ficar calada nesse prazo, a regra da Anatel obriga a empresa a devolver o valor pago ou cancelar a cobrança ainda em aberto.

Conteste primeiro com a operadora e guarde faturas e protocolos para as próximas etapas
Conteste primeiro com a operadora e guarde faturas e protocolos para as próximas etapas – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O consumidor tem prazo para contestar cada cobrança, e quanto antes reclamar, melhor. O Procon ou a Defensoria Pública podem confirmar o prazo aplicável. Os 14 meses de pacote devem ser levados à operadora de uma só vez, seguindo um caminho organizado:

  1. Confira as faturas na área do cliente ou na conta impressa e anote cada lançamento do SVA.
  2. Peça o cancelamento do serviço e a devolução em dobro, guardando o número de protocolo.
  3. Sem solução, registre queixa nos canais da Anatel ou no Procon da sua cidade.
  4. Se o problema continuar, procure o Juizado Especial Cível ou a Defensoria Pública.

Guarde prints das faturas e do histórico de atendimento. Esses registros ajudam a comprovar a cobrança indevida em qualquer etapa da reclamação.

Problemas com a linha telefônica também podem sujar o nome do consumidor. Esta matéria mostra como funciona a retirada de uma negativação injusta.

Vale a pena revisar a fatura do celular todo mês?

Sim, porque cobranças pequenas se acumulam sem chamar atenção. Um serviço de R$ 89 por mês passa de mil reais em pouco mais de um ano, e o débito automático ajuda a esconder o problema.

A lei protege quem paga sem dever, e a operadora de telefonia precisa provar que o cliente contratou o serviço. Separe cinco minutos, abra sua última conta e, se encontrar algo estranho, não deixe para depois: esse dinheiro é seu.

Quais dúvidas surgem sobre o pacote de jogos não contratado?

Algumas perguntas aparecem sempre na hora de reclamar. As respostas abaixo seguem as regras da Anatel e do Código de Defesa do Consumidor.

PERGUNTAS FREQUENTESFAQ

Preciso provar que não contratei o pacote?

Não. Cabe à prestadora comprovar que recebeu a autorização prévia e expressa do consumidor.

Quanto tempo a operadora tem para responder?

A Anatel define um prazo de resposta, que pode ser conferido no site do órgão. Sem resposta, ela deve devolver o valor pago ou cancelar a cobrança ainda não paga.

Até quando posso contestar a cobrança?

Há prazo para contestar, contado da data de cada cobrança considerada indevida. Quanto antes reclamar, melhor, e o Procon ou a Defensoria Pública podem confirmar o prazo aplicável.

Os direitos do dia a dia também chegam à família. Na matéria abaixo, a explicação sobre até onde vai a obrigação dos avós de pagar pensão.