Vizinho faz um paredão de 4 metros para cobrir piscina com sombra para se vingar de uma festa até as 23h e paga R$ 1.500 por dia de atraso ao perder ação por abuso de direito na Justiça - Super Rádio Tupi
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Economia

Vizinho faz um paredão de 4 metros para cobrir piscina com sombra para se vingar de uma festa até as 23h e paga R$ 1.500 por dia de atraso ao perder ação por abuso de direito na Justiça

Vizinho usa muro de 4 metros como vingança e obra acaba na Justiça

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Vizinho faz um paredão de 4 metros para cobrir piscina com sombra para se vingar de uma festa até as 23h e paga R$ 1.500 por dia de atraso ao perder ação por abuso de direito na Justiça
Abuso de direito leva à demolição de muro erguido para prejudicar vizinho

Depois de meses ouvindo festas do vizinho até as 23h, um morador resolveu revidar do jeito mais silencioso possível. Ergueu um paredão de 4 metros bem na divisa, na direção exata da piscina do lado. O sol sumiu, a água esfriou e o clima entre os dois azedou de vez. O caso virou processo, e a Justiça reconheceu abuso de direito, mandando derrubar a obra com multa diária por atraso. A história mostra que nem tudo que parece legal se sustenta quando o objetivo é prejudicar o outro.

Construir para prejudicar o vizinho pode virar abuso de direito
O direito de usar o próprio imóvel encontra limites quando a obra perde função legítima e passa a causar prejuízo desproporcional ao imóvel ao lado.
🧱
Obra sem utilidade
Uma construção feita apenas para atingir o vizinho pode ultrapassar os limites do direito de propriedade.
☀️
Prejuízo concreto
Perda de sol, ventilação e uso normal do quintal ajudam a demonstrar o impacto da obra.
⚖️
Boa-fé limita
Mesmo um direito legítimo não pode ser exercido de forma abusiva ou com finalidade de vingança.
📄
Via correta
Ruído e outros incômodos devem ser documentados e tratados pelos canais administrativos ou judiciais.
Resumo útil: ter razão sobre um incômodo não autoriza retaliar o vizinho com outra interferência; provas, notificações e medidas legais costumam ser o caminho mais seguro para resolver o conflito.

O que levou o morador a levantar um muro de 4 metros?

A convivência tinha começado bem, mas as festas na casa ao lado foram ficando frequentes, sempre até as 23h, com som alto e movimento constante. O morador incomodado tentou o caminho da conversa por meses, apelou para o telefone e para a boa vontade, e nada resolveu o problema do barulho.

Cansado, decidiu agir dentro da própria casa. Contratou pedreiro, comprou material e fez uma obra caprichada, acreditando que o direito de vizinhança lhe garantia construir no próprio terreno como quisesse. O detalhe é que a parede não subiu na frente nem no fundo do lote, mas exatamente na divisa voltada para a piscina do outro lado.

O que aconteceu quando o paredão bloqueou o sol da piscina?

A piscina, que antes pegava sol boa parte do dia, mergulhou na sombra. A água esfriou, as plantas ao redor começaram a sofrer e o quintal virou um corredor escuro. O que era uma briga por barulho se transformou numa briga por luz solar, e o vizinho prejudicado levou o caso à Justiça. Na ação, os advogados nem discutiram se ele podia ou não construir. Discutiram por que ele havia construído, e foi aí que a defesa ruiu, porque a intenção de prejudicar ficou evidente no próprio processo.

O que o Código Civil diz sobre construir na própria divisa?

A regra geral parece favorecer quem constrói. O artigo 1.228 do Código Civil garante ao dono usar, gozar e dispor do imóvel como quiser. Mas o mesmo Código traz um freio pouco conhecido no artigo 187, que considera ato ilícito exceder, no exercício de um direito, os limites do fim econômico ou social, da boa-fé ou dos bons costumes.

É o chamado abuso de direito. Na prática, até algo aparentemente legal se torna ilícito quando o único motivo por trás da ação é prejudicar outra pessoa. Não importa que o terreno seja seu, o que pesa é a razão por trás da obra. Foi exatamente esse dispositivo que derrubou a tese de quem levantou o muro.

Quando uma obra na própria casa vira abuso de direito?

O juiz não avalia apenas o muro em si, mas o conjunto de sinais que revelam a intenção de quem construiu. Existem elementos bem concretos que o Judiciário costuma observar nesse tipo de conflito:

  • Ausência de utilidade real, quando a obra não serve para segurança, ampliação ou privacidade razoável
  • Intenção declarada de prejudicar, revelada em mensagens, testemunhas ou no próprio depoimento
  • Dano concreto ao vizinho, como perda de sol, ventilação, vista ou uso normal da piscina
  • Desproporção entre benefício e prejuízo, com quem constrói ganhando pouco e o outro perdendo muito
Vizinho faz um paredão de 4 metros para cobrir piscina com sombra para se vingar de uma festa até as 23h e paga R$ 1.500 por dia de atraso ao perder ação por abuso de direito na Justiça
Abuso de direito leva à demolição de muro erguido para prejudicar vizinho

As regras de vizinhança existem para engessar o dono do terreno?

Não é esse o objetivo. As normas de convivência nasceram justamente porque, em algum momento, alguém usou a própria casa como arma contra o outro, e ficou claro que a propriedade não pode virar instrumento de vingança. Por isso o artigo 1.277 do Código Civil dá ao vizinho o direito de fazer cessar interferências que prejudiquem a segurança, o sossego e a saúde. A lei protege o uso do imóvel, mas não o uso mal-intencionado dele.

O que a história desse conflito ensina na prática?

A raiva do morador era compreensível e o cansaço também, porque meses de festa até tarde esgotam qualquer paciência. O erro não foi sentir o incômodo, e sim o caminho escolhido para reagir. A rota jurídica existia, era mais barata e não teria terminado numa condenação com multa diária e ordem de demolição. Revidar por conta própria custou muito mais do que teria custado resolver pela via correta.

Quem realmente quer encerrar uma briga de barulho com o vizinho tem um roteiro claro a seguir: registrar boletim de ocorrência a cada episódio, acionar a Guarda Municipal ou a Polícia Militar para o flagrante, pedir uma medição oficial de ruído na prefeitura, guardar prints das tentativas de conversa e procurar um advogado para ajuizar a ação pedindo o fim do incômodo e eventual indenização. Feito assim, o sol da piscina volta sozinho, e é o outro lado que fica na posição desconfortável.