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Família monta canil na divisa para 3 cães grandes, mau cheiro e latidos geram reclamação por 8 meses e Justiça fixa multa diária de R$ 500 até a retirada dos animais

Oito meses de latidos e mau cheiro.

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A conta ultrapassou o orçamento da família, e o juiz determinou a readequação ou a remoção dos animais sob multa diária. Os pontos técnicos exigidos são estes.

Antônio e Márcia ergueram um canil de cimento colado no muro do vizinho para os três cães grandes da casa. Contrapiso rente à divisa, mangueira à mão, escoamento direto. Oito meses de reclamação depois, o juiz mandou tirar os animais dali, sob multa diária de R$ 500. A história é fictícia, mas ilustra um conflito comum no Brasil.

Como surgiu a ideia do canil colado no muro do vizinho?

Antônio e Márcia amavam os três cachorros de grande porte. Queriam dar a eles um espaço próprio no fundo do quintal, longe da sala e da cozinha. Pesquisaram materiais, economizaram por meses, contrataram um pedreiro do bairro e ergueram uma estrutura de alvenaria com contrapiso, cobertura de telha e ralo central. Foi um projeto pensado com carinho de quem quer o bem dos bichos.

Para poupar tijolo e ganhar espaço útil no terreno, o casal decidiu construir o canil encostado no muro do vizinho, usando a parede da divisa como uma das paredes do abrigo. Do lado de fora, nada indicava problema. Do lado de dentro do direito civil, o detalhe já pesava antes do primeiro latido da manhã.

Os latidos de madrugada, sempre que uma moto passava na rua, tiravam a família vizinha do sono.

O que aconteceu quando o vizinho começou a reclamar?

No verão, o odor de urina aquecida pelo sol batia direto no quintal ao lado. Os latidos de madrugada, sempre que uma moto passava na rua, tiravam a família vizinha do sono. As primeiras conversas foram cordiais, depois vieram bilhetes, e finalmente as chamadas à Polícia Militar por perturbação do sossego.

Sem acordo depois de oito meses, o vizinho entrou com ação na Justiça pedindo a readequação do canil e acionou a vigilância sanitária do município. A inspeção lavrou auto com exigências de higienização e afastamento mínimo da divisa. A conta técnica passou do orçamento da família.

Mas afinal, o que a lei brasileira diz sobre um canil colado na divisa?

O centro da discussão está no artigo 1.277 do Código Civil, que trata do uso anormal da propriedade. A regra é direta: o dono de um imóvel pode exigir que o vizinho pare com atividade que prejudique a segurança, o sossego ou a saúde de quem mora ao lado. Não importa se a atividade é lícita em outro contexto, o que pesa é o incômodo concreto e comprovado.

Em paralelo, a perturbação do sossego por barulho, incluindo latidos constantes no período de descanso, aparece como contravenção penal no artigo 42 da Lei de Contravenções Penais. Junto disso, códigos municipais de posturas costumam fixar distância mínima de canis em relação à divisa e regras de higienização.

Quais são as exigências para um canil doméstico ficar dentro da lei?

Quando o processo avançou, a perícia listou o que faltava no canil para que Antônio e Márcia deixassem de gerar dano ao vizinho. A conta ultrapassou o orçamento da família, e o juiz determinou a readequação ou a remoção dos animais sob multa diária. Os pontos técnicos exigidos são estes:

1
Afastamento mínimo da divisa Códigos municipais exigem distância entre o canil e o muro do vizinho, evitando contato direto com o imóvel ao lado.
2
Piso impermeável com escoamento próprio O contrapiso precisa ter ralo ligado à rede de esgoto, nunca com escorrimento para o terreno vizinho.
3
Tratamento acústico da estrutura Paredes e cobertura devem reduzir o eco dos latidos, especialmente no período noturno protegido por lei.
4
Higienização diária comprovável Limpeza documentada com produto adequado, para evitar acúmulo de fezes, urina e proliferação de vetores.
5
Número de animais compatível com o espaço A quantidade de cães precisa respeitar a metragem, a ventilação e a capacidade sanitária do local.

As leis de vizinhança existem para proibir quem ama animais?

Não é sobre isso. As regras do Código Civil sobre uso da propriedade nasceram porque, ao longo do tempo, muita gente adoeceu, perdeu o sono ou teve o próprio quintal contaminado por atividades do vizinho feitas sem cuidado técnico. A lei protege o direito de ter animais e, ao mesmo tempo, protege quem mora do lado de respirar ar limpo e dormir em paz.

Nos casos em que a decisão exige uma obra ou a retirada dos bichos, o juiz costuma aplicar o mecanismo previsto no Código de Processo Civil para fixar multa diária, o que pressiona a família a cumprir a determinação sem novas rodadas de discussão.

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O que muda quando comparamos o canil da família com o caminho legal?

A diferença entre o canil que Antônio e Márcia ergueram e um abrigo doméstico dentro da lei não está no amor pelos cães, na dedicação ou no cuidado diário, mas no processo técnico e sanitário adotado desde o projeto. A comparação entre o caminho que a família seguiu e o que a legislação e o município exigem fica clara na tabela:

Etapa O que a família fez O que a lei exige
Localização Onde o canil foi erguido Contrapiso encostado no muro do vizinho Uso nocivo da propriedade
Escoamento Destino da água de lavagem Lavagem com mangueira, sem ralo próprio Ligação à rede de esgoto
Controle acústico Latidos noturnos Estrutura aberta e ecoante Tratamento sonoro exigido
Consulta prévia Antes de construir Nenhuma consulta ao município Código de posturas municipal

O que se aprende com a história de Antônio e Márcia?

O amor pelos animais nunca foi o problema, e nem o desejo de dar aos três cães um espaço próprio no fundo do quintal. O que virou risco jurídico foi a escolha de encostar o canil no muro do vizinho sem checar postura municipal, distância mínima, escoamento e ruído. Um projeto de quintal virou processo com multa diária.

Quem realmente quer montar um canil doméstico precisa seguir esse roteiro: antes de qualquer cimento, procurar a prefeitura para consultar o código de posturas do município, conversar com um veterinário sobre metragem e ventilação por animal, contratar um profissional habilitado para o projeto com afastamento e escoamento adequados, e apoiar tudo com orientação jurídica de confiança. Foi o que faltou no quintal da família.