Economia
Marido acumula 2 milhões de milhas aéreas durante o casamento e Justiça obriga a partilha do valor acumulado com a ex-esposa no divórcio
A expressão econômica dos programas de fidelidade confere natureza patrimonial às milhas acumuladas no casamento, autorizando a partilha na proporção de 50%.
A evolução dos ativos imateriais acumulados durante a constância matrimonial tem transformado as disputas na dissolução conjugal. A Justiça de Família determinou a divisão em 50% de um saldo de 2 milhões de milhas aéreas acumuladas pelo marido ao longo do casamento sob o regime de comunhão parcial de bens.
Milhas aéreas e pontos de cartão de crédito integram o patrimônio partilhável?
O Artigo 1.658 do Código Civil estabelece que, no regime de comunhão parcial, comunicam-se todos os bens adquiridos onerosamente pelo casal durante o casamento. Embora os regulamentos de fidelidade afirmem que as milhas são personalíssimas e intransferíveis, a Justiça reconhece sua natureza patrimonial e econômica.
Milhas e pontos acumulados através de compras em cartões corporativos, aquisição de passagens e gastos rotineiros possuem valor de mercado convertível em dinheiro, passagens ou produtos. Esse acervo integra o patrimônio comum do casal, devendo ser partilhado na proporção de 50% para cada cônjuge.

Como a Justiça resolve a partilha se o regulamento da companhia proíbe a transferência?
Diante da recusa técnica das companhias aéreas em transferir milhas entre contas de pessoas físicas sem cobrança de taxas abusivas, os tribunais determinam a conversão financeira do saldo de milhas em moeda corrente com base no valor de mercado do milheiro (lote de 1.000 milhas).
Para compreender como a avaliação judicial monetiza o saldo acumulado de 2 milhões de milhas em programas de fidelidade, veja o card explicativo a seguir:
✈️ Mecânica Judicial de Partilha de Milhas
Qual é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre ativos digitais de fidelidade?
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) assentou que vantagens econômicas obtidas por esforço comum integram a partilha. A exceção aplica-se apenas a milhas decorrentes exclusivamente de viagens corporativas bancadas por empresas empregadoras sem desembolso familiar.
No entanto, se os pontos foram auferidos pelo uso de cartão de crédito conjunto cujas faturas foram pagas com rendimentos do casal, a comunicação é irrefutável. A liquidação do saldo de 2 milhões de milhas gera uma indenização compensatória em favor do cônjuge prejudicado.
Como comprovar e rastrear o saldo de pontos na ação de divórcio?
A parte que pleiteia a divisão das milhas deve requerer a expedição de ofício judicial às administradoras dos programas (como Smiles, Latam Pass e Livelo) solicitando o extrato histórico de pontuação na data da separação de fato.
Para assegurar a inclusão dos pontos acumulados no rol de bens a partilhar, adote as seguintes medidas probatórias:
- 📄 Extratos de faturas de cartão: Apresente comprovantes bancários com a geração mensal de pontos transferidos para a conta do titular.
- 🏢 Ofício judicial às companhias: Solicite ordem do juiz para que as empresas de fidelidade congelem ou informem o saldo do réu.
- 💵 Cotação do valor do milheiro: Junte avaliações contemporâneas do preço de mercado de lotes de 1.000 milhas para fixar o montante.
Quais as principais dúvidas sobre partilha de milhas e pontos em dissolução conjugal?
A divisão de criptoativos e pontos de cartão gera debates frequentes no direito sucessório e de família. Esclareça os principais pontos técnicos a seguir:
📋 Perguntas Frequentes
Esclarecimentos sobre bens imateriais no direito de família
O saldo é apurado retroativamente na data da separação de fato. O gasto proposital das milhas após o rompimento gera o dever de indenizar a metade do valor gasto.
Não. Pontos e milhas gerados comprovadamente antes da celebração do casamento são bens particulares e permanecem sob propriedade exclusiva do titular.
As milhas aéreas acumulam valor financeiro real e integram o acervo de bens partilháveis na dissolução do casamento sob comunhão parcial. A Justiça assegura a divisão do valor econômico dos pontos acumulados durante a vida conjugal.