Economia
Homem persegue ex-colega com 80 ligações diárias e monitoramento digital, é preso em flagrante e responde por crime de perseguição
A perturbação reiterada da privacidade por meios digitais ou físicos configura crime de perseguição, autorizando prisão em flagrante e medidas protetivas urgentes.
O monitoramento obsessivo e as tentativas insistentes de contato forçado configuram conduta criminosa grave no Brasil. A Polícia Civil efetuou a prisão em flagrante de um homem que realizava 80 ligações diárias e vigiava a rotina digital de uma ex-colega de trabalho.
O que a legislação penal brasileira define como crime de perseguição?
O crime de perseguição continuada, conhecido como stalking, foi inserido no ordenamento jurídico pela Lei Federal nº 14.132 e tipificado expressamente no Artigo 147-A do Código Penal. A norma pune quem persegue alguém de forma reiterada, por qualquer meio, ameaçando sua integridade física ou psicológica.
A lei abrange invasões que perturbem a liberdade ou restrinjam a privacidade da vítima, aplicando pena de reclusão de 6 meses a 2 anos, além de multa. A sanção é aumentada em 50% quando o crime é praticado contra mulher por razões de gênero ou mediante o concurso de 2 ou mais pessoas.

Quais condutas digitais caracterizam a invasão da esfera de privacidade?
A modalidade virtual (cyberstalking) ocorre com a criação de dezenas de perfis falsos para driblar bloqueios em redes sociais e enviar mensagens contínuas. A instalação de aplicativos espiões sem autorização e a vigilância de localização em tempo real configuram atos ilícitos incontroversos.
Para diferenciar a insistência comercial comum da perseguição criminosa punida com prisão, consulte as diretrizes jurídicas estruturadas no alerta técnico a seguir:
⚖️ Elementos Configuradores do Stalking
Como a Justiça concede medidas protetivas urgentes para a vítima?
Diante do relato circunstanciado na delegacia, o juiz criminal fixa medidas protetivas de urgência em até 48 horas. As ordens judiciais incluem a proibição de aproximação física com limite mínimo de 300 metros e o veto absoluto a qualquer contato telefônico ou eletrônico.
O descumprimento injustificado de medida protetiva revoga a liberdade provisória e fundamenta a decretação de prisão preventiva. A vítima também pode ajuizar ação no juízo cível para cobrar indenização por danos morais e ressarcimento de despesas com tratamentos psicológicos.
Quais provas digitais devem ser preservadas para fundamentar a prisão?
A comprovação da conduta reiterada depende da preservação da cadeia de custódia das evidências eletrônicas. Apagar mensagens ofensivas ou limpar o histórico de chamadas prejudica a instrução probatória do inquérito policial.
Para instruir o boletim de ocorrência com validade jurídica perante o Ministério Público, adote as seguintes práticas imediatas:
- 📱 Prints com cabeçalho completo: Salve capturas de tela onde constem o número do telefone emissor, data e horário exatos.
- 📜 Ata notarial em cartório: Registre as mensagens de aplicativos e áudios com fé pública lavrada por tabelião.
- 📹 Imagens de câmeras de segurança: Solicite as gravações de condomínios que comprovem a presença física do agressor na rua.
Quais são as principais dúvidas jurídicas sobre o crime de perseguição?
A linha entre paqueras inconvenientes e crimes cibernéticos desperta dúvidas técnicas sobre denúncias formais. Esclareça os principais pontos a seguir:
📋 Perguntas Frequentes
Esclarecimentos sobre o Artigo 147-A do Código Penal
Sim. O Artigo 147-A, § 3º, exige representação formal da vítima no prazo de 6 meses a contar do dia em que veio a saber quem é o autor do delito.
Não pelo Artigo 147-A, mas sim pelo Artigo 71 do Código de Defesa do Consumidor, que pune a cobrança vexatória que ameaça ou perturba o devedor.
A perseguição contínua com chamadas insistentes atenta contra a liberdade individual e não é mero aborrecimento social. A aplicação das penas do Artigo 147-A restabelece a segurança da vítima e garante a repressão criminal necessária.