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A psicologia afirma: quem faz crochê não está apenas passando o tempo; em estudo com cerca de 8 mil praticantes, quase 90% relataram sentir-se mais calmos
Pesquisa da Universidade de Wollongong ouviu 8.391 praticantes em 87 países, e 82% também disseram se sentir mais felizes com a agulha na mão
Quem tem o crochê como hobby já desconfiava, e a ciência foi conferir. Um estudo científico da Universidade de Wollongong, na Austrália, ouviu 8.391 praticantes de 87 países. Do total, 89,5% disseram que a agulha e a linha deixam a cabeça mais calma. É um resultado que interessa a quem procura uma pausa na correria do dia a dia, da Zona Norte à Baixada.
O que o estudo com crocheteiras de 87 países descobriu?
A pesquisa mostrou que a maioria das praticantes sente o humor melhorar depois de crochetar. O trabalho é das pesquisadoras Pippa Burns e Rosemary Van Der Meer. Ele saiu no periódico Perspectives in Public Health com o título “Happy Hookers”, algo como “crocheteiras felizes”.

Os dados vieram de um questionário online divulgado nas redes sociais durante seis semanas. Quase todas as participantes eram mulheres (99,1%), e metade tinha entre 41 e 60 anos de idade.
Os números que mais chamam atenção são os do efeito sobre o humor. O quadro abaixo reúne o que as próprias participantes contaram às pesquisadoras.
| Efeito relatado | Resultado |
|---|---|
| Mais calma | 89,5% |
| Mais felicidade | 82% |
| Sensação de ser útil | 74,7% |
| Nota média de humor | De 4,19 antes para 5,78 depois |
Segundo o artigo, a melhora na nota de humor é estatisticamente significativa. Como o questionário foi respondido por voluntárias que já gostavam do hobby, os dados mostram como elas percebem os efeitos, e não uma relação de causa comprovada.
Por que o crochê ajuda a desacelerar a cabeça?
Segundo as próprias praticantes, o crochê acalma porque junta criatividade, relaxamento e a sensação de dever cumprido. No estudo, 82,1% citaram a criatividade como motivo para crochetar, 78,5% falaram em relaxar e 75,2% apontaram a sensação de realização.
As respostas abertas renderam cinco temas: benefícios para a saúde, o processo de fazer os pontos, a conexão pessoal, a peça como presente para outras pessoas e as comunidades online. Muitas participantes contaram que usam o artesanato para lidar com problemas de saúde mental, luto, doenças crônicas e dor.
O que acontece no cérebro durante uma sessão de pontos também já foi assunto aqui no site. A matéria abaixo explica esse efeito, que lembra o de uma meditação ativa.
Yoga mental: o que acontece com o seu cérebro quando você passa 30 minutos fazendo crochê➔
Crochê substitui o tratamento para ansiedade e depressão?
Não. O hobby pode ajudar no bem-estar, mas não substitui o acompanhamento profissional de quem sofre com ansiedade, depressão ou outros quadros. As autoras veem o resultado como reforço à prescrição social, que usa atividades criativas e comunitárias como complemento ao cuidado.

No Brasil, a rede pública já valoriza esse tipo de recurso. Segundo o Ministério da Saúde, o SUS oferece 29 práticas integrativas e complementares, entre elas a arteterapia. Quem convive com crises de ansiedade deve procurar a unidade de saúde mais próxima para cuidar da saúde mental com orientação.
Vale pegar a agulha e o novelo para cuidar da mente?
Para muita gente, sim, desde que o crochê seja visto como uma pausa, e não como remédio. O estudo científico australiano mostra que milhares de pessoas encontram no artesanato um momento de calma, criatividade e convivência, inclusive em grupos na internet.
Começar exige pouco: uma agulha, um novelo e paciência com os primeiros pontos tortos. Se você tem uma peça esquecida na gaveta, que tal retomar hoje e reparar como a cabeça responde?
Quais dúvidas mais aparecem sobre crochê e bem-estar?
As dúvidas mais comuns envolvem o tamanho da pesquisa, a data de publicação e o perfil de quem respondeu. As respostas abaixo ajudam a entender o alcance dos números.
Quantas pessoas participaram do estudo?
Foram 8.391 respostas válidas, de moradores de 87 países, coletadas por questionário online durante seis semanas.
Quando a pesquisa foi publicada?
O artigo saiu online em abril de 2020 e entrou na edição impressa de maio de 2021 do periódico Perspectives in Public Health.
Homens também responderam?
Sim, mas foram minoria: 99,1% das participantes eram mulheres.
Se você se interessa por comportamento, tem outra leitura da psicologia no site. Ela fala de como mudamos o jeito de falar conforme o ambiente.
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