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Saúde

Atletas de primeira viagem: veja quais exames fazer antes de começar a praticar exercícios

Cardiologista recomenda avaliação pré-participação para quem vai iniciar a prática de atividades físicas ou esportivas

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A avaliação médica é essencial antes de iniciar uma atividade física (Imagem: PeopleImages | Shutterstock)

Segundo uma pesquisa da Brain Inteligência e Estratégia, 42% dos brasileiros passaram a incluir a atividade física na rotina nos últimos anos. Entre os jovens, o hábito é ainda mais comum: 47% escolhem as academias para se exercitar. Apesar desse avanço, muitas pessoas iniciam os treinos, seja na academia, no campo ou na pista, sem realizar uma avaliação médica prévia. E é justamente aí que mora o risco.

“O exercício vigoroso associado a cardiopatias ocultas pode funcionar como gatilho para arritmias graves, quadros que em repouso simplesmente não aparecem. Boa parte das condições que representam risco durante o exercício físico não gera nenhum sintoma no dia a dia”, afirma o Dr. Carlos Eduardo Suaide, cardiologista do Delboni e Lavoisier, especialista da Dasa.

Nesse contexto, o paciente pode ter alguma condição sem saber. “A pessoa se sente bem, vive normalmente, começa a treinar com entusiasmo, e é exatamente nesse momento que o organismo é colocado sob uma demanda que nunca tinha enfrentado. A avaliação pré-participação existe para mapear esse cenário antes que ele se torne um problema”, acrescenta o médico.

O que a avaliação pré-participação inclui?

A Avaliação Pré-Participação Esportiva (APP) é recomendada pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), em diretriz conjunta com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), para todos os indivíduos antes de iniciar a prática de atividades físicas ou esportivas.

Para iniciantes entre 20 e 39 anos sem fatores de risco, os exames básicos incluem eletrocardiograma em repouso, hemograma completo, glicemia de jejum, colesterol total e frações, triglicerídeos, função renal e urina tipo I. Para quem tem mais de 40 anos ou apresenta fatores de risco cardiovascular, acrescentam-se o teste ergométrico e o ecocardiograma e, dependendo do perfil, Holter 24 horas e exames hormonais.

“O protocolo de exames não é igual para todo mundo. Um adulto de 35 anos sem histórico familiar e sem comorbidades tem um ponto de partida diferente de alguém com hipertensão ou sobrepeso. O médico é quem define esse caminho — e a consulta clínica, com história completa e exame físico, sempre vem antes dos exames laboratoriais”, alerta o Dr. Carlos Eduardo Suaide.

Começar com segurança, progredir com consistência

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos acumulem entre 150 e 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana, ou entre 75 e 150 de intensidade vigorosa. A instituição reforça que o ponto de partida deve ser pequeno, com progressão gradual de frequência, intensidade e duração ao longo do tempo.

A prática segura depende ainda de alimentação adequada, sono de qualidade e acompanhamento de profissional de educação física habilitado para montar e ajustar a progressão dos treinos. E mesmo quem está longe da meta inicial já se beneficia do movimento.

A seguir, confira outras dicas e exames para começar a se exercitar com segurança:

1. A consulta clínica vem antes dos exames, não o contrário

Um erro comum é chegar ao laboratório sem ter passado pelo médico. A anamnese (histórico clínico) e o exame físico são o que define quais exames são necessários para cada perfil. Agendar exames por conta própria, sem essa triagem, pode tanto deixar lacunas importantes quanto gerar custos desnecessários.

2. Cardiopatias são silenciosas em repouso

A miocardiopatia hipertrófica é responsável pelo espessamento anormal do músculo cardíaco. Quem tem essa condição geralmente não apresenta sintomas até colocar o coração sob esforço intenso. O eletrocardiograma em repouso é capaz de identificar alterações que passariam despercebidas no dia a dia.

Homem em uma esteira fazendo eletrocardiograma
O eletrocardiograma é um exame essencial no check-up preventivo de homens e mulheres (Imagem: Ground Picture | Shutterstock)

3. Acima dos 40, o teste ergométrico não é opcional

O eletrocardiograma de esforço avalia como o coração se comporta sob carga real: frequência, ritmo, pressão e resposta ao exercício, e é parte padrão da avaliação pré-participação. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda o teste como exame essencial no check-up preventivo de homens acima de 40 anos e mulheres acima de 50 anos.

4. Glicemia e colesterol revelam riscos que o treino pode agravar antes de melhorar

Quem começa a treinar com diabetes não diagnosticada ou com colesterol muito alterado está sujeito a respostas metabólicas imprevisíveis nas primeiras semanas. Identificar esses quadros antes de iniciar permite que o médico ajuste o protocolo de treino — intensidade, duração, frequência — de forma compatível com o estado metabólico real.

5. Progressão gradual não é falta de ambição, é fisiologia

A OMS recomenda começar com pouco e progredir gradualmente. O motivo é concreto: tendões, ligamentos e cartilagens se adaptam em ritmo mais lento do que músculo e sistema cardiovascular. Quem ignora isso nos primeiros meses costuma parar por lesão antes de completar 90 dias.

Por Bárbara Cheffer