Brasil
Depressão atinge 50,2% dos jornalistas no Brasil, aponta estudo
Novo relatório aponta alta prevalência de assédio e estresse; condições de trabalho são o principal gatilho para o adoecimento da categoria
A depressão atinge 50,2% dos jornalistas no Brasil, segundo um novo relatório da Fundacentro em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O estudo “Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil” ouviu 257 profissionais e acendeu um alerta sobre o adoecimento na categoria.
Além da depressão, com casos severos e extremamente severos, os dados revelam alta prevalência de outros transtornos. A pesquisa identificou sintomas de insônia em 47,9% dos entrevistados, estresse em 47,8% e ansiedade em 35,8%.
O levantamento também apontou que 30,4% dos profissionais sofreram cyberbullying e 37% foram vítimas de assédio moral. Outros indicadores preocupantes incluem a baixa capacidade para o trabalho, relatada por 33% dos participantes, e o alto desgaste, que atinge 28% deles.
Condições de trabalho são o gatilho

Para a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, as condições de trabalho da categoria se deterioraram nas últimas décadas. Em entrevista à Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), ela cita jornadas extensas, pressão por produtividade, equipes reduzidas e acúmulo de funções como fatores que contribuem para esse quadro.
A rotina da profissão expõe jornalistas a situações de estresse constante, descredibilização e ataques. Um levantamento da Abraji registrou 204 ataques em 2025, um ano sem eleições. Desse total, 36,3% foram agressões verbais, escritas ou virtuais.
Samira de Castro alerta que ainda existe um tabu sobre saúde mental nas redações. “Admitir que está sobrecarregado ou enfrentando um problema de saúde mental pode ser interpretado como falta de capacidade ou comprometimento”, afirma.
A violência contra a imprensa se intensifica em anos eleitorais. Durante as eleições de 2024, um relatório da Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) identificou mais de 57 mil ataques digitais contra jornalistas e veículos de comunicação.
A Abraji orienta que as empresas de comunicação assumam a responsabilidade pela proteção de suas equipes, adotando protocolos de segurança e oferecendo treinamento adequado.
“Um profissional submetido permanentemente à exaustão, à pressão e à precarização terá mais dificuldade de exercer plenamente sua função social. Defender condições dignas de trabalho, portanto, é também defender um jornalismo mais forte, ético, independente e comprometido com a sociedade”, conclui Samira.