Política

Entidades e representantes políticos manifestam repúdio ao pronunciamento de Roberto Alvim

Secretário nacional de Cultura foi exonerado do cargo pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, após fazer apologia nazista em discurso

Por Diogo Sampaio

Secretário nacional de Cultura foi exonerado do cargo pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, após fazer apologia nazista em discurso
(Foto: Reprodução)

Na madrugada desta sexta-feira, em pronunciamento oficial feito pelas redes sociais, o então secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim, provocou a revolta e a indignação de diversas entidades e representantes políticos ao fazer referências à frases e citações do ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels, durante discurso. No vídeo que gerou a polêmica, é possível notar ainda alusões ao nazismo na estética da sala e na música ao fundo, uma ópera de Wagner, compositor preferido do líder nazista, Adolph Hitler. Devido a repercussão negativa, o presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem Partido), anunciou, no início da tarde, a exoneração de Alvim do cargo.

Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre

Um dos primeiros a se posicionarem contra as declarações de Alvim foi o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que acusou o ex-secretário de passar de todos os limites, além de considerar o ato como “inaceitável”. Outro a se manifestar prontamente foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Em nota, Alcolumbre, que é o primeiro presidente judeu do Congresso, afirmou que “é totalmente inadmissível, nos tempos atuais, termos representantes com esse tipo de pensamento, que se valham do cargo que eventualmente ocupam para explicitar simpatia pela ideologia nazista” e que “repitam ideias do ministro da Informação e Propaganda de Adolf Hitler, que infligiu o maior flagelo à humanidade”.

Dias Toffoli e Augusto Aras

Já o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, defendeu que “há de se repudiar com toda a veemência a inaceitável agressão que representa a postagem feita pelo (então) secretário de Cultura. É uma ofensa ao povo brasileiro, em especial à comunidade  judaica”. Mesmo entendimento do procurador-geral da República, Augusto Aras, que declarou que “a única ideologia política admissível no Brasil é a democracia participativa, que tem como princípio fundante, a liberdade de expressão”. Para Aras, “ideias nazifascistas são totalitárias e destroem a democracia, daí o porque, nesta excepcionalidade, a liberdade de expressão pode ser relativizada”.

Conib e Fisesp

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) taxou como “inaceitável” e um “sinal assustador” as referências ao nazismo feitas pelo secretário Alvim. Já a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) disse em nota que “o uso de discurso nazista é inadímissível. Jamais ficaremos calados e rejeitamos a banalização de um episódio trágico para a Humanidade, responsável pelo Holocausto, com a morte de 6 milhões de judeus, e o assassinato de dezenas de milhões de outros inocentes, como ciganos, negros, homossexuais, comunistas, entre outros”.

Frente Parlamentar da Amizade Brasil-Israel

A Frente Parlamentar da Amizade Brasil-Israel publicou uma nota repudiando a postura do então secretário de cultura e defendendo a sua demissão do cargo. “Inadvertidamente ou consciente dos seus atos, Alvim ainda acusou a ‘esquerda’ ao afirmar que essa ‘associação remota’ é uma ‘falácia’, e que trata-se apenas de uma ‘coincidência retórica’. Tornou-se lugar-comum acusar a esquerda dos atos espúrios cometidos por quem quer que seja, dentro do governo ou fora dele. Nessa disputa estúpida de discursos vazios, ausente de razoabilidade, quem perde é o povo brasileiro. O nazismo com todo seu mal nunca deve ser esquecido não para ser celebrado, mas para nunca mais ser praticado no mundo. Alvim deve ser demitido”, diz trecho do documento.

PSL

Quem também se pronunciou foi o ex-partido do presidente, o PSL. Em nota, a sigla declarou: “O Partido Social Liberal (PSL) vem, por meio desta, repudiar a manifestação do Secretário Especial de Cultura, Roberto Alvim, pela postura e declarações referenciando a ditadura nazista na Alemanha. Esse foi um dos períodos mais nefastos na nossa história, responsável pelo holocausto que culminou na morte de cerca de 6 milhões de judeus além do assassinato de dezenas de milhões de outros inocentes como negros, homossexuais, entre outros. É inadmissível aceitar tal posicionamento partindo de um representante de um país democrático como o Brasil. Não se posicionar contra tal absurdo é o mesmo que consentir e apoiar praticas nazistas”.

Oposição vai a Justiça

Por conta do vídeo, o ex-secretário nacional da Cultura Roberto Alvim deverá ter que responder, judicialmente, acerca do pronunciamento com referências nazistas. A oposição pretende apresentar queixa contra Alvim, mesmo com ele exonerado, na Procuradoria Geral da República (PGR) e na Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), pelos crimes de apologia ao crime (art. 287 do Código Penal), incitação ao crime (art. 287 do Código Penal) e racismo (art. 20 da lei nº 7716/1989).

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