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Benjamin Franklin, inventor e político americano, sobre o casamento: “Mantenha os olhos bem abertos antes do casamento e meio fechados depois.” Uma reflexão bem-humorada sobre escolher com cuidado e perdoar com generosidade
A reflexão de Benjamin Franklin sobre o casamento mostra por que observar comportamentos importa antes da vida a dois
Benjamin Franklin, inventor e político americano, publicou um conselho bem-humorado sobre duas etapas da vida a dois: a escolha de um parceiro e a convivência depois do compromisso. A reflexão convida a observar comportamentos antes de casar e a lidar com imperfeições durante a relação. Entre esses dois movimentos, existe uma questão: o que merece tolerância e o que precisa ser conversado?
O que significa manter os olhos abertos antes do casamento?
A frase aparece no Poor Richard’s Almanack de 1738, publicação de Franklin conhecida por reunir conselhos e máximas. A imagem dos olhos abertos e semicerrados cria um contraste entre o cuidado na escolha e a disposição para conviver com as limitações de outra pessoa:
“Mantenha os olhos bem abertos antes do casamento e meio fechados depois.”
Uma leitura possível é observar a relação como ela acontece, incluindo os momentos de desacordo. É fácil admirar alguém durante um passeio agradável. Também importa perceber como essa pessoa recebe uma recusa, assume responsabilidades e reage quando seus planos são contrariados. Escolher com atenção envolve conhecer comportamentos, além das expectativas criadas sobre o futuro.
Franklin publicava o Poor Richard’s Almanack usando o personagem fictício Richard Saunders como autor. Por meio desse almanaque, espalhou durante anos conselhos, observações bem-humoradas e máximas sobre trabalho, dinheiro, hábitos e relações humanas.
Quais conversas ajudam a conhecer melhor uma vida em comum?
O conselho de Benjamin Franklin pode ser aproximado de assuntos concretos que aparecem na convivência. Conversar antes de assumir um compromisso permite compreender desejos, diferenças e possibilidades de acordo. Não se trata de prever todas as dificuldades, mas de abrir espaço para questões como:
- Como serão divididas as tarefas domésticas e as responsabilidades financeiras;
- Qual é o desejo de cada um sobre ter filhos ou outras formas de cuidado familiar;
- Como ambos preferem lidar com momentos de irritação e desacordo;
- Que espaço desejam preservar para amizades, descanso e interesses individuais;
- Como pretendem tomar decisões que afetem a rotina dos dois;
- Quais limites consideram necessários na relação com familiares e outras pessoas.

Por que conviver também exige tolerância às imperfeições?
Depois que a vida passa a ser compartilhada, diferenças pequenas ficam mais visíveis. Um prefere organizar a cozinha imediatamente; outro costuma fazer isso depois da refeição. Um gosta de planejar o fim de semana; outro decide mais perto da hora. Essas situações podem exigir negociação, sem que toda preferência precise se transformar em uma avaliação do caráter do parceiro.
A generosidade permite considerar o contexto de uma falha. Imagine alguém que esquece uma compra depois de um dia exaustivo, reconhece o ocorrido e procura resolver. É possível conversar sobre o transtorno sem transformar aquele episódio em prova de desinteresse. O mesmo vale para reconhecer os próprios esquecimentos e oferecer a compreensão que se espera receber.

Como distinguir tolerância de uma dificuldade que está sendo ignorada?
A imagem de fechar parcialmente os olhos pode ser lida como um convite à flexibilidade diante de limitações cotidianas. Essa leitura precisa considerar o impacto e a repetição das atitudes. Para avaliar uma situação, algumas perguntas ajudam a organizar a conversa e identificar o que ainda exige mudança:
- Foi um episódio pontual ou um comportamento que continua acontecendo?
- O incômodo foi comunicado de maneira compreensível para os dois?
- Existe disposição para reconhecer o problema e buscar uma solução?
- A responsabilidade pela adaptação está sempre sobre a mesma pessoa?
- Os acordos são retomados e ajustados quando deixam de funcionar?
- É possível discordar e estabelecer limites sem sofrer humilhação ou ameaça?
Perdoar com generosidade também envolve responsabilidade
A reflexão de Franklin encontra uma aplicação quando a tolerância acompanha uma conversa honesta. Um pedido de desculpas pode reconhecer o desconforto causado, enquanto uma atitude posterior mostra o esforço de mudança. Em uma tarefa esquecida, por exemplo, combinar quem fará a reposição pode resolver mais do que prolongar acusações ou simplesmente encerrar o assunto sem acordo.
A flexibilidade precisa circular entre os dois. Cada pessoa pode reconhecer limitações próprias, acolher erros pontuais e participar dos ajustes necessários. Assim, o conselho sobre os olhos ganha um sentido para a convivência: atenção para escolher e compreender a relação, generosidade para lidar com imperfeições e clareza para conversar sobre o que precisa mudar.