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Saúde hormonal: 5 motivos que podem explicar a dificuldade para emagrecer

Compreender a inflamação metabólica, o comportamento hormonal e hábitos cotidianos pode representar o primeiro passo para recuperar bem-estar e equilíbrio

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Mudanças hormonais podem influenciar metabolismo, retenção de líquidos e composição corporal (Imagem: New África | Shutterstock)

Muitas mulheres relatam uma sensação parecida: manter hábitos semelhantes aos de antes, mas perceber que o corpo mudou, o inchaço aumentou e o emagrecimento ficou mais difícil. Em consultórios de ginecologia e saúde hormonal feminina, tem crescido a discussão sobre um fenômeno frequentemente chamado de “inflamação hormonal”, expressão usada para descrever um conjunto de alterações metabólicas, inflamatórias e hormonais que podem impactar peso, retenção de líquidos e bem-estar.

Segundo o ginecologista Dr. Rafael Lazarotto, especialista em menopausa, emagrecimento e lipedema, muitas pacientes chegam ao consultório acreditando que a dificuldade para perder peso está apenas na alimentação. “A mulher costuma ouvir que basta comer menos e fazer exercício, mas nem sempre o cenário é tão simples. Hormônios, qualidade do sono, inflamação metabólica, intestino, estresse e retenção hídrica podem interferir diretamente na forma como o corpo responde ao emagrecimento”, explica.

Abaixo, entenda melhor sobre os fatores que podem dificultar o emagrecimento em mulheres!

1. Alimentação: o que parece leve nem sempre favorece o equilíbrio hormonal 

O excesso de ultraprocessados, açúcar refinado, álcool frequente e alimentação pobre em fibras pode contribuir para aumento de inflamação metabólica e piora da resistência à insulina, favorecendo ganho de gordura abdominal.

“Uma alimentação desregulada pode amplificar processos inflamatórios do organismo. Não é sobre dietas radicais, mas sobre consistência alimentar e escolhas que favoreçam a saúde metabólica e hormonal”, afirma Dr. Rafael Lazarotto.

Segundo ele, proteínas adequadas, fibras, vegetais, hidratação e refeições equilibradas costumam fazer diferença no controle do metabolismo. 

2. Estresse constante altera hormônios e favorece acúmulo de gordura

Rotina intensa, ansiedade, excesso de trabalho e privação de sono podem elevar níveis de cortisol, hormônio associado ao estresse. “O estresse crônico pode impactar diretamente metabolismo, sono, apetite e armazenamento de gordura, principalmente na região abdominal. Muitas vezes, a paciente está se esforçando, mas o organismo permanece em estado constante de alerta”, explica o médico.

Além do peso, alterações hormonais ligadas ao estresse também podem piorar a fadiga, a compulsão alimentar e a retenção de líquidos. 

Imagem de uma pessoa com camiseta branca e com as mãos segurando a ilustração de um intestino humano
Alterações na microbiota intestinal podem impactar diversas funções do organismo, prejudicando o emagrecimento (Imagem: SewCreamStudio | Shutterstock)

3. Intestino saudável também influencia hormônios e emagrecimento

O funcionamento intestinal ganhou protagonismo nas discussões sobre saúde hormonal feminina. As alterações na microbiota intestinal podem interferir na inflamação, no metabolismo e até no processamento hormonal. 

“O intestino participa de vários mecanismos ligados ao metabolismo e à regulação hormonal. Distensão abdominal, constipação, desconforto digestivo e alimentação inflamatória merecem atenção dentro desse contexto”, afirma o ginecologista.

4. Retenção de líquidos nem sempre significa ganho de gordura 

Sensação de inchaço, roupas apertadas, oscilação rápida na balança e edema podem estar ligados a alterações hormonais, ciclo menstrual, menopausa, alimentação rica em sódio ou baixa ingestão hídrica. 

“Muitas mulheres chegam dizendo que ganharam peso rapidamente, mas parte importante pode ser retenção. Precisamos diferenciar gordura, edema e alterações hormonais antes de definir estratégias”, explica o Dr. Rafael Lazarotto.

5. Metabolismo muda ao longo da vida e exige novas estratégias

Com o envelhecimento, climatério e menopausa, a tendência é ocorrer redução de massa muscular e mudanças hormonais que impactam gasto energético e composição corporal. “O metabolismo feminino não permanece igual aos 20, 30 ou 50 anos. O cuidado precisa acompanhar essas transformações, com avaliação individualizada e metas realistas”, pontua.

Saúde hormonal e metabolismo caminham juntos 

Entender a saúde hormonal feminina exige abandonar fórmulas universais. Nem todo ganho de peso é resultado exclusivo de alimentação excessiva ou falta de disciplina. Em muitos casos, compreender a inflamação metabólica, o comportamento hormonal e hábitos cotidianos pode representar o primeiro passo para recuperar bem-estar e equilíbrio.

Por Sarah Carvalho