Economia
Seguidora sofre lesão no fígado após tomar remédio indicado por blogueira e Justiça condena influenciadora e fabricante a pagar R$ 50 mil
Tribunal reconhece que criadores de conteúdo que lucram com divulgação de suplementos irregulares respondem civilmente por danos à saúde de seguidores.
A venda de suplementos e compostos emagrecedores com promessas milagrosas em redes sociais gerou uma condenação solidária histórica. A Justiça condenou uma influenciadora digital e a empresa fabricante a pagarem R$ 50.000,00 por danos morais e materiais após uma seguidora desenvolver hepatite medicamentosa aguda.
A influenciadora pode ser responsabilizada por divulgar produtos com promessas falsas?
A decisão judicial baseou-se no Artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que estabelece a responsabilidade objetiva da cadeia de fornecedores por defeitos no serviço e produtos. O tribunal entendeu que a blogueira não fez mera opinião pessoal, mas atuou como parceira comercial remunerada.
Ao atestar publicamente que as cápsulas eram seguras e aprovadas sem respaldo técnico, a criadora de conteúdo assumiu o risco da publicidade enganosa (Artigo 37 do CDC). O vínculo comercial direto com cupom de desconto configurou sua participação na comercialização do produto.

Quais foram os danos à saúde comprovados pela perícia médica?
Os laudos periciais anexados aos autos atestaram que os componentes do emagrecedor causaram sobrecarga hepática grave e lesão celular tóxica no fígado. A consumidora precisou de 14 dias de internação hospitalar em unidade intensiva para reverter o quadro clínico.
Para entender os direitos do consumidor lesado por propaganda de criadores de conteúdo, confira o resumo técnico estruturado no card a seguir:
Por que a ausência de registro na Anvisa pesou na condenação?
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe expressamente a comercialização de produtos sem registro sanitário que aleguem propriedades curativas ou perda acelerada de peso. A fabricante operava de forma clandestina na internet.
O juiz destacou que a influenciadora lucrou com a comissão das vendas sem verificar a legalidade da fórmula. A omissão de informações básicas de segurança configurou negligência e dolo eventual contra a saúde dos seguidores.
Como reunir provas contra propaganda enganosa em redes sociais?
Vítimas de produtos irregulares divulgados na internet devem documentar todas as postagens antes que os vídeos e stories sejam deletados. Guardar os comprovantes de compra e embalagens é decisivo para a ação civil.
Para construir um acervo probatório seguro e comprovar o nexo causal com os danos sofridos, execute as etapas listadas abaixo:
- 📱 Prints e gravações de tela: Salve os vídeos da influenciadora indicando o uso diário e prometendo resultados mágicos.
- 🧾 Comprovante de pagamento com cupom: Guarde as notas fiscais e extratos bancários com o código de desconto da blogueira.
- 🩺 Exames e relatórios médicos: Reúna laudos laboratoriais, prontuários de internação e receitas de medicamentos do tratamento.
O que fazer caso sofra intoxicação por produto comprado pela internet?
A busca imediata por atendimento médico deve vir acompanhada da notificação aos órgãos de fiscalização sanitária e proteção ao consumidor. Esclareça os principais pontos jurídicos a seguir.
📋 Perguntas Frequentes
A proteção da saúde pública estende-se com rigor para as redes sociais. Quem divulga remédios e suplementos ilegais responde pelos danos físicos causados a seguidores com indenizações no Judiciário.