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Mulher traída paga R$ 5 mil por amarração amorosa de 7 dias, marido casa com amante e processo contra taróloga é rejeitado por risco da fé

Rituais espirituais e simpatias amorosas são obrigações de meio atreladas ao dogma da fé pessoal, sendo insuscetíveis de tutela indenizatória pelo Judiciário.

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Mulher traída paga R$ 5 mil por amarração amorosa de 7 dias, marido casa com amante e processo contra taróloga é rejeitado por risco da fé
Rejeição de pedido de indenização contra prestação de serviços espirituais e promessas amorosas - Imagem ilustrativa

A busca por soluções espirituais para conflitos conjugais não encontra tutela jurídica quanto ao resultado prometido nos tribunais brasileiros. Uma mulher que pagou R$ 5.000,00 por um ritual de amarração amorosa com promessa de retorno em 7 dias teve sua ação indenizatória rejeitada pela Justiça após o ex-marido casar-se com a amante.

Por que a Justiça considera a amarração amorosa uma obrigação juridicamente impossível?

Artigo 104, inciso II, do Código Civil estabelece como requisito de validade de qualquer negócio jurídico a existência de objeto lícito, possível, determinado ou determinável. Resultados baseados em crenças místicas, forças metafísicas ou rituais espirituais enquadram-se como objetos juridicamente e fisicamente impossíveis de aferição científica.

O magistrado não possui instrumentos jurídicos ou periciais para mensurar a eficácia de orações, cartas de tarô ou trabalhos espirituais. A obrigação contratada pertence à esfera da fé subjetiva e da crença pessoal, não gerando vínculo obrigacional civil exigível em juízo.

Mulher traída paga R$ 5 mil por amarração amorosa de 7 dias, marido casa com amante e processo contra taróloga é rejeitado por risco da fé
Rejeição de pedido de indenização contra prestação de serviços espirituais e promessas amorosas – Imagem ilustrativa

Como os Tribunais de Justiça aplicam o conceito de “risco da fé” e obrigação de meio?

Os Tribunais de Justiça estaduais entendem que os serviços espirituais configuram obrigações de meio, e não de resultado. O prestador compromete-se apenas a realizar os rituais, rezas ou consultas acordadas, sem poder garantir a alteração do livre-arbítrio ou dos sentimentos de terceiros.

A contratação voluntária de rituais com promessas de reconciliação amorosa envolve a assunção consciente do chamado “risco da fé”. Salvo em casos de estelionato com ameaças graves ou extorsão, a frustração amorosa não gera dever de ressarcimento ou indenização por dano moral.

Para compreender a distinção entre a prestação de serviços civis válidos e promessas metafísicas sem garantia jurídica, examine a tabela a seguir:

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🔮 Contratos Civis vs. Promessas Espirituais
Critério de Análise Serviço Técnico Exigível Ritual / Amarração Amorosa
Comprovação Pericial Possível por normas técnicas e ciência Impossível (dogma de fé e crença íntima)
Garantia de Sucesso Obrigação de resultado quando pactuada Inexigível perante o Poder Judiciário

Quando a atuação de cartomantes e videntes pode configurar crime de estelionato?

A linha que separa a manifestação de crença religiosa do ilícito penal está no uso de fraude, coação moral e ameaças. Se o suposto religioso ameaça a vítima com “mortes na família” ou exige quantias extorsivas sucessivas para desfazer maldições criadas artificialmente, resta caracterizado o estelionato (Artigo 171 do Código Penal).

Na ausência de dolo criminoso ou coação, quando a pessoa procura voluntariamente a taróloga buscando reatar o casamento e paga livremente o valor estipulado de R$ 5.000,00, a Justiça não reconhece vício de consentimento capaz de anular o pagamento.

Leia também: Noiva descobre traição no dia do casamento, cancela festa de R$ 100 mil e noivo infiel é condenado a pagar todo o prejuízo e danos morais – Super Rádio Tupi

Como agir caso tenha sido vítima de extorsão em atendimentos espirituais?

Quem se sentir coagido por falsos videntes deve interromper imediatamente qualquer novo repasse bancário e formalizar a ocorrência nas autoridades policiais para apuração de fraude.

Para resguardar seus direitos em situações com indícios de chantagem financeira, execute os seguintes passos:

  • 🛑 Bloqueio de repasses: Não realize transferências sob pressão psicológica de ameaças espirituais.
  • 📱 Gravação de áudios: Guarde mensagens e comprovantes de transferências bancárias com os dados do recebedor.
  • 🚨 Registro de boletim de ocorrência: Procure a Delegacia de Polícia Civil para registrar notícia-crime de estelionato ou extorsão.

Quais as principais dúvidas sobre processos contra serviços espirituais?

A proteção do Código de Defesa do Consumidor e a devolução de valores em consultas esotéricas geram debates constantes. Esclareça os principais pontos a seguir.

📋 Perguntas Frequentes

Tire dúvidas sobre a responsabilidade civil em serviços esotéricos

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O Código de Defesa do Consumidor se aplica a consultas de tarô e búzios? +

Aplica-se apenas quanto ao dever de informação e cobrança correta pelo tempo de consulta. O CDC não garante a realização de profecias ou resultados amorosos.

É possível recuperar o dinheiro pago caso o ritual não traga o marido de volta? +

Não. Salvo em casos de golpe financeiro comprovado pela polícia, os juizados cíveis rejeitam pedidos de devolução de valores pagos voluntariamente por fé.

O Poder Judiciário não tutela promessas místicas desprovidas de base científica e jurídica. A celebração voluntária de amarrações amorosas constitui risco exclusivo de quem contrata, afastando deveres de indenização civil.