Cientistas monitoram comportamento de tutores e cães durante o sono e revelam quem realmente acorda quem após noites dividindo o mesmo espaço - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Bichos

Cientistas monitoram comportamento de tutores e cães durante o sono e revelam quem realmente acorda quem após noites dividindo o mesmo espaço

Com monitoramento detalhado, cientistas comparam o comportamento de tutores e cães; o resultado surpreende quem busca noites tranquilas

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Cão beagle dormindo na cama ao lado de uma mulher sob um cobertor
Estudo investiga a qualidade do sono de tutores que dividem a cama com seus animais de estimação, analisando a movimentação noturna [Créditos: depositphotos.com / igorr1]

Pesquisadores das universidades de Toronto, no Canadá, e Duke, nos Estados Unidos, investigaram os efeitos de dormir no mesmo quarto ou na mesma cama que animais de estimação. Os resultados indicaram que esse hábito não provoca diferenças significativas na qualidade do sono. Além disso, os dados mostraram que, na maioria das situações analisadas, os tutores se movimentam antes dos cães durante a noite.

A revista científica “PLOS One” publicou o estudo, que reuniu 25 adultos, sendo 21 mulheres e quatro homens, com idade média de 39 anos, além de 38 cães das raças husky e malamute, entre dois e 12 anos. Os pesquisadores realizaram o monitoramento entre novembro e dezembro de 2021, durante o período de confinamento da pandemia de Covid-19.

Ao longo de quatro semanas, os participantes utilizaram sensores de movimento nos pulsos, enquanto os cães carregaram dispositivos semelhantes nas coleiras. Os equipamentos funcionavam de maneira parecida com relógios inteligentes e registravam a duração e a eficiência do sono dos voluntários, além da movimentação dos animais. Ao final, a equipe analisou os dados de 36 duplas formadas por tutores e seus cães.

Sincronia de movimentos na cama

Entre os 22 pares considerados nessa análise, os cientistas encontraram uma relação direta entre a movimentação dos humanos e a dos animais. Os registros revelaram que os participantes humanos iniciaram os movimentos primeiro em 45% das duplas. Por outro lado, os cães começaram a se mexer antes em 18% dos casos. Já em 36% dos registros, ambos apresentaram movimentação no mesmo minuto.

Apesar desses resultados, os pesquisadores ressaltaram que os sensores identificavam apenas os movimentos físicos. Portanto, os equipamentos não permitiam confirmar se uma pessoa ou um cachorro realmente despertava o outro durante a noite.

Percepção dos tutores e avaliações do sono

Em relação aos hábitos noturnos, quatro participantes relataram que sempre dividiam o colchão com o animal, enquanto dez faziam isso ocasionalmente. Outros 11 nunca dormiam na mesma cama que o pet. Entretanto, os registros dos dispositivos não apontaram diferenças estatisticamente significativas na duração ou na eficiência do descanso entre os grupos.

Leia Mais

As respostas dos tutores também revelaram percepções diferentes sobre o descanso ao lado dos animais. Quase metade dos participantes afirmou que os cães já haviam interrompido seu sono em alguma ocasião. Ainda assim, 88% disseram que os latidos não prejudicavam suas noites, enquanto 84% relataram que os ruídos provocados pelos movimentos dos animais não representavam um incômodo.

Além disso, os 13 tutores que conviviam com mais de um cachorro avaliaram a própria qualidade de sono de forma menos positiva do que aqueles que tinham apenas um animal. Apesar dessa diferença na percepção dos participantes, os sensores apontaram resultados semelhantes em relação à duração e à eficiência do descanso nos dois grupos.

Por fim, a equipe responsável destacou algumas limitações do estudo. A pesquisa reuniu poucos participantes e contemplou apenas duas raças de cães. Além disso, os sensores não conseguiam identificar com precisão se os animais estavam acordados ou dormindo. Por esse motivo, os resultados não permitem concluir se a presença dos cachorros favorece ou prejudica a qualidade do sono.