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Pedreiro começou ganhando R$ 245 por dia como servente, abriu empresa de reformas e agora sofre para achar quem saiba trabalhar na construção

Com alta procura por moradias, escassez de pedreiros qualificados faz o setor de reformas buscar novas soluções práticas em canteiros de obras

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Homem de capacete e camisa azul em canteiro de obras com tijolos e outro trabalhador
Setor da construção civil lida com a escassez de profissionais e a exigência física do trabalho em obras. Foto: Imagem de IA

A escassez de operários qualificados virou um dos principais gargalos para a construção e reformas na Espanha. O problema atinge canteiros de obras em um momento de alta procura por moradia, dificultando o preenchimento de vagas e a entrega de projetos no prazo.

O pedreiro e empresário ucraniano Sergio, com mais de dez anos de atuação no mercado espanhol, relatou as dificuldades no programa “Sector Oficios Podcast”. Ele apontou que a redução da mão de obra disponível compromete o andamento das construções.

Déficit de profissionais e exigência física

A mudança geracional explica a carência de pessoal no setor, marcado por pesado desgaste físico. Segundo Sergio, “tem pouca gente agora que queira trabalhar, e fazem bem”. Essa baixa procura ocorre enquanto a demanda imobiliária urbana avança no país.

O empresário destacou que “a Espanha precisa de construtores, pela falta de moradias e tudo”. Com a carência de equipes capacitadas, os prazos das intervenções tornam-se cada vez mais difíceis de cumprir.

Impactos da concorrência desleal e salários

A informalidade desequilibra as finanças da categoria com preços excessivamente baixos. Sergio relembrou que recebia € 40 diários, cerca de R$ 245, no início da carreira como ajudante. Atualmente, reformas completas com instalações e esquadrias custam entre € 850 e € 900 por metro quadrado, algo em torno de R$ 5,5 mil.

Práticas fora da legalidade adotadas por concorrentes ampliam as dificuldades. Sergio afirmou que existem empresas que “não pagam, mantêm sem seguro ou têm um contrato de duas horas ou quatro horas”. O pedreiro Diego Martí também apontou que a remuneração média de € 1.700 a € 1.800, perto de R$ 11 mil, continua baixa para a função.

Aposta em prestadores autônomos

A falta de preparo técnico dos candidatos gera vigilância constante para evitar falhas graves em tubulações, alvenaria e acabamento. Sergio contou que muitos trabalhadores chegam dizendo: “‘sou pedreiro de primeira’ e não sabem nem abrir canaletas”. O próprio empresário admitiu que mentiu dizendo ser pintor nos primeiros anos para conseguir vagas.

Para contornar os problemas de produtividade e treinamento, Sergio passou a contratar apenas prestadores autônomos. Ele explicou que “sai mais barato contratar um autônomo do que ter um funcionário”, justificando que esses profissionais “são mais responsáveis do que um trabalhador que sabe que recebe o salário e fica tranquilo”, já que o pagamento depende da conclusão do serviço.